CSN (CSNA3) lidera perdas do Ibovespa com tombo de 9%; Vale (VALE3) também cai forte
A CSN (CSNA3) liderava as perdas do Ibovespa nesta sexta-feira (5), em um dia de forte pressão sobre as empresas ligadas a commodities metálicas. A companhia siderúrgica chegou a despencar quase 9%, enquanto a Vale (VALE3) também figurava entre as maiores quedas do principal índice da bolsa brasileira.
Por volta das 16h37, as ações da CSN recuavam 9,58%, negociadas a R$ 6,04. No acumulado de 2026, os papéis já registram desvalorização superior a 30%. Já a Vale caía 3,96%, cotada a R$ 78,57, embora ainda mantenha ganho de cerca de 10% no ano. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,79%.
O movimento ocorre em uma semana negativa para o mercado doméstico. O Ibovespa caminha para a oitava semana consecutiva de perdas, refletindo preocupações com o crescimento global, a trajetória dos juros e as perspectivas para a demanda por matérias-primas.
A principal pressão sobre o setor vem do minério de ferro. Na madrugada desta sexta-feira (5), a commodity fechou em queda de aproximadamente 0,9% na bolsa de Dalian, na China. Mais do que o recuo pontual, investidores seguem atentos aos fundamentos do mercado.
Segundo Felipe Sant’Anna, especialista da Axia Investing, o cenário continua marcado por sinais de excesso de oferta. Os estoques chineses permanecem elevados, enquanto os embarques de minério do Brasil e da Austrália seguem próximos dos maiores níveis observados nos últimos anos.
A combinação de oferta abundante e dúvidas sobre o ritmo da recuperação econômica chinesa tem reduzido o otimismo em relação aos preços da commodity. Para a Vale, altamente dependente do minério de ferro para geração de caixa, qualquer mudança nas expectativas costuma ter impacto imediato sobre as ações.
No caso da CSN, a pressão é ainda maior. Além da queda do minério, investidores acompanham de perto os esforços da companhia para reduzir seu endividamento. O mercado monitora especialmente o processo de venda da divisão de cimentos, considerado um dos principais caminhos para acelerar a desalavancagem do grupo.
Segundo informações divulgadas pelo Pipeline, a disputa pelos ativos entrou em uma fase decisiva. Entre os potenciais compradores que permanecem na corrida estariam as chinesas Huaxin e Sinoma, a italiana Italcementi e a brasileira Votorantim. O prazo para apresentação das propostas vinculantes foi definido para 7 de agosto.
O cenário externo também contribui para o desempenho negativo das ações. Dados recentes do mercado de trabalho dos Estados Unidos reforçaram as incertezas sobre os próximos passos da política monetária americana, enquanto as tensões geopolíticas no Oriente Médio continuam no radar dos investidores.
Com isso, o apetite por risco diminuiu nos mercados globais, pressionando bolsas e commodities e ampliando as perdas de empresas ligadas ao ciclo econômico, como CSN e Vale.