CSN (CSNA3): Safra responde se venda da CSN Cimentos é a solução para ‘abacaxi’ das dívidas
A CSN (CSNA3) corre para vender parte dos ativos com um objetivo claro: reduzir a dívida bilionária, que hoje gira em torno de R$ 40 bilhões. Enquanto isso não acontece, as agências de classificação de risco apertam o cerco. Nas últimas semanas, pelo menos duas — Moody’s e Fitch — rebaixaram o rating da companhia.
Um dos principais alvos é a venda de participação na CSN Cimentos. Segundo o Estadão, o grupo J&F, que vem avançando em infraestrutura, estaria interessado no ativo. O valor em discussão giraria em torno de R$ 10 bilhões, mais da metade do pretendido pela CSN, de R$ 16 bilhões a R$ 18 bilhões.
Analistas comemoram a notícia. Segundo Ricardo Monegaglia, a operação pode acelerar a desalavancagem e reforçar a liquidez — dois pontos sensíveis destacados pelas agências.
Em 2024, a CSN Cimentos registrou R$ 2,9 bilhões em dívida líquida.
Pelos cálculos do Safra, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da divisão pode alcançar cerca de R$ 1,5 bilhão em 2026, o que implicaria um múltiplo EV/Ebitda (valor da firma sobre resultado operacional) de aproximadamente 6,7 vezes, considerando a avaliação de R$ 10 bilhões — patamar alinhado ao de outras empresas do setor na América Latina.
Resolve o problema?
Para o Safra, a venda de 60% da CSN Cimentos, a um EV de R$ 10 bilhões, poderia gerar cerca de R$ 4,3 bilhões em caixa para a CSN — o equivalente a aproximadamente 12% da dívida líquida estimada para o fim de 2025.
O valor seria suficiente para cobrir as amortizações no mercado de capitais previstas entre 2026 e 2027.
No entanto, há um ponto de atenção: existem R$ 8,1 bilhões em vencimentos previstos para 2028. Assim, segundo o banco, a companhia ainda precisará adotar medidas adicionais de desalavancagem.
As agências reforçam essa preocupação. Segundo a Moody’s, ‘A menos que a CSN acelere a desalavancagem por meio de venda de ativos, redução de capex ou pagamento proativo da dívida, os indicadores de crédito e a geração de caixa livre serão mais compatíveis com uma classificação inferior’.
No quesito liquidez, a Moody’s avalia que o nível atual é adequado no curto prazo, mas alerta que a queima de caixa e as futuras necessidades de refinanciamento elevam o risco no médio prazo.
A CSN encerrou o período com R$ 16,5 bilhões em caixa consolidado, dos quais R$ 13,6 bilhões estão concentrados na subsidiária de mineração.
‘A maior parte das necessidades de refinanciamento futuras está ligada à dívida bancária, e o próximo vencimento relevante de bonds ocorre em 2028. No entanto, com a atual queima de caixa, o risco de refinanciamento aumentou’, destaca a agência.