Raízen (RAIZ4) protocola pedido de recuperação extrajudicial para negociar dívidas de R$ 65 bi
A Raízen (RAIZ4), joint venture entre Cosan e Shell, entrou com pedido de recuperação extrajudicial para suspensão por 90 dias o pagamento de dívidas que somam cerca de R$ 65 bilhões. O pedido foi protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo na noite desta terça-feira (10).
A medida permite que a empresa renegocie parte de suas obrigações diretamente com credores, fora da Justiça, em busca de mais prazo ou melhores condições de pagamento, evitando riscos mais graves, como a falência.
Segundo fato relevante enviado à CVM, a recuperação extrajudicial foi estruturada de forma consensual com os principais credores quirografários, que detêm mais de 47% das dívidas, um percentual suficiente para dar andamento ao processo e garantir apoio relevante à reestruturação.
A empresa tem até 90 dias para ampliar a adesão e homologar o plano.
O plano, porém, não abrange dívidas com clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros essenciais, cujos contratos seguem válidos e em execução normal.
Entre as medidas previstas na reorganização financeira estão capitalização por acionistas, conversão de parte da dívida em participação acionária, substituição de créditos por novos títulos, reorganização societária e venda de ativos.
Ainda na terça-feira, a Moody’s rebaixou o rating corporativo da Raízen de “Caa1” para “Caa3”, com perspectiva negativa, refletindo o aumento do risco financeiro da companhia.
O pedido da Raízen é o maior atualmente em curso no Brasil e coincidiu com a entrada do GPA (PCAR3) em recuperação extrajudicial, buscando renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas.
Entenda a crise da Raízen
A decisão da Raízen ocorre após um período de pressão sobre suas contas, marcado pelo crescimento do endividamento e desafios operacionais.
O grupo, que atua na produção de açúcar e etanol e na distribuição de combustíveis, viu sua dívida líquida subir para R$ 55,3 bilhões ao final de dezembro. O aumento é resultado de investimentos elevados, condições climáticas desfavoráveis e incêndios florestais que afetaram a colheita e reduziram os volumes de moagem.
Até o terceiro trimestre do ano fiscal 2025/26, a empresa acumulou prejuízo de R$ 15,6 bilhões, influenciado por um ajuste contábil de R$ 11 bilhões.
Executivos da companhia afirmaram, em teleconferências recentes, que a estratégia atual busca retomar o foco nas atividades centrais — produção de açúcar e etanol e distribuição de combustíveis e lubrificantes — e reduzir operações e ativos considerados não essenciais.