Empresas

Dança das cadeiras na Azul (AZUL53) e Embraer (EMBJ3): Há ganhador e perdedor?

06 abr 2026, 15:12 - atualizado em 06 abr 2026, 15:12
Azul Embraer
(Imagem: REUTERS/Denis Balibouse)

A Embraer (EMBJ3) e a Azul (AZUL53) protagonizaram uma dança das cadeiras na manhã desta segunda-feira (6). Quase ao mesmo tempo, as companhia enviaram à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) documentos anunciando a renúncia dos seus CFOs.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O detalhe é que o agora ex-CEO da Embraer, Antonio Carlos Garcia, deixou a companhia para ocupar a mesma posição na Azul.

A saída de Garcia ocorre em meio há anos de forte desempenho operacional e financeiro da fabricante de aeronaves brasileira. Justamente por isso, analistas do JP Morgan avaliam a saída inesperada do executivo como marginalmente negativa para as ações da Embraer.

O banco destaca que Garcia esteve no cargo de CFO da Embraer desde janeiro de 2020 e, juntamente com o atual CEO, Francisco Gomes Neto, teve papel fundamental na recuperação da companhia após o rompimento do acordo com a Boeing e a crise de coronavírus.

De lá para cá, o JP Morgan pontua a valorização de 213% das ações e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) saltando para US$ 890 milhões em 2025, ante US$ 182 milhões em 2019.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na leitura da equipe do banco, liderada por Marcelo Motta, Garcia busca um novo desafio profissional enquanto a Embraer passa por uma fase de “colheita”, tendo melhorado as margens e posição de caixa líquido.

A mudança, no entanto, não altera a visão positiva do banco gringo sobre a Embraer, tendo em vista as negociações em andamento nos segmentos comercial e de defesa, como as vendas esperadas do E175-E1 e do KC-390 para a Índia.

Em um primeiro momento, o CEO Francisco Gomes Neto assumirá interinamente o cargo de CFO. Analistas do Safra destacam a expectativa de que a empresa inicie, nos próximos meses, a busca por um substituto permanente, a fim de garantir a continuidade das iniciativas em andamento e das prioridades estratégicas.

A fabricante de aeronaves inclusive divulgou na última semana seu relatório de entregas do primeiro trimestre de 2026, que superou as estimativas de analistas e teve consenso positivo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na Azul, um sentimento agridoce

Enquanto na Embraer há o sentimento de perda de um executivo que participou de uma guinada relevante na companhia, para a Azul, o sentimento sobre a saída de Alexandre Malfitani é agridoce.

O JP Morgan pondera que, por um lado, o executivo é bem-visto pelos investidores, como um nome presente na companhia desde seu início, que esteve presente na condução por períodos críticos, como a pandemia de coronavírus e o recente processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11).

A equipe de analistas nota, no entanto, que a saída ocorre pouco depois da conclusão da reestruturação.

“Por outro lado, a nomeação de outro CFO de renome deverá apoiar a continuidade e facilitar uma transição tranquila. É importante salientar que não esperamos uma mudança significativa na estratégia da Azul, visto que John Rodgerson (CEO) e Abhi Shah (Presidente e CRO) permanecem nos seus cargos”, diz o JP Morgan.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na visão do Citi, após ter exercido um trabalho de reestruturação na Embraer, a ida de Antonio Garcia para a Azul sugere um mandato semelhante, à medida que a companhia aérea emerge do processo de recuperação judicial.

Em 20 de fevereiro, a Azul anunciou a conclusão de seu processo de reestruturação financeira nos Estados Unidos e saiu do Chapter 11, após cumprir todas as condições previstas no plano de reorganização.

Com o encerramento do processo, a Azul reduziu sua dívida de empréstimos e financiamentos em cerca de US$ 1,1 bilhão, cortou em aproximadamente 40% o endividamento relacionado a arrendamentos de aeronaves e diminuiu em mais de 50% os pagamentos anuais de juros em comparação com o período anterior ao Chapter 11.

A ordem na Azul após a saída do Chapter 11 é redução de alavancagem e foco em geração de caixa, de acordo com falas do CEO da aérea, John Rodgerson

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
Linkedin
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
Linkedin
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar