Cury (CURY3) lidera momento de lucros entre construtoras, aponta BBI; confira as projeções
A prévia de resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) reforçou o bom momento da Cury (CURY3) em relação a outras construtoras, segundo relatório publicado pelo Bradesco BBI.
De acordo com os analistas Bruno Mendonça e Wellington Lourenço, que assinam o documento, a companhia, que é focada em habitação popular, deve apresentar uma forte expansão de lucros entre 2026 e 2027, na casa de 19%, acompanhada de um dividend yield próximo de 8% no período.
“A Cury apresenta o melhor momentum de lucros no curto prazo. Em termos de números, nossa prévia do 4T25 indica que a empresa deve ser o destaque do setor [na temporada de balanços]”, escreveram.
A expectativa do BBI é de que a construtora registre lucro líquido de R$ 259 milhões entre outubro e dezembro passados, com crescimento anual de 56%, 4% acima do consenso e margens estáveis em torno de 40%.
A empresa divulgará seu balanço do 4T25 no próximo dia 10 de março.
Cyrela, Eztec e Plano&Plano
Os analistas também atualizaram as estimativas para as construtoras sob cobertura, incorporando dados operacionais do último trimestre e novas projeções macroeconômicas.
Como resultado, reduziram as projeções de lucro líquido para 2026 e 2027 em 8% para Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3), que são do segmento de média e alta renda, e em 10% para Plano&Plano (PLPL3), voltada à habitação popular.
Na avaliação do BBI, a Cyrela deve apresentar lucro ajustado de R$ 651 milhões no 4T25, cerca de 28% acima do consenso, enquanto a Eztec pode registrar queda anual de 9%.
No caso da Plano&Plano, a casa projeta uma compressão de margem de três pontos percentuais no ano, refletindo políticas comerciais mais agressivas.
“PLPL3 fica atrás com compressão de margem devido a políticas comerciais agressivas nas vendas do quarto trimestre, mas isso não é uma preocupação estrutural e é algo majoritariamente precificado”, apontou o relatório.
Construção civil segue dividida
A leitura do banco é de que a construção civil no Brasil permanece estruturalmente segmentada. De um lado, a habitação popular ligada ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) deve manter forte demanda ao longo de 2026, sustentada por funding do FGTS estimado em R$ 188 bilhões.
Do outro, o segmento de média e alta renda enfrenta um ambiente ainda incerto. “A desaceleração das vendas após anos de demanda resiliente, somada à menor acessibilidade ao crédito, começa a limitar a capacidade de compra dos consumidores, o que se traduz em vendas de estoque menores”, afirmou o BBI.
Ainda assim, os lançamentos seguem resilientes, o que, na avaliação da casa, deve ser suficiente para sustentar o cronograma operacional das companhias ao longo de 2026.