CPI dos EUA deve registrar alta em fevereiro, mesmo antes da guerra com o Irã
Os preços ao consumidor nos Estados Unidos devem ter subido em fevereiro, impulsionados pelo aumento da gasolina em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. Com a guerra pressionando os preços do petróleo, espera-se que a inflação continue em alta em março.
O avanço do índice de preços ao consumidor (CPI) do mês passado também reflete o efeito ainda gradual das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, originalmente autorizadas por lei de emergência nacional e posteriormente derrubadas pela Suprema Corte dos EUA.
Apesar disso, o relatório do Departamento do Trabalho, a ser divulgado nesta quarta-feira, deve mostrar que as pressões subjacentes sobre os preços cresceram apenas de forma moderada, apoiadas por veículos usados e tarifas aéreas relativamente mais baixas.
A leitura de fevereiro provavelmente não terá impacto imediato sobre a política monetária, já que o Federal Reserve deve manter a taxa de juros na próxima semana.
“É provável que o índice de fevereiro mostre que o progresso na redução da inflação está novamente estagnado”, afirma Sarah House, economista sênior do Wells Fargo. “Embora o conflito no Oriente Médio tenha começado no final de fevereiro, os preços do petróleo e da gasolina já estavam subindo em antecipação à escalada.”
Segundo pesquisa da Reuters com economistas, o CPI deve registrar alta de 0,3% em fevereiro, ante 0,2% em janeiro, com estimativas variando entre 0,1% e 0,3%. No acumulado de 12 meses até fevereiro, a expectativa é de avanço de 2,4%, repetindo o resultado de janeiro, já descontando os efeitos das leituras elevadas do ano passado.
O banco central americano acompanha o índice de preços PCE para sua meta de inflação de 2%. Economistas estimam que os preços da gasolina subiram cerca de 0,8% no mês, depois de duas quedas consecutivas.
Desde o início do conflito entre EUA, Israel e Irã no final de fevereiro, o preço médio da gasolina nos Estados Unidos subiu mais de 18%, chegando a US$ 3,54 por galão, segundo dados da associação de defesa dos motoristas AAA.