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Criptomoedas, pirâmides e lavagem de dinheiro: o que mudou no mercado brasileiro de ativos digitais

29 maio 2026, 10:30 - atualizado em 28 maio 2026, 14:30
Crimes com criptomoedas (Imagem: gerada pelo ChatGPT em 28/05/26)
Crimes com criptomoedas (Imagem: gerada pelo ChatGPT em 28/05/26)

Associar criptoativos e criptomoedas automaticamente a golpes financeiros, pirâmides ou lavagem de dinheiro já não reflete a realidade do mercado brasileiro.

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Embora esse tipo de percepção tenha se consolidado nos primeiros anos do setor, impulsionada pela ausência de regras claras, pela atuação de empresas sem governança e pelo uso indevido da tecnologia por organizações criminosas, o mercado evoluiu de forma significativa nos últimos anos.

Hoje, o Brasil vive um processo consistente de institucionalização do mercado de ativos digitais. O país avançou na construção de um marco legal para os ativos virtuais, definiu o Banco Central como regulador do setor e iniciou uma agenda regulatória que deve elevar significativamente os padrões de supervisão, governança e compliance das empresas que atuam nesse segmento.

A partir de outubro deste ano, todas as corretoras que desejarem operar no Brasil precisarão protocolar seus pedidos de autorização junto ao Banco Central.

Na prática, isso significa um ambiente cada vez mais rigoroso em relação à identificação de clientes, prevenção à lavagem de dinheiro, monitoramento de operações suspeitas, segregação patrimonial, gestão de riscos e controles internos.

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Esse avanço regulatório ajuda justamente a separar empresas comprometidas com boas práticas das estruturas fraudulentas que historicamente tentaram se aproveitar da falta de informação sobre ativos digitais.

Crimes com criptomoedas não são novidade

É importante entender que pirâmides financeiras não surgiram com a tecnologia blockchain. Ao longo das décadas, diferentes modelos fraudulentos já utilizaram imóveis, bois, consórcios, forex, milhas e marketing multinível como narrativa para atrair investidores.

Mais recentemente, as criptomoedas passaram a ser utilizados da mesma forma. O problema, portanto, não está na tecnologia, mas no modelo fraudulento de captação.

O mesmo vale para crimes financeiros. Toda infraestrutura financeira pode ser utilizada de maneira indevida. Mas existe uma diferença importante quando falamos de blockchain: trata-se de uma tecnologia altamente rastreável, transparente e auditável.

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Diferentemente do dinheiro em espécie, as transações em blockchain ficam registradas permanentemente em redes públicas e podem ser monitoradas por ferramentas especializadas de análise on-chain.

Esse rastro digital tem se tornado cada vez mais relevante para investigações financeiras no Brasil e no mundo.

A própria evolução das operações policiais demonstra isso. Em 2025, a Polícia Federal registrou apreensões recordes de criptomoedas e criptoativos ligados a crimes, superando R$ 71 milhões.

Esse dado não evidencia uma fragilidade da tecnologia, mas o fortalecimento da capacidade técnica das autoridades brasileiras no rastreamento de ativos digitais.

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Dados provam que cripto não é vilã da história

Os dados globais também ajudam a contextualizar o debate. A Chainalysis, referência mundial em análise de blockchain, estima que menos de 1% das transações cripto globais sejam classificadas como ilícitas.

Já estimativas da ONU e do FMI apontam que entre 2% e 5% do PIB global é lavado anualmente por meio do sistema financeiro tradicional, utilizando dinheiro em espécie, empresas de fachada e estruturas convencionais.

Isso não significa ignorar riscos. Significa reconhecer que o combate a crimes financeiros depende de regulação, supervisão, inteligência e cooperação institucional — independentemente da tecnologia utilizada.

Nesse contexto, o setor também vem ampliando sua cooperação com Banco Central, CVM, Receita Federal, Coaf e demais autoridades envolvidas na implementação das regras do mercado de ativos virtuais.

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Hoje já existem códigos de autorregulação, mecanismos de identificação de clientes, monitoramento transacional, comunicação de operações suspeitas e integração crescente com estruturas de supervisão e inteligência financeira.

Paralelamente, empresas do setor têm investido de forma cada vez mais robusta em ferramentas de monitoramento on-chain, análise de transações em tempo real e identificação de movimentações suspeitas integradas a sistemas globais de compliance.

Em muitos casos, essas soluções permitem rastrear recursos e identificar conexões com carteiras associadas a atividades ilícitas antes mesmo da conclusão da movimentação financeira.

O amadurecimento do mercado brasileiro de ativos digitais passa justamente por essa combinação entre regulação equilibrada, supervisão eficiente, cooperação institucional e educação financeira.

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Os maiores riscos ao consumidor hoje frequentemente estão associados à desinformação e à atuação de agentes fora do ambiente regulado. Por isso, o fortalecimento das regras e da supervisão deve ser visto não como obstáculo à inovação, mas como condição essencial para a consolidação de um mercado mais seguro, transparente e sustentável.

O setor de ativos digitais no Brasil ainda está em construção, mas o movimento de institucionalização observado nos últimos anos é consistente e irreversível. O desafio agora é aprofundar mecanismos de proteção ao consumidor, integridade de mercado e prevenção a crimes financeiros sem perder de vista o potencial de inovação que a tecnologia blockchain oferece para a economia digital.

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Diretora-presidente da Abcripto
Diretora-Presidente da Abcripto (gestão 2026-2029), também atua como Consultora de International Policy LATAM para a Coinbase e de Regulação para a Regdoor. Com dez anos de trajetória em Public Affairs, acumulou experiência estratégica nos setores público e privado, com passagens por grandes players de tecnologia como Bitso, Rappi e Movile. É especialista em relações governamentais, análise política e avaliação de políticas públicas. Possui formação executiva pela University of Oxford, graduação em Políticas Públicas pela Universidade Federal do ABC e extensão pela University of California at Berkeley.
Diretora-Presidente da Abcripto (gestão 2026-2029), também atua como Consultora de International Policy LATAM para a Coinbase e de Regulação para a Regdoor. Com dez anos de trajetória em Public Affairs, acumulou experiência estratégica nos setores público e privado, com passagens por grandes players de tecnologia como Bitso, Rappi e Movile. É especialista em relações governamentais, análise política e avaliação de políticas públicas. Possui formação executiva pela University of Oxford, graduação em Políticas Públicas pela Universidade Federal do ABC e extensão pela University of California at Berkeley.
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