CVC (CVCB3) reduz prejuízo com avanço operacional, mas financeiro ainda limita virada
A CVC (CVCB3) apresentou prejuízo líquido ajustado de R$ 3,6 milhões no quarto trimestre de 2025, redução em relação ao prejuízo de R$ 12,8 milhões no mesmo período de 2024. O período foi marcado por melhora operacional, mas ainda pressionado pelo resultado financeiro.
A melhora da última linha foi sustentada principalmente pelo avanço do Ebitda (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês), mesmo em um cenário de leve retração de receita e pressão no take rate.
A receita líquida somou R$ 362,1 milhões no 4T25, queda de 1,2% na base anual.
O desempenho reflete uma dinâmica clara de mix. No Brasil, o crescimento seguiu puxado pelo B2B, com destaque para Rextur Advance e Visual Turismo, que continuam ganhando escala no corporativo. Já o B2C teve evolução mais moderada, em um ambiente de consumo ainda mais desafiador.
Na Argentina, a operação veio mais fraca no trimestre e acabou pressionando o consolidado, apesar da trajetória de recuperação ao longo do ano.
Mesmo com a queda de receita, porém, os volumes seguiram em alta.
As reservas confirmadas cresceram 6,7%, para R$ 4,3 bilhões, enquanto as consumidas avançaram 7%, para R$ 4,24 bilhões. O take rate caiu de 9,3% para 8,5%, refletindo o maior peso do B2B no mix.
“A expansão do B2B, embora positiva em termos de volume e eficiência de capital, acaba reduzindo o take rate consolidado, uma vez que esse segmento possui menor margem percentual”, indica a dinâmica operacional da companhia.
Ainda assim, a rentabilidade avançou. O Ebitda ajustado da CVC somou R$ 131,1 milhões, alta de 21,2% na comparação anual, com margem de 36,2%, avanço de 6,7 pontos percentuais.
“O ganho de margem reflete principalmente a diluição de despesas e ganhos de eficiência operacional, mesmo em um contexto de pressão de receita”, resume a leitura do trimestre.
Já o principal ponto de atenção do balanço segue no resultado financeiro, que foi negativo em R$ 83,1 milhões no 4T25, piora de 12,2% em relação ao prejuízo de R$ 74 milhões do mesmo intervalo de 2024.
A deterioração foi explicada por dois movimentos distintos. Houve uma queda forte das receitas financeiras, que passaram de R$ 29,4 milhões para R$ 6,3 milhões (-78,5%), que compensou, negativamente, um leve alívio nas despesas financeiras, que recuaram de R$ 106,8 milhões para R$ 97,8 milhões (-8,4%).
“Mesmo com melhora em encargos financeiros, o custo de funding e a menor contribuição das receitas financeiras seguem pressionando o resultado”, diz a CVC no documento publicado na noite desta quarta-feira (18).
A companhia, por fim, seguiu avançando na desalavancagem. A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 101,8 milhões, com redução na comparação trimestral, enquanto a alavancagem ficou em 0,2 vez o EBITDA, também em queda.