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Banco Master: Travessia disputa créditos do Credcesta e B3 fala em “índicios consistentes” de duplicidade

20 jul 2026, 18:35 - atualizado em 20 jul 2026, 19:51
Banco Master
(Imagem: Divulgação)

Uma disputa sobre a titularidade de créditos originados pelo Credcesta, cedidos pelo Banco Master e que lastreiam a 8ª emissão de debêntures da Travessia Securitizadora resultou na B3 identificando “indícios consistentes de cessão em duplicidade” dos ativos.

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O Banco Master está em liquidação extrajudicial desde novembro de 2025, sob condução de um liquidante nomeado pelo Banco Central.

A identidade do outro participante do mercado que reivindica os créditos não foi divulgada. O BRB, contudo, está entre as instituições que adquiriram do Banco Master carteiras de recebíveis originadas pela Credcesta — produto que também deu origem aos créditos utilizados como lastro da emissão da Travessia. Até o momento, porém, não há indicação de que os contratos objeto da disputa sejam os mesmos adquiridos pelo banco.

Na última sexta,, foi noticiado que a Quadra Capital e o BRB desistiram de conitinuar a negociação de carteiras de crédito herdadas do Master pelo banco estatal e que somavam mais de R$ 15 bilhões. A venda podia render até R$ 4 bilhões era um dos passos mais esperados na reestruturação da instituição financeira, muito impactada pelo Master.

A Travessia diz que tomou conhecimento, durante reunião com o liquidante, de que determinados contratos vinculados à emissão passaram a ser alvo de uma disputa de titularidade. Em outras palavras, outro participante do mercado afirma ter recebido a cessão dos mesmos créditos utilizados como garantia das debêntures e registrou a operação na CERC, entidade responsável pelo registro de ativos financeiros.

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Após analisar a documentação apresentada pela securitizadora, a B3 concluiu haver indícios consistentes de cessão em duplicidade da carteira. A Travessia, porém, afirma que seu registro foi realizado antes daquele feito em favor do outro cessionário e, por isso, sustenta que é a legítima titular dos créditos.

A companhia informou ainda que procurou a CERC, que teria confirmado a regularidade do registro realizado em seu favor. Também apresentou à B3 contratos e termos de cessão, aditamentos, registros na CERC e relatórios de auditoria independente para comprovar sua titularidade sobre os ativos.

Documentos societários mostram que a 8ª emissão de debêntures foi aprovada no fim de 2023 com valor total de até R$ 1 bilhão. A operação foi estruturada com uma única série de debêntures lastreadas em direitos creditórios cedidos pelo Banco Master. A Vórtx atua como agente fiduciário da emissão, enquanto a PKL One Participações figura como interveniente no contrato de cessão.

A PKL One é a controladora da Credcesta, fintech de crédito consignado cujo acionista majoritário é Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. A empresa oferece crédito consignado por meio de cartão com desconto em folha para servidores públicos, modalidade que gera recebíveis passíveis de securitização, e investigações apontam que ela foi usada na criação de carteiras fantasmas.

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O valor de R$ 1 bilhão corresponde ao limite aprovado para a emissão e não necessariamente ao montante efetivamente colocado no mercado ou ao saldo atual da carteira de créditos. Não há informação de quantos contratos estão em disputa e o valor dos créditos potencialmente afetados.

A Travessia defende que continuará as tratativas com o liquidante do Banco Master, a CERC, a B3 e o Banco Central para regularizar a situação e restabelecer os repasses relacionados aos contratos contestados. A companhia também informou que adotará “todas as medidas cabíveis” para preservar os direitos dos debenturistas e a integridade dos créditos cedidos.

O caso adiciona um novo capítulo aos desdobramentos da liquidação extrajudicial do Banco Master. O documento relata indícios apontados pela B3 e informa que a disputa sobre a titularidade dos créditos segue em processo de regularização entre as partes.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br

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