Comprar ou vender?

De ‘patinho feio’ à líder do Ibovespa: o que levou a Ultrapar (UGPA3) a subir mais de 100%; ainda vale entrar?

20 jul 2026, 11:30 - atualizado em 20 jul 2026, 11:31
ultrapar
(Imagem: Youtube/Ipiranga)

Depois de anos negociando com desconto em relação aos pares, a Ultrapar (UGPA3) vive um dos momentos mais favoráveis de sua história recente na Bolsa. As ações da companhia acumulam valorização de 51,58% em 2026, liderando os ganhos do Ibovespa até esta segunda-feira (20), e avançam mais de 100% nos últimos 12 meses, renovando máximas históricas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O movimento reflete uma mudança significativa na percepção do mercado sobre a dona da Ipiranga, Ultragaz e Ultracargo. Se antes a companhia era vista com cautela por conta da baixa rentabilidade da operação de distribuição de combustíveis, hoje bancos e investidores enxergam uma empresa com margens recordes, forte geração de caixa, baixa alavancagem e espaço para remunerar os acionistas com dividendos e recompra de ações.

A valorização recente, inclusive, levou investidores de longo prazo a realizar lucros. O Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) zerou sua participação de cerca de 4% na Ultrapar em um block trade de R$ 1,3 bilhão na B3. O fundo havia montado posição na companhia em 2021, quando as ações negociavam perto de R$ 15. Agora, decidiu vender os papéis com a cotação acima dos R$ 30, motivados pela forte valorização dos ativos para realocar recursos em outros investimentos no Brasil.

O que mudou na Ultrapar?

Grande parte da reprecificação da Ultrapar passa pela recuperação da Ipiranga, principal operação da companhia. Nos últimos trimestres, a distribuidora passou a operar com margens muito acima da média histórica, impulsionada por um ambiente mais favorável na distribuição de combustíveis.

Os analistas destacam que fatores como a maior disciplina competitiva entre as distribuidoras, a formalização do setor e a dinâmica do mercado de diesel permitiram uma expansão consistente da rentabilidade. O diesel importado continua sendo negociado com prêmio relevante em relação aos preços praticados pela Petrobras, sustentando margens elevadas para a companhia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Além da melhora operacional, a Ultrapar passou a gerar caixa em um ritmo muito superior ao observado nos últimos anos. A forte geração de fluxo de caixa acelerou a desalavancagem da empresa, reduzindo a necessidade de priorizar o pagamento de dívida e abrindo espaço para uma política mais agressiva de retorno ao acionista.

Outro fator que ajudou a destravar valor foi o desaparecimento de riscos que preocupavam o mercado. Entre eles estão a desistência da companhia em relação à aquisição de uma participação na Rumo (RAIL3), eliminando dúvidas sobre alocação de capital, e a suspensão, pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), da proposta de mudanças no mercado de GLP, preservando a elevada rentabilidade da Ultragaz.

Bancos reforçam aposta na companhia

A melhora dos fundamentos também provocou uma mudança na visão das principais casas de análise.

Recentemente, o Bank of America (BofA) elevou a recomendação da Ultrapar de neutra para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 34 para R$ 37. Para o banco, os resultados do segundo trimestre devem funcionar como um importante catalisador, impulsionados por margens recordes da Ipiranga e forte geração de caixa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O BofA também avalia que, sem grandes aquisições no horizonte e com um balanço desalavancado, a companhia está em posição confortável para elevar o pagamento de dividendos e ampliar programas de recompra de ações.

O BTG Pactual segue a mesma linha. Em relatório de prévia para o segundo trimestre (2T26), o banco estima um Ebitda consolidado de aproximadamente R$ 3,3 bilhões, sustentado principalmente pela força da Ipiranga, além de projetar fluxo de caixa livre robusto e continuidade do bom momento operacional nos próximos meses.

Apesar de reconhecer que a ação já “não é mais uma barganha”, o BTG mantém recomendação de compra por acreditar que a combinação entre lucros elevados, geração de caixa, baixa alavancagem e potencial de dividendos continua justificando a tese.

O J.P Morgan também permanece otimista. O banco afirma que o mercado ainda subestima a capacidade de a Ultrapar sustentar margens mais elevadas na distribuição de combustíveis e projeta cerca de R$ 2,8 bilhões em dividendos em 2026.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na avaliação dos analistas, a companhia reúne uma combinação rara de forte disciplina financeira, geração de caixa e baixa alavancagem, fatores que devem continuar sustentando o interesse dos investidores.

Depois de dobrar de valor em um ano, a pergunta do mercado já não é mais o que provocou o rali da Ultrapar, mas se a companhia ainda conseguirá entregar resultados capazes de justificar uma nova rodada de valorização. Pelo menos por enquanto, os analistas acreditam que sim.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar