Entrevista

“O varejo está quebrando. Para empreender num país com juros quase a 15%, é inviável”, diz CEO da SmartFit (SMFT3)

14 out 2026, 7:00
CEO Smart Fit
Diogo Corona, CEO do Grupo Smart Fit (Imagem: Divulgação)

Diogo Corona assumiu a cadeira de CEO do Grupo Smart Fit (SMFT3) há oito meses, com mais de 15 anos de experiência na companhia e a criação do TotalPass no currículo. Segundo ele, assumir a posição, antes ocupada por seu pai, Edgard Corona, veio com o desafio de transformar uma empresa de academia em um ecossistema.

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Em entrevista exclusiva ao Money Times, Diogo contou sobre a mudança no peso da responsabilidade de tocar uma transformação estratégica, em meio a um cenário macroeconômico desfavorável e com o acirramento da competitividade no setor.

Em setembro, a rede de academias deu mais um passo na expansão da América Latina, com a entrada na Venezuela, local apontado pelo CEO como a lacuna que faltava preencher no mapa latino-americano da companhia.

Com a abertura da primeira unidade venezuelana, por meio do modelo de franquia, a companhia passa a estar presente em 17 países e continua avaliando oportunidades de expansão.

A entrada na Venezuela se deu através de franquias. A presença global da companhia se divide entre unidades próprias e as franqueadas, sendo que alguns locais — como Brasil — contam com uma mistura das possibilidades. Entre os critérios para definição, está o tamanho do mercado.

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Nos bastidores, a administração da companhia pondera o tamanho do mercado, ambiente macroeconômico e geopolítico de cada país antes de decidir se e como irá entrar.

Além disso, em geral, quando o país é pequeno, a companhia opta por um modelo 100% franquia. Já em países médios, a Smart Fit entra 100% com unidades próprias.

Já países grandes, o modelo optado é o misto, como Brasil e México. “O Brasil é muito grande. Fazer o Brasil inteiro com o nosso dinheiro é muito dinheiro. Então fazemos os dois ao mesmo tempo”, detalhou.

No caso da Venezuela, a Smart Fit já olhava para o mercado há algum tempo, mas era travada justamente pela instabilidade política e econômica. A percepção mudou diante da entrada de capital estrangeiro no país e da melhora do cenário econômico, colocando a Venezuela em um ambiente mais favorável aos negócios”.

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Apesar disso, o risco ainda é elevado e a entrada se deu por meio de franquias.

“Queremos entrar e colher frutos disso agora que a gente vê uma perspectiva positiva. Mas, como o nível de risco ainda é muito grande, preferimos tomar esse risco como franquia, que não tem um risco de capital”, contou ao Money Times.

“Fomos em um grande país que faltava. Você olhava até o nosso mapa que a gente mostra e tinha um buraco na Venezuela, faltava aquela peça para encaixar”, disse.

O mercado fitness

Principalmente nas redes sociais, é possível observar uma intensificação da chamada “era wellness”, pautada em bem-estar, atividades físicas e saúde. A economia global de bem-estar atingiu US$ 6,8 trilhões em 2024, segundo o Global Wellness Economy Monitor. Um prato cheio para o ecossistema da Smart Fit.

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Diogo Corona afirma que a preocupação com saúde e atividade física já segue uma trajetória de crescimento há mais de duas décadas. Na visão do executivo, a pandemia pode ter acelerado essa percepção, mas a tendência já estava em curso.

Somado a isso, ele vê a maturação do setor tornando o consumo mais sofisticado. À medida que o público se interessa mais por atividade física, surgem demandas por modalidades específicas, academias especializadas e produtos direcionados a diferentes perfis de consumidores.

“Não parece ser uma moda que a galera vai voltar depois a beber, fumar. Parece realmente ser uma coisa muito consistente, que já vinha vindo. Só que eu acho que tem os países em pontos diferentes dessa curva. Nem todo mundo está no ponto da curva que está o Brasil, Estados Unidos e Europa.”

Apesar da oportunidade, o outro lado da moeda é uma competitividade elevada, tanto com academias de bairro e outras grandes redes como a Gaviões, com apelo de funcionamento 24 horas por dia em diversas unidades, e a Panobianco, atualmente com 400 lojas abertas e com leitura do Itaú BBA de que “veio para ficar”.

Fora isso, o agregador TotalPass tem no WellHub uma forte concorrente em uma outra frente do negócio.

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No caminho para concretizar o ecossistema e conversar com um público que busca um estilo de vida pautado em bem-estar, a Smart Fit anunciou recentemente acordo para adquirir participação no Buddha Spa, rede que já é parceria do grupo por meio do TotalPass.

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Peso dos juros

Diogo Corona assumiu a Smart Fit em um cenário macroeconômico complexo, de juros elevados. Segundo ele, esse fator é o principal externo que afeta a rede hoje.

A lógica por trás é simples. Do lado da empresa, juros elevados aumentam o custo de capital e a rentabilidade exigida para novos investimentos, além de exigirem maior cautela na gestão da dívida. Já do lado do consumidor, o endividamento restringe a renda destinada para atividades de maior custo e consideradas não essenciais.

“O que mais nos afeta é a questão de juros. Eu não me lembro de ter visto o varejo sofrendo tanto. Cada vez que a gente abre o jornal, vê uma rede quebrando”, diz Corona sobre o cenário atual do varejo brasileiro.

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“O varejo está quebrando […] Para empreender num país com juros quase a 15%, é inviável. Porque você tem que investir dinheiro que dê mais retorno que 15%. Como você vai fazer isso? É superdifícil”, pondera.

Na realidade da Smart Fit, o cenário colocou a cautela e diligência no centro das tomadas de decisões de investimentos e expansões.

Uma Smart Fit mais complexa

De acordo com Corona, a Smart Fit que começou apenas como uma rede de academias hoje se transformou em algo muito mais complexo ao reunir academias próprias, franquias, estúdios próprios com outras atividades físicas e o TotalPass.

Adicionando mais uma dose de complexidade na gestão do negócio, os modelos que a companhia opera mudam de acordo com cada local.

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Enquanto no Brasil há uma mistura de operações próprias, franquias, marcas próprias e TotalPass, outras geografias contam apenas com unidades da academia. Na prática, o ecossistema abre um arsenal de possibilidades, que a administração da companhia precisa selecionar de acordo com cada passo de expansão que dá.

“Em algumas geografias operamos com esse modelo mais de ecossistema, agregador. Tudo que eu falei das três verticais não está presente em todos os países. Todos os países têm Smart Fit. Os estúdios estão mais no Brasil, e o TotalPass está no Brasil e México. Então você tem múltiplos negócios e múltiplas geografias”, diz o executivo.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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