Dança das cadeiras na Azul (AZUL53) e Embraer (EMBJ3): Há ganhador e perdedor?
A Embraer (EMBJ3) e a Azul (AZUL53) protagonizaram uma dança das cadeiras na manhã desta segunda-feira (6). Quase ao mesmo tempo, as companhia enviaram à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) documentos anunciando a renúncia dos seus CFOs.
O detalhe é que o agora ex-CEO da Embraer, Antonio Carlos Garcia, deixou a companhia para ocupar a mesma posição na Azul.
A saída de Garcia ocorre em meio há anos de forte desempenho operacional e financeiro da fabricante de aeronaves brasileira. Justamente por isso, analistas do JP Morgan avaliam a saída inesperada do executivo como marginalmente negativa para as ações da Embraer.
O banco destaca que Garcia esteve no cargo de CFO da Embraer desde janeiro de 2020 e, juntamente com o atual CEO, Francisco Gomes Neto, teve papel fundamental na recuperação da companhia após o rompimento do acordo com a Boeing e a crise de coronavírus.
De lá para cá, o JP Morgan pontua a valorização de 213% das ações e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) saltando para US$ 890 milhões em 2025, ante US$ 182 milhões em 2019.
Na leitura da equipe do banco, liderada por Marcelo Motta, Garcia busca um novo desafio profissional enquanto a Embraer passa por uma fase de “colheita”, tendo melhorado as margens e posição de caixa líquido.
A mudança, no entanto, não altera a visão positiva do banco gringo sobre a Embraer, tendo em vista as negociações em andamento nos segmentos comercial e de defesa, como as vendas esperadas do E175-E1 e do KC-390 para a Índia.
Em um primeiro momento, o CEO Francisco Gomes Neto assumirá interinamente o cargo de CFO. Analistas do Safra destacam a expectativa de que a empresa inicie, nos próximos meses, a busca por um substituto permanente, a fim de garantir a continuidade das iniciativas em andamento e das prioridades estratégicas.
A fabricante de aeronaves inclusive divulgou na última semana seu relatório de entregas do primeiro trimestre de 2026, que superou as estimativas de analistas e teve consenso positivo.
Na Azul, um sentimento agridoce
Enquanto na Embraer há o sentimento de perda de um executivo que participou de uma guinada relevante na companhia, para a Azul, o sentimento sobre a saída de Alexandre Malfitani é agridoce.
O JP Morgan pondera que, por um lado, o executivo é bem-visto pelos investidores, como um nome presente na companhia desde seu início, que esteve presente na condução por períodos críticos, como a pandemia de coronavírus e o recente processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11).
A equipe de analistas nota, no entanto, que a saída ocorre pouco depois da conclusão da reestruturação.
“Por outro lado, a nomeação de outro CFO de renome deverá apoiar a continuidade e facilitar uma transição tranquila. É importante salientar que não esperamos uma mudança significativa na estratégia da Azul, visto que John Rodgerson (CEO) e Abhi Shah (Presidente e CRO) permanecem nos seus cargos”, diz o JP Morgan.
Na visão do Citi, após ter exercido um trabalho de reestruturação na Embraer, a ida de Antonio Garcia para a Azul sugere um mandato semelhante, à medida que a companhia aérea emerge do processo de recuperação judicial.
Em 20 de fevereiro, a Azul anunciou a conclusão de seu processo de reestruturação financeira nos Estados Unidos e saiu do Chapter 11, após cumprir todas as condições previstas no plano de reorganização.
Com o encerramento do processo, a Azul reduziu sua dívida de empréstimos e financiamentos em cerca de US$ 1,1 bilhão, cortou em aproximadamente 40% o endividamento relacionado a arrendamentos de aeronaves e diminuiu em mais de 50% os pagamentos anuais de juros em comparação com o período anterior ao Chapter 11.
A ordem na Azul após a saída do Chapter 11 é redução de alavancagem e foco em geração de caixa, de acordo com falas do CEO da aérea, John Rodgerson