Díficil imaginar eleições democráticas totalmente livres e justas na Venezuela alinhadas aos EUA, diz presidente da Eurasia
Para o presidente e fundador da consultoria de risco global Eurasia, Ian Bremmer, é “díficil” imaginar que ocorram eleições democráticas “totalmente livres e justas” na Venezuela ao menos no curto prazo após a intervenção dos Estados Unidos no país.
Na madrugada deste sábado (3), os EUA atacaram a Venezuela e capturaram seu presidente, Nicolás Maduro, e esposa Cilia Flores. A ação militar foi confirmada pelo presidente norte-americano Donald Trump pela manhã, após meses de tensão entre os dois países sob acusações de tráfico de drogas e ilegitimidade no poder.
Já no início da tarde, Trump afirmou que as forças militares permanecerão no território venezuelano por tempo indeterminado e “essencialmente comandar o país” até que uma transição política ocorra no país.
Em uma publicação na rede social X, Bremmer afirma que o objetivo do governo Trump era destituir Maduro e conseguir um acordo com um novo regime “estável e flexível”.
“A destituição de Maduro e um acordo com um novo regime estável e flexível na Venezuela são as intenções do governo Trump. Eles já conseguiram o primeiro objetivo. O segundo é plausível. É difícil imaginar eleições democráticas totalmente livres e justas alinhadas a esse objetivo, pelo menos no curto prazo”, avalia o CEO da Eurasia.
“Os militares venezuelanos não teriam ajudado Trump na deposição de Maduro se esperassem que os Estados Unidos estivessem prestes a entregar o país à oposição”, acrescentou.
O especialista ainda observa que a “lei da selva é perigosa”. “O que vale para seus inimigos hoje pode valer para você amanhã. Não se engane, o mundo está caminhando para isso”, alertou. “Maduro entende isso um pouco melhor hoje.”