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Digital Favela conecta 120 anunciantes a 3 mil influenciadores de comunidades em 2021

Lorena Matos
21/01/2022 - 15:54
coCEOs Digital Favela
Guilherme Pierri e Celso Athayde são coCEOs da Digital Favela e atuam juntos em prol do propósito de conectar influenciadores das favelas às grandes marcas (Imagem: Divulgação Digital Favela)

A construção da sociedade como a conhecemos hoje passou por uma longa história, onde questões sociais separaram pessoas das mais diversas formas, inclusive geopoliticamente. Resultado disso são milhares de pessoas que vivem nas favelas e periferias dos Estados do Brasil, com destaque para São Paulo e Rio de Janeiro, que abrigam as maiores do país. 

Entretanto, dentre diversas problemáticas existentes, essa separação por muito tempo dividiu talentos, empreendedores e influenciadores destes locais das marcas, fazendo com que muitas pessoas das favelas não fossem vistas, reconhecidas e até mesmo consideradas para trabalhos que, na atualidade, são cada vez mais comuns. 

A pandemia trouxe mudanças em diversos sentidos, fazendo com que o digital se tornasse cada vez mais presente na vida das pessoas e as redes sociais se tornaram um meio ainda maior de trabalho, por meio da produção de conteúdo, o que atrai marcas para fecharem trabalhos com os influenciadores. 

Mas e as pessoas que realizam este trabalho, tem seu empreendimento, falam sobre produtos, contudo, não são vistas? 

Essa é a realidade que a Digital Favela se propôs a mudar logo que a pandemia começou, e o fechamento de 2021 é a maior prova do êxito desta ação. A Digital Favela fecha 2021 conectando 120 anunciantes a 3 mil influenciadores de comunidades e o impacto disso foi discutido em entrevista com os coCEOs Guilherme Pierri e Celso Athayde.

A Digital Favela

O projeto nasceu um pouco antes do início da pandemia. Foi no dia 15 de março que tudo começou a ter andamento e, em julho de 2020, as atividades se iniciaram. A situação de pandemia abalou o país, especialmente as favelas e camadas sociais desfavorecidas, que sofreram de forma muito mais intensa com o fechamento geral dos estabelecimentos e com a alta taxa de desemprego

Em entrevista com Guilherme Pierri e Celso Athayde, pude saber sobre todo o processo de desenvolvimento da empresa. 

De acordo com Pierri, a Digital Favela nasceu com o intuito de proporcionar mais uma fonte de renda para os influenciadores das favelas, de forma a aproximar as grandes marcas com pessoas que, até então, eram invisíveis aos olhos delas, mesmo que criativas e com trabalhos de alta qualidade. 

Dessa forma, é possível fazer com que os próprios moradores falem sobre seus produtos, trabalhos e se comuniquem com este público que é tão amplo e que se identifica com os seus. 

“Basicamente o Digital Favela nasceu nesse contexto, dando mais holofotes, dando mais voz para esses influenciadores que já eram super criativos e fortes dentro de seus territórios, mas invisíveis para o mercado publicitário, principalmente”, afirma Pierri.

Os desafios apresentados

De acordo com ele, os principais desafios são os mesmos que um ano e meio atrás, que é a resistência das marcas a trabalharem com micro influenciadores e fazer com que elas entendam que precisam aprender com estes influenciadores, e não o contrário. 

A Digital Favela tem o compromisso de combater a falta de diversidade existente dentro das empresas, preparando as marcas a ouvirem estes influenciadores.

Por isso, o grande desafio é fazer com que as marcas ouçam e aceitem que os briefings são criados pelos próprios influenciadores, de forma a fazer com que o trabalho com a marca seja algo legítimo, combatendo a padronização que, muitas vezes, as marcas querem trazer. 

As regionalidades, características de cada favela e de cada influenciador são respeitadas, mas ainda é um desafio alinhar isso com as marcas. 

Para lidar com isto, Pierri explicou que a estratégia é realmente levar os influenciadores para as mesas de reuniões, de forma a causar um choque de realidade e uma conversa direta entre o influenciador e a marca. 

favelas
Dar voz, espaço e conexão legítima com as marcas é parte do papel da Digital Favela (Imagem: Site Digital Favela)

Trajetória

Em entrevista, Celso Athayade deu uma perspectiva completa sobre o trabalho que foi construído até chegar no impacto positivo da Digital Favela e a receptividade positiva das marcas. 

Celso, além de coCEO da Digital Favela, é um empresário, fundador da Cufa (Central Única das Favelas), empreendedor social  e ativista brasileiro. Nasceu na favela, viveu na rua, em abrigo público e retornou, onde começou sua trajetória de luta para quebrar estigmas e trazer voz às favelas e contribuir para que a realidade das favelas fosse transformada.

Ao longo da vida, Athayade empreendeu em Madureira, atuou como empresário de grandes nomes da música como Racionais MC’s e MV Bill e fundou a Cufa, que passou a desenvolver uma série de ações ativistas, buscando transformar em algo positivo tudo sobre favela que ninguém gostava e aceitava. 

Dessa forma, há 25 anos atrás, a Cufa trouxe para perto o termo “favela”, que era evitado a todo custo até mesmo por ações sociais, devido aos estigmas que carregava e que carrega até hoje. 

“O nosso projeto era como a gente transformava esses estigmas, como é que a gente não fugia de uma coisa que era importante, porque não adianta você trocar o nome daquele lugar, você precisa trocar aquela realidade”, conta Athayade sobre a Cufa. 

O poder da favela
O termo “favela” ainda hoje carrega muitos estigmas, que estão cada vez mais sendo quebrados (Imagem: Facebook Digital Favela)

Apesar disso tudo, conta que não acreditava que fosse uma luta que daria resultados, pelo grande déficit cultural, dificuldades, falta de recursos e acessos que os favelados enfrentam. “Tudo que existe naquele lugar piora as condições das pessoas, ainda que tenham talento, o esforço tem que ser muito maior”, acrescenta Athayade. 

Após a Cufa, foi aberta uma holding que hoje conta com 24 empresas, todas de favela, que junta diversas grandes empresas para que ações em prol da favela sejam feitas, por meio do conhecimento de favela e as expertises dos sócios da holding.

“O meu business é como que eu faço uma fusão honesta, justa e respeitosa entre os saberes”, afirma em entrevista. 

A partir da montagem de uma empresa de pesquisa, o Data Favela, com Renato Meirelles, foi possível começar a apresentar números para as marcas, o que as levou a perceber que favelas são muito mais do que seus estereótipos deturpados, mas são pessoas que consomem marcas, que são influenciadoras e que têm presença. 

Receptividade das marcas

O telefone não parou de tocar quando o projeto foi lançado e começou a se desenvolver, conta Pierri. Dessa forma, a receptividade foi excelente, visto que grandes e pequenas marcas que estão buscando diversidade encontraram uma forma de se conectar com estes influenciadores. 

O projeto se tornou uma forma de construir uma plataforma onde influenciadores das favelas que tinham 3, 4 mil seguidores e normalmente não são chamados para fazer nenhum tipo de campanha, conquistem espaço. 

Isso porque o Digital Favela reúne todas essas pessoas e as conecta às marcas, trazendo pessoas das favelas que vão alcançar pessoas das favelas, que tem o mesmo cotidiano, mesmas vivências e que vão confiar nestes influenciadores.

Tudo isso torna a receptividade das marcas muito positiva, pela credibilidade do Guilherme com a Peppery Group e a necessidade das marcas de incluírem e alcançarem as favelas e estes influenciadores. 

Cases Digital Favela
Grandes marcas buscam a Digital Favela e diversos cases de sucesso acompanham a trajetória da empresa (Imagem: Site Digital Favela)

2021

Athayde contou que esperava que as marcas fossem alcançadas, mas ficou muito surpreso com os resultados.

Pierri, que cuida das métricas e estratégias, contou que esperava um bom retorno, contudo, com certeza o resultado foi além das expectativas, atraindo grandes marcas, como PicPay, TikTok, Globo, entre outras. Cases de sucesso podem ser conferidos aqui.

As campanhas com as marcas não são apenas feitas por elas, a Digital Favela participa da produção, juntamente com os micro influenciadores e é tudo feito de forma legítima, personalizada e trazendo a identidade das favelas. 

Planos para 2022

Para 2022, os planos são de expansão, inclusive internacional, alcance de mais marcas, expansão da área proprietária de conteúdo, a CRIA D.FAVELA, um hub especializado em produção e cocriação com pessoas das próprias comunidades para que o parceiro anunciante possa realizar projetos especiais exclusivos, como podcasts e vídeos institucionais. 

Além disso, o podcast inédito do rapper Dexter, multiartista da cena hip-hop, ator e ativista, foi o primeiro projeto realizado pela CRIA e traz um formato inédito para as plataformas de streaming.

Por fim, maior imersão das marcas dentro das favelas, tornando ainda maior o trabalho de inclusão e participação desses micro influenciadores. 

“Sua marca tem algo a nos dizer em 2022? Somos todos ouvidos”

Já foi feita a conexão de 120 anunciantes a 3 mil influenciadores de comunidades em 2021, e para 2022 a Digital Favela convida as marcas a continuarem realizando essa conexão.

A expectativa é de que cada vez mais toda essa ação repercuta em visibilidade para micro influenciadores das favelas e que as marcas se disponham a também ouvir e imergir neste amplo segmento. 

Última atualização por Gustavo Kahil - 21/01/2022 - 15:54

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