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Direcional (DIRR3) cai até 7% após balanço do 2T26, mas analistas veem forte potencial de alta para ação

12 ago 2026, 12:46
Direcional
Direcional (DIRR3) cai até 7% após balanço do 2T26, mas analistas veem forte potencial de alta para ação (Imagem: Divulgação)

As ações da Direcional Engenharia (DIRR3) lideram as perdas entre as incorporadoras listadas na B3 nesta quarta-feira (12), em meio à repercussão do balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26) divulgado pela companhia na véspera (11).

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Por volta das 11h30 (horário de Brasília), os papéis, que são negociados dentro do índice Ibovespa (IBOV), recuavam 5%, cotados a R$ 10,45. Mais cedo, chegaram a entrar em leilão após caírem quase 7%. Acompanhe o movimento em tempo real.



Entre abril e junho, a Direcional obteve um lucro líquido de R$ 201,6 milhões, avanço de 9,7% sobre o mesmo período de 2025.

A receita líquida da empresa subiu 20,1% no mesmo intervalo, para R$ 1,28 bilhão, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 311,5 milhões, crescimento de 27,3%.

A margem Ebitda avançou 1,4 ponto percentual, para 24,3%.

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Apesar da queda das ações, para o analista Caio Nabuco de Araujo, da Empiricus Research, os resultados do 2T26 reforçaram a consistência operacional da incorporadora, com crescimento de receita, manutenção de margens elevadas e melhora projetada para a estrutura de capital.

A rentabilidade, de acordo com ele, permaneceu como um dos principais destaques do trimestre. Isso porque a margem bruta ajustada ficou em 42,8%, praticamente estável frente ao 1T26 e 1,1 ponto percentual acima do registrado no 2T25.

Por outro lado, o analista ponderou que as despesas comerciais cresceram 33% na comparação anual, refletindo o maior volume de lançamentos e os esforços comerciais, além do impacto dos distratos, o que pode ter pesado na oscilação dos papéis.

Conforme antecipado na prévia operacional, os lançamentos da Direcional totalizaram R$ 2,1 bilhões em VGV (sendo R$ 1,6 bilhão na participação da companhia) entre abril e junho, crescimento de 8% frente ao 2T25.

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As vendas líquidas somaram R$ 1,65 bilhão (R$ 1,37 bilhão na participação da companhia), praticamente estáveis na comparação anual.

Já a velocidade sobre oferta (VSO) consolidada ficou em 23%, com 24% na Direcional e 21% na Riva – esta última a marca do grupo voltada ao segmento de médio padrão.

A geração de caixa, que alcançou R$ 130 milhões no segundo trimestre, também foi destaque para a Empiricus.

Segundo a casa, mesmo desconsiderando cessões de recebíveis, operações societárias e efeitos relacionados aos repasses da Caixa Econômica Federal, a geração de caixa operacional foi positiva em R$ 80 milhões.

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Com isso, a dívida líquida da incorporadora caiu para R$ 492 milhões em junho, levando a relação dívida líquida/PL para 18% no trimestre.

“Em nossa visão, assim como outros players do setor, o papel foi exageradamente pressionado na última janela. Não à toa, a companhia anunciou um novo programa de recompra, com potencial de aquisição de até 32 milhões de ações”, disse o analista.

“Negociando a um múltiplo preço sobre lucro (P/L) de 5,5 vezes para o próximo ano, os papéis DIRR3 seguem em patamar de compra atrativo”, acrescentou.

O que diz o Citi

Já em um tom mais cauteloso, o Citi considerou os resultados da Direcional no segundo trimestre “amplamente neutros”.

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De acordo com o banco norte-americano, a receita líquida e o lucro bruto ficaram ligeiramente abaixo tanto das estimativas internas quanto das projeções do consenso de mercado.

Segundo a casa, a margem bruta recuou 70 pontos-base em relação ao trimestre anterior, com a administração atribuindo a contração ao mix de reconhecimento de receita e maior incidência de juros capitalizados.

“O lucro líquido ficou 13% abaixo da nossa estimativa, principalmente devido a despesas de vendas mais elevadas associadas a uma atividade de lançamentos mais intensa no primeiro semestre de 2026 (1S26), o que deve ter implicações limitadas para nossas projeções futuras”, afirmou o Citi.

“Embora a rentabilidade permaneça sólida, a margem da carteira de projetos (backlog) caiu de 45,2% no 3T25 para 43,9% no 2T26, sugerindo que parte das eficiências de custos de construção capturadas em trimestres recentes já foi refletida nos resultados e que as margens de vendas mais recentes podem estar abaixo dos níveis reportados atualmente”, prosseguiu.

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“Acreditamos que o debate está mudando gradualmente de ‘se a Direcional consegue sustentar as margens atuais’ para ‘qual será o ritmo de uma potencial normalização das margens no médio prazo’”, acrescentou.

Apesar da cautela, o banco mantém recomendação de compra para a companhia, com preço-alvo de R$ 17 para o papel.

O que diz o BBI

O Bradesco BBI, por sua vez, disse ter uma leitura “levemente negativa” para a ação no curto prazo, “dado o lucro abaixo do esperado no 2T26 e a possibilidade de que a incerteza ligada ao período eleitoral mantenha o sentimento mais pressionado até maior visibilidade sobre as tendências do 3T26”.

Ainda assim, o banco afirmou que não espera revisões significativas nas estimativas da companhia, uma vez que os principais indicadores operacionais permanecem saudáveis.

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Segundo o BBI, a Direcional reportou lucro líquido 7% abaixo da estimativa interna e 8% inferior ao consenso, refletindo uma margem bruta ligeiramente menor que a esperada e provisões um pouco mais elevadas. A receita líquida, por sua vez, ficou em linha com as expectativas.

No campo operacional, o banco destacou que os lançamentos somaram R$ 1,6 bilhão em VGV entre abril e junho, alta de 12% em base anual, enquanto as vendas alcançaram R$ 1,37 bilhão, crescimento de 6%.

Na outra ponta, ressaltou que a VSO ficou em 23%, abaixo do registrado um ano antes, enquanto os distratos subiram para 16,6% da comercialização bruta.

“Apesar dos ventos contrários de curto prazo, seguimos com recomendação de compra para DIRR3, em função de uma relação risco-retorno ainda atrativa, com a ação negociando a 6 vezes o lucro estimado para 2026 e 4,9 vezes para 2027, além de crescimento médio anual esperado de 18% no lucro por papel entre 2026 e 2028.”

O que diz o Safra

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Já o Safra considerou os resultados da incorporadora “sólidos” no 2T26, embora ligeiramente abaixo de suas estimativas mais otimistas.

No entanto, ponderou que o aumento dos juros capitalizados e das despesas comerciais acima do esperado contribuíram para um lucro por ação (LPA) 6% abaixo do projetado e um ROE anualizado mais moderado, de 35%, 2 pontos percentuais abaixo da expectativa.

O banco destacou, porém, que o fluxo de caixa manteve trajetória de alta, enquanto a companhia anunciou um novo programa de recompra de ações de até 32 milhões de papéis, aproximadamente 9,8% do free float.

“As despesas comerciais mais elevadas refletiram o aumento nos cancelamentos decorrente de questões persistentes relacionadas a incentivos regionais em certos mercados, situação que deve se normalizar”, afirmou o Safra.

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“Por outro lado, o fluxo de caixa recorrente manteve sua tendência de alta, com o volume recorde de repasses em julho sinalizando um bom desempenho para o restante do ano”, acrescentou, ao reiterar recomendação outperform para DIRR3.

“Embora os riscos elevados de inflação e o endividamento das famílias tenham pesado sobre o sentimento do mercado, acreditamos que a recente onda de vendas foi exagerada. Vemos as ações próximas às mínimas históricas, com um valuation de 4,8 vezes o P/L para o final de 2027 e um dividend yield combinado de 20%.”

Confira as recomendações para Direcional:

InstituiçãoRecomendaçãoPreço-alvoPotencial de alta (upside)
CitiCompraR$ 17,0062,7%
Bradesco BBICompra
SafraOutperform (compra)R$ 19,0081,8%
Empiricus ResearchCompra
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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.

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