CPFL (CPFE3) tem lucro no 4º tri, anuncia R$ 4,3 bi em dividendos e investimentos até 2030
A CPFL (CPFE3) está conseguindo manter resultados financeiros sólidos, apesar das elevadas perdas na área de geração de energia, e aprovou um plano de investimentos recorde de R$ 31,1 bilhões até 2030, com foco na distribuição de energia, disse à Reuters o CEO da companhia.
A elétrica controlada pela chinesa State Grid anunciou nesta quinta-feira (5) um lucro líquido de R$ 1,565 bilhão no quarto trimestre de 2025, leve queda de 0,6% na comparação anual, mas acima da expectativa média de analistas, de R$ 1,3 bilhão, conforme estimativa IBES, da LSEG.
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Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia subiu 4,0% na base anual, para R$ 3,41 bilhões, superando a previsão do mercado de R$ 3,15 bilhões.
No ano, a CPFL fechou com lucro de R$ 5,74 bilhões, estável ante os R$ 5,76 bilhões de 2024, resultado considerado “sólido” pelo CEO, Gustavo Estrella, diante de fatores como perdas por cortes de geração de energia e maior custo da dívida em um ambiente de juros elevados.
Em entrevista à Reuters, o executivo destacou o aporte recorde de R$ 6,1 bilhões executado pela CPFL em 2025, além de dois anúncios feitos nesta quinta-feira pela companhia, em paralelo ao balanço, de um novo plano de investimentos de R$ 31,1 bilhões para 2026-2030 e uma proposta de pagamento de dividendos de R$ 4,3 bilhões referentes a 2025.
“É o maior plano plurianual de investimentos da história do grupo. E também é o maior volume de pagamentos de dividendos desde o nosso ‘re-IPO’ em 2019. A gente segue aqui mantendo crescimento, combinado com pagamento de dividendos”, afirmou Estrella.
O desempenho da companhia elétrica foi impulsionado pela performance das quatro distribuidoras do grupo, que registraram redução de mais de 26% na Provisão para Devedores Duvidosos (PDD), além de efeitos positivos dos reajustes tarifários.
O negócio de distribuição deve receber R$ 25,3 bilhões no próximo ciclo de investimentos da CPFL, com foco em projetos de fortalecimento das redes elétricas para eventos climáticos extremos e para digitalização e automação, com instalação de mais religadores e medidores inteligentes.
Já o principal “ofensor” dos resultados da CPFL tem sido o segmento de geração, com as usinas eólicas do grupo sofrendo cortes de geração de energia de cerca de 30%, em média, apontou o CEO. Ao todo, o impacto dos cortes para a companhia foi de mais R$ 500 milhões em 2025.
“Os cortes de geração seguem vindo forte, em janeiro desse ano segue na casa de 30%. A gente parcialmente resolve (o impacto retroativo dos cortes) com a lei aprovada no final do ano passado, mas ainda segue como desafio olhando para frente, dado que a solução não cobre 100% dos impactos financeiros que a gente tem.”
A avaliação do executivo é de que a lei que determinou ressarcimentos às empresas pelos cortes de geração até fim de 2025 será regulamentada ao longo deste ano, de forma que a CPFL poderá reconhecer esses valores no balanço ainda em 2026.
Já a transmissão de energia vai se manter como um foco de crescimento, disse ele, recebendo R$ 4,5 bilhões em investimentos até 2030 e como aposta da empresa em nos leilões previstos para este ano.
“Tem algumas outras oportunidades que vão vir nesses próximos leilões que possivelmente casam com a nossa estratégia de crescimento”, apontou o CEO da CPFL, acrescentando que a companhia geralmente busca projetos que envolvam redes menores com tensões mais baixas.