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Criptoeconomia e instabilidade

20/09/2018 - 9:25

Por Jamil Civitarese/Investing.com

Recentemente cruzei com uma curiosa vaga de emprego: economista/especialista em governança na 0x. Para quem não conhece, esse é um protocolo que facilita trocas de tokens na blockchain da Ethereum. Sua aplicação mais imediata são diversos projetos de exchanges descentralizadas em tokens ERC20. O projeto emite um criptoativo, o ZRX, relativamente líquido e de considerável capitalização de mercado, mostrando a importância do projeto.

Há que se comemorar que o design de mecanismos/incentivos, uma das áreas mais bonitas da microeconomia aplicada, esteja sendo aplicado no desenho de aplicações criptoeconômicas. A modelagem econômica pode antecipar corretamente problemas ainda não revelados pelos dados se bem desenhada. Um famoso caso na macroeconomia é o da relação entre inflação e desemprego, a chamada Curva de Philips, que Milton Friedman criticou e reajustou, indicando que as políticas anteriormente feitas eram inflacionárias. Isso não era fácil de capturar nos dados, porém a tese de Friedman se mostrou correta posteriormente.

A utilização de boa teoria econômica nos criptoativos é fundamental muito porque os dados ainda relutam em contar algumas histórias ou, pior, a história muda muito rapidamente. Por exemplo, o que explica a volatilidade diária no uso do Bitcoin? Há épocas onde aparentemente as transações são mais ou menos variáveis, e isso parece se relacionar com o nível de preços, atenção dada à moeda e alguma sazonalidade. Há problemas econométricos em se integrar esse tipo de dados. Mesmo a modelagem dessa volatilidade apresenta desafios: há instabilidade nos parâmetros. Em outras palavras, não há um único modelo que explique toda a trajetória dos dados desde 2010.

Nesse caso, os choques na adoção da moeda podem ficar obscurecidos se pensados puramente em termos de dados, porém a intuição econômica pode vir complementar essas análises. A alta de preços, por exemplo, pode ser relacionada a maiores compras e vendas de ativos: há entrantes no mercado pela alta e investidores antigos saindo por já terem realizados seus ganhos. Nesse caso, proxies relacionados a transações são uma medida que captura a urgência de entrada e saída, sendo uma alternativa para a modelagem. Podemos ver que pensar economicamente o problema trouxe não somente uma variável nova e mais tratável, mas também intuições que eventualmente podem ser transformadas em design criptoeconômico. Essa dinâmica das transações, por exemplo, fez recentemente Vitalik Butherin da Ethereum cogitar preço fixo de GAS em sua rede.

Infelizmente, a evolução de projetos que lidam com incentivos econômicos passa por uma compreensão melhor da economia. Não costumo pensar que economistas são tão importantes ao lidar com inovações, afinal muito do que fazemos, ao menos na macroeconomia, são previsões erradas. Entretanto, nas recentes mudanças, como Google (NASDAQ:GOOGL), Uber e AirBnB, há equipes de economistas brilhantes trabalhando continuamente em teoria dos leilões e incentivos. A criptoeconomia não é muito diferente e essa profissionalização de protocolos na questão dos seus incentivos é um sinal desejável de maturidade.

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Última atualização por Gustavo Kahil - 19/09/2018 - 22:43

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