Dança das cadeiras no varejo: Assaí (ASAI3), Azzas 2154 (AZZA3) e GPA (PCAR3) anunciam mudanças no alto escalão – e ações reagem
As varejistas Assaí(ASAI3), Azzas 2154 (AZZA3) e GPA (PCAR3) concentraram as atenções – e as reações – do mercado na bolsa brasileira com uma verdadeira dança das cadeiras anunciada após o fechamento do pregão de ontem (4) e o começo da sessão de hoje (5) pela manhã.
Entenda a seguir quais foram as principais movimentações e como elas afetam as empresas:
Azzas 2154 (AZZA3) e Assaí (ASAI3)
A Azzas 2154 (AZZA3) anunciou a integração das unidades de Shoes & Bags com a Basic, com saída de Rafael Sachete – que atuava como CEO da divisão de Shoes & Bags da companhia.
David Python, que então era o CEO da unidade Basic, deve assumir a unidade combinada e período de transição vai até a segunda quinzena de março deste ano.
Paralelamente, o Assaí (ASAI3) anunciou a nomeação de Sachete como diretor financeiro (CFO) da companhia, posição que era ocupada interinamente por Aymar Giglio desde abril de 2025.
Com a mudança, Giglio deve voltar a se dedicar exclusivamente à área de tesouraria da varejista.
Em reação, as ações do Assaí (ASAI3) avançam, enquanto os papéis da Azzas 2154(AZZA3) operam em queda. Por volta de 16h15 (horário de Brasília), ASAI3 registrava alta de 1,63%, a R$ 8,73; e AZZA3 caia 2,48%, a R$ 24,82 – figurando como a quinta maior queda do Ibovespa (IBOV) .
O Santander avalia a nomeação de Sachete como CFO do Assaí como “positiva”, já que a companhia traz um executivo sênior de fora da organização e “que pode contribuir com novas perspectivas para as decisões financeiras”.
Os analistas Lucas Esteves, Eric Huang e Vitor Fuziharo também destacam que Sachete “é bem conhecido no mercado e tem ampla experiência no setor de varejo”, citando a participação na operação de fusão da Arezzo com o Grupo Soma – que resultou na Azzas 2154.
O Bradesco BBI também avalia a notícia como “positiva”, “dado o histórico consistente em gestão financeira e executiva” de Sachete, mesmo considerando as diferenças entre os setores de moda e varejo alimentar.
O cargo de CFO no Assaí estava vago há 10 meses, lembraram os analistas Pedro Pinto e Flávia Meireles. A dupla ainda destacou que Aymar Giglio cumpriu a meta de alavancagem da companhia – de 2,6 vezes a dívida líquida/Ebitda – e aprimorou o perfil da dívida durante sua gestão interina.
No caso da Azzas 2154, a equipe de analistas do Santander também acredita que a integração das duas unidades de negócios está alinhada à estratégia da companhia de capturar sinergias, “principalmente porque as divisões atuam em canais de venda semelhantes, com destaque para o modelo de franquias”.
Além disso, o Bradesco BBI avalia que mais uma mudança na alta gestão tende a gerar apreensão no mercado, reforçando a percepção de que o processo de reestruturação da companhia ainda está em curso.
O movimento ainda traz uma “baixa visibilidade” sobre quando a empresa poderá “superar totalmente” o atual período de ajustes.
Com isso, os analistas do Santander e do Bradesco BBI já esperavam uma reação negativa das ações AZZA3.
“Esperamos que o mercado reaja de forma cautelosa às duas mudanças ocorrendo simultaneamente, sobretudo porque a unidade Basic ainda passa por um processo de turnaround, enquanto persistem algumas incertezas em relação ao desempenho da unidade de Shoes & Bags”, afirmaram Lucas Esteves, Eric Huang e Vitor Fuziharo do Santander.
Hora de comprar ASAI3 e AZZA3?
- Assaí (ASAI3):
| Banco/Corretora | Recomendação | Preço-alvo | Potencial de valorização* |
|---|---|---|---|
| Ágora/Bradesco BBI | Compra | R$ 13,00 | 51,34% |
| Santander | Compra | R$ 11,70 | 36,20% |
- Azzas 2154 (AZZA3):
| Banco/Corretora | Recomendação | Preço-alvo | Potencial de valorização* |
|---|---|---|---|
| Ágora/Bradesco BBI | Compra | R$ 42,00 | 65,03% |
| Santander | Compra | R$ 35,00 | 37,52% |
*potencial de valorização sobre o preço de fechamento anterior. Em 4 de fevereiro, ASAI3 encerrou cotado a R$ 8,59 e AZZA3 fechou a R$ 25,45.
GPA (PCAR3)
Na manhã desta quinta-feira (5), o GPA (PCAR3) anunciou que o conselho de administração elegeu Pedro Vieira Lima de Albuquerque para o cargo de vice-presidente executivo financeiro (CFO).
Segundo fato relevante divulgado ao mercado, a decisão foi tomada ontem e o executivo tomará posse em 1º de março.
Em reação, as ações recuam. Por volta de 16h15, PCAR3 tinha queda de 1,31%, a R$ 3,76.
O Santander também considerou o anúncio “positivo”, uma vez que a companhia preenche a posição de CFO em meio aos esforços contínuos para reduzir a alavancagem, que estava em 3,1 vezes a relação dívida líquida/Ebitda (ex-IFRS 16) ao fim do terceiro trimestre de 2025 (3T25).
O trio de analistas, Lucas Esteves, Eric Huang e Vitor Fuziharo, considera que, por outro lado, a nomeação de Pedro Albuquerque pode gerar algumas preocupações quanto à execução no curto prazo pela ausência de experiência prévia no varejo e especialmente após as diversas mudanças ocorridas no alto escalão do GPA em um curto espaço de tempo.
O banco reiterou a recomendação neutra para PCAR3 com preço-alvo de R$ 4,60 no final de 2026 – o que implica em um potencial de valorização de 20,7% sobre o preço de fechamento anterior. Ontem, as ações encerraram cotadas a R$ 3,81.