Costa Neto descarta Tereza Cristina e Michelle como vice de Flávio e pede ‘trégua’ na família Bolsonaro
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, descartou nesta segunda-feira (30) os nomes da senadora Tereza Cristina (PP-MS) e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como candidatas a vice-presidente em uma eventual chapa a presidente encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O ex-deputado federal voltou a defender a escolha de uma mulher para o posto e repetiu que a decisão de Jair Bolsonaro em 2022, de ter Walter Braga Netto como seu vice, custou-lhe a reeleição.
“Teresa Cristina falou para mim a semana passada que não pretende ser vice, que tem projeto para o Senado. Ela vai nos ajudar, mas tenho certeza de que ela não será candidata a vice”, disse Costa Neto após participar de um evento do Lide, em São Paulo. A senadora era a preferida do presidente do PL, mas, além da decisão pessoal da parlamentar, a escolha, segundo ele, novamente caberá ao ex-presidente e ao filho Flávio.
“É escolha pessoal entre candidato e o pai, não quero influenciar nisso. Braga Netto foi um erro, não deu voto, e não acredito que errem de novo. Perderam uma eleição uma vez e não vão querer perder uma vez”, afirmou.
Costa Neto rechaçou o nome de Michelle Bolsonaro como vice do enteado. Ele repetiu sete vezes a palavra “não” quando indagado por jornalistas sobre a possibilidade de a presidente do PL Mulher compor a chapa. Usou uma justificativa curiosa para a avaliação.
“Michelle não. Já têm o mesmo (sobre)nome e têm que abrir para outros partidos”, afirmou Costa Neto, sugerindo que poderia ser uma mulher do Nordeste, o possível nome da vice dos sonhos.
Durante o evento, para uma plateia de empresários, Costa Neto cobrou uma solução para os problemas internos dentro da família Bolsonaro e pediu uma trégua para evitar que essas divergências contaminem a campanha de Flávio Bolsonaro.
“Eles têm problemas na família, lógico, mas nós temos que resolver todos”, disse. “Se não se resolverem, o Eduardo não volta mais ao Brasil”, completou, se referindo ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que mora nos Estados Unidos.
Segundo o presidente Nacional do PL, o desempenho de Flávio Bolsonaro, com o empate nas pesquisas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem surpreendido o partido e pode atrair outros partidos para a coligação. Para ele, Flávio deve mostrar na campanha “o que vai fazer e não deve atacar o Lula”, além de apresentar um plano de governo real e viável. “Flávio não vem para guerrear, mas para tocar a vida para frente”
Dúvidas sobre Caiado
Costa Neto elogiou Ronaldo Caiado, anunciado nesta segunda-feira como o nome do PSD a presidente da República, mas ironizou a candidatura do governador de Goiás. Segundo ele, Caiado é um político de prestígio, tem aprovação, mas deveria se aliar ao PL e a Flávio Bolsonaro no primeiro turno, pois não estará no segundo turno.
“Caiado é um político de muito prestígio, muita aprovação, mas tenho minhas dúvidas sobre a candidatura. Todos nós sabemos que podem ter quantos candidatos a presidente do Brasil, que no segundo turno vão estar o Flávio e o Lula. Tenho certeza que o Caiado, que é de direita, vai nos acompanhar e o ideal era que todos nos acompanhassem no primeiro turno, para dar chance de ganhar no primeiro turno”.
Banco Master
No almoço com empresários, Costa Neto repetiu a defesa pela instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master, que já tem assinaturas suficientes para ser instalada. Ele acusou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) de não instalar a CPI.
“Temos assinatura suficientes, quem não assinou é a base do governo e indica que vai trazer a base do governo para dentro. Quem não gostaria de ouvir o Vorcaro falar? Tem muita coisa ruim por aí”, afirmou. Costa Neto disse também que “acha” que “não tem ninguém do PL envolvido no Banco Master, porque, se tivesse, iria me procurar”, concluiu.