Corte na Selic em novembro é posto em xeque na curva de juros às vésperas do primeiro turno
De olho no primeiro turno das eleições no próximo domingo (4), os operadoras adotaram um tom mais cauteloso nesta sexta-feira (2) e o mercado voltou a ficar dividido quanto ao rumo da trajetória da Selic, mesmo com dados mais fracos de emprego nos Estados Unidos.
Hoje, a curva de juros brasileira precifica 50% de chance de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central seguir com o ritmo de cortes na Selic com uma nova redução 25 pontos-base na próxima decisão, em novembro, e outros 50% de uma manutenção de 13,75% ao ano, segundo Flávio Serrano, economista-chefe do Bmg.
Para dezembro, a curva de juros precifica 10% de chance de uma redução na taxa básica de juros.
“Mercado ensaiou uma queda [na curva de juros] com os dados mais fracos de mercado de trabalho dos Estados Unidos, mas voltou”, afirmou Serrano. “Os agentes seguem mais cautelosos por conta das eleições do domingo”, acrescentou.
Na tarde desta sexta-feira, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, operava próxima da estabilidade a 13,545% em relação ao ajuste anterior.
Já a taxa de DI para janeiro de 2031 operava a 14,050%, alta de 4 pontos-base ante o ajuste anterior, enquanto a taxa de DI para janeiro de 2036, de longo prazo, subia 10 pontos-base, para 14,175%, ante 14,075% do fechamento anterior.
Mais cedo, as taxas chegaram a cair até 5 pontos-base nos vértices intermediários acompanhando o alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, após o payroll.
O principal relatório de empregos dos Estados Unidos, mostrou a abertura de 29 mil vagas de emprego em setembro bem abaixo do esperado pelo mercado e apontou para um aumento da taxa de desemprego de 4,1% para 4,2% no período.
O dado, referência para o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), elevou a aposta de manutenção dos juros pelo Comitê pelo para 80%.
Lula x Flávio
A dois dias do primeiro turno das eleições, o cenário para a Presidência da República é o mais acirrado desde 2002, com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) praticamente empatada nas últimas pesquisas de intenção de votos.
Os mercados preditivos, proibidos no Brasil, indicam uma vantagem do senador sobre Lula.
Para os investidores, uma eventual consolidação desse cenário poderia abrir espaço para uma reação positiva dos ativos brasileiros.