Curva de juros já precifica fim de cortes na Selic
O fim do ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, já está precificado na curva de juros futuros, em meio a reavaliação de cenários de grandes players do mercado.
Na última semana, o Itaú BBA elevou a projeção da Selic terminal de 2026 de 13,25% para 13,75%, considerando que o comportamento recente dos dados macroeconômicos e a piora da inflação global não abrem espaço para aceleração do afroxamento monetário pelo Banco Central, mesmo com alguma acomodação dos preços de petróleo.
A XP Investimentos e o Barclays também subiram a estimativa da taxa básica de juros de 13,75% para 14% em dezembro deste ano. O BTG Pactual, por sua vez, revisou a estimativa da Selic de 13% para 14,25%.
Ou seja, os agentes financeiros veem pouco espaço para a redução dos juros no Brasil e parte do mercado já trabalha com a possibilidade de que a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em 17 de junho, marque o último corte nos juros em 2026.
Na última quarta-feira (3), a curva de juros futuros fechou próxima das máximas do ano nos vértices curtos e intermediários, em um cenário dividido entre um corte de 25 pontos-base na Selic em junho e manutenção da taxa em 14,50%. Na sessão anterior, a curva apontava 70% de probabilidade de corte e 30% de Selic estável.
Para as decisões seguintes, a curva não precificava mais cortes e uma taxa média de 14,30%. Vale notar que as taxas de Depósito Interfinanceiro (DIs) voltaram a operar acima de 14% em todos os vértices desde o início da semana.
Diante desse cenário, algumas casas de análise têm zerado posições aplicadas em juros em meio a mudança de cenários, tanto externo quanto doméstico.
Em carta mensal divulgada no início da semana, a Occam revelou que zerou as apostas na queda das taxas de juros futuros, diante da “deterioração dos fundamentos que sustentavam o ciclo de afrouxamento monetário”.
Já em relatório divulgado na última terça-feira (2), o BTG Pactual afirma que a mudança nas expectativas reflete a deterioração dos fundamentos inflacionários e aumento da assimetria de riscos, citando um ambiente marcado por “múltiplos choques de oferta e expectativas já desancoradas”.
“Desde a última decisão do Copom, o cenário se deteriorou de forma relevante: (i) a inflação corrente veio mais alta e com composição desfavorável; (ii) os indicadores de atividade, mercado de trabalho e crédito seguem sem evidências claras de arrefecimento; e (iii) as expectativas, inclusive para 2028, pioraram”, afirma o relatório.
“Ao mesmo tempo, o balanço de riscos para a inflação tornou-se significativamente mais assimétrico, com a persistência do choque de petróleo, riscos relacionados às cadeias globais de produção, El Niño forte e possível fim da escala 6×1”, acrescenta.
Além disso, na avaliação da equipe de macroeconômica do UBS BB, o elevado nível do prêmio de prazo carrega componente predominantemente doméstico.
“O mercado segue exigindo prêmio adicional relevante para carregar duration brasileira em horizontes longos, refletindo dúvidas sobre a trajetória fiscal futura e sobre a capacidade de estabilização da dívida pública ao longo do tempo”, escreveu a equipe em relatório recente.
Além da curva de juros
O mercado de opções digital da B3 também já aponta para o fim do ciclo de corte nos juros pelo Copom em dezembro.
Na última atualização, na quarta-feira (3), as opções do Copom negociadas precificavam 71% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic na próxima decisão, contra 27% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50% e menos de 1% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.
Já para a reunião seguinte, em agosto, a aposta majoritária era de manutenção da taxa Selic, com 59% de probabilidade. A chance de corte de 25 pontos-base era de 32,50%. Para setembro, a probabilidade de taxas inalteradas era de 72%.