Desktop (DESK3) dispara até 25% na B3 após anúncio de compra pela Claro; veja o que agradou analistas
As ações da Destktop (DESK3) abriram o pregão desta segunda-feira (23) em disparada, em reação ao anúncio de que a Claro comprou 73,01% do capital social da companhia, por R$ 2,414 bilhões.
O documento indica que a fatia comprada pela Claro representa 84.684.273 ações ordinárias, vendidas por Makalu Brasil Partners I J, Denio Alves Lindo, Mucio Camargo de Assis Filho, Marcos Camargo de Assis e José Carlos Franco Júnior, acionistas majoritários da empresa.
A conclusão da operação ainda depende de condições usuais a esse tipo de negócio, principalmente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).
Por volta de 10h30 (horário de Brasília), as ações DESK3 saltavam 24,10%, cotadas a R$ 17,87. Acompanhe o tempo real. Na máxima do dia, até a publicação desta matéria, o salto chegou a 25%.
Se a operação se concretizar, a Claro deverá lançar uma oferta pública obrigatória para adquirir a participação dos minoritários e retirá-la da bolsa.
A Desktop estreou na B3 em 2021 com captação de R$ 715 milhões. Desde a abertura de capital, as ações perderam mais de metade do valor — vale dizer, até antes do salto de hoje. Atualmente, a empresa é avaliada em pouco mais de R$ 2 bilhões após a disparada das ações.
Na visão do BTG Pactual, o prazo para o fechamento da transação é bastante incerto, tendo em vista o grau de sobreposição de participação de mercado entre as empresas nas cidades em que atual. Além disso, o banco destaca que não haverá ajuste do preço pelo CDI.
“Isso torna a operação menos atrativa para fundos de arbitragem e deve levar a ação a negociar com um desconto maior em relação ao preço final da oferta, comparado a transações mais simples. Ainda assim, como já observado no 4T25, esperamos que a Desktop priorize fortemente a geração de caixa, o que pode ajudar a elevar o preço final”, ponderam os analistas.
O banco tem recomendação de compra para a Desktop, com preço-alvo de R$ 20.
Na visão da Empiricus Research, embora a transação não fosse o alicerce da tese em Desktop, a OPA levará as ações a um patamar próximo ao estimado no caso de um M&A (fusão e aquisição). Por ora, a casa mantém a ação em sua carteira Microcap Alert.
“Com forte presença no interior de São Paulo e destaque no Estado mesmo quando comparada com as Big Telcos, a Desktop ajudará a Claro em seu objetivo de ser a provedora líder do Estado, além de tornar sua infra mais competitiva e moderna, aumentando inclusive sua capacidade de oferecer serviços de FTTH (fiber to the home)” pondera a Empiricus.
A casa reforça a que a empresa compradora deverá realizar uma OPA pelas ações restantes, além da transação precisar da aprovação de órgãos responsáveis e de Assembleia Geral Extraordinária da Desktop, que ainda será definida.
“Isso, combinado com o fato de o valor proposto não ser ajustado por CDI deve se refletir em um desconto ao valor por ação oferecido pela Claro, pelo menos por enquanto”, diz a casa.
Os ganhos da operação
Na avaliação do Itaú BBA, a transação estabelece uma referência clara e suporte estratégico para a próxima onda de consolidação de provedores de serviços de internet. O negócio, destacam os analistas, já estava no radar dos investidores há algum tempo e marca um importante marco no processo contínuo de consolidação da banda larga no Brasil.
“Para a Claro, a transação reforça sua oferta convergente e fortalece sua presença no estado de São Paulo ao adicionar os 7,4% de participação de mercado da Desktop (base atual de ~1,2 milhão de HCs) aos cerca de 28% já detidos pela companhia”, diz o BBA, acrescentando que isso elevaria a participação combinada para acima dos cerca de 31% da Vivo.
A visão otimista é que o negócio contribua para uma maior racionalização de preços no FTTH.
Já a visão cética aponta que o ambiente competitivo pode se tornar mais desafiador, especialmente para a Vivo.
*Com informações do Estadão Conteúdo