Direcional (DIRR3): Por que as ações caem mais de 6% nesta sexta-feira (16)
A Direcional (DIRR3) é uma das maiores quedas da Bolsa brasileira desta sexta-feira (16), um dia após a companhia divulgar sua prévia operacional do quarto trimestre (4T25), com números classificados por analistas como “ligeiramente negativos”.
Por volta das 11h40 (horário de Brasília), os papéis da construtora caíam aproximadamente 6,5% na B3, negociados a R$ 12,63, e figuravam entre os destaques negativos da sessão. Acompanhe o tempo real.
No período, a construtora lançou R$ 1,68 bilhão em valor geral de vendas (VGV), volume 20% superior ao registrado um ano antes, mas 17% inferior aos três meses anteriores.
Com isso, os lançamentos em 2025 somaram R$ 5,89 bilhões, alta de 29% na comparação com 2024.
Do total, 51% vieram do segmento Minha Casa Minha Vida (MCMV), da Direcional, enquanto os 49% restantes foram originados pela Riva.
As vendas no quarto trimestre atingiram R$ 1,31 bilhão em VGV, crescimento de 5% na base anual, mas queda de 9% frente ao 3T25. No acumulado de 2025, as vendas totalizaram R$ 5,14 bilhões, avanço de 8%.
Queda na velocidade de vendas
Apesar do aumento nos volumes, a velocidade de vendas consolidada (VSO) caiu para 21% no 4T25, recuo de 3,9 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024.
Segundo o Bradesco BBI, o desempenho foi impactado pela forte concentração de lançamentos no final de dezembro, especialmente no segmento MCMV.
Já em termos de caixa, a Direcional apresentou um dos principais destaques positivos do período. A geração no quarto trimestre somou R$ 389 milhões, impulsionada, de acordo com o banco, pela conclusão da venda da Riva para a gestora Riza, elevando o total de 2025 para R$ 882 milhões — o maior nível anual da história da companhia.
No trimestre, vale ressaltar, os proventos pagos totalizaram R$ 804 milhões, o que corresponde a um dividend yield de aproximadamente 11%.
Visão do BTG
Por sua vez, o BTG Pactual avaliou que os números operacionais da Direcional no 4T25 ficaram abaixo das estimativas, com destaque negativo para as vendas líquidas, que recuaram 4% na comparação anual e vieram 11% inferiores à projeção do banco.
Entretanto, a casa também atribuiu a desaceleração à concentração de lançamentos em dezembro e destacou que o desempenho tende a melhorar no primeiro trimestre de 2026 (1T26).
“A desaceleração no MCMV foi atribuída ao fato de cerca de 40% dos lançamentos terem sido concentrados em dezembro. Mesmo assim, o segmento de média renda apresentou performance considerada saudável”, escreveu o time de análise em relatório.
Na prática, projetos lançados no fim do trimestre — especialmente em dezembro — têm poucas semanas para gerar vendas dentro do período, o que reduz a conversão imediata e pressiona os números do trimestre, mesmo que a demanda exista.
O BTG manteve visão construtiva para o setor de habitação de baixa renda, impulsionado pelo dinamismo do programa Minha Casa Minha Vida, e reiterou a recomendação de compra para DIRR3, que é negociada a cerca de 7 vezes o P/L projetado para este ano.
O preço-alvo do banco é de R$ 20, o que, frente à cotação atual, representa um potencial de valorização de aproximadamente 57%.
Bradesco BBI corta preço-alvo
O Bradesco BBI também cortou o preço-alvo para as ações da Direcional de R$ 23 para R$ 22. A mudança é explicada principalmente pelo pagamento de dividendos extraordinários acima do esperado em 2025 e a conclusão da venda de uma participação na Riva.
O banco ainda reduziu em 12% a estimativa de lucro líquido da construtora para 2026, passando a projetar um resultado de R$ 953 milhões, o que representa 7% abaixo do consenso.
“Não vemos mudanças significativas nos fundamentos centrais da tese, pois ela continua sendo um nome de alta qualidade no setor de construção. No entanto, esperamos que a ação apresente um impulso mais fraco no curto prazo, à medida que o mercado ajusta suas expectativas para baixo após vários anos superando as projeções de forma sequencial”, escreveram os analistas Bruno Mendonça e Wellington Lourenço.