Ciência

Do laboratório à mesa: quando a busca pelo sabor ideal leva a queijos, chocolates, sorvetes, doces de leite e outros alimentos consagrados pelo mercado

12 jan 2026, 10:14 - atualizado em 12 jan 2026, 10:14
Cesta de alimentos/ciência
Cesta de alimentos/ciência

Há um momento curioso em que a comida deixa de ser tentativa e erro e passa a se aproximar de um projeto técnico. É quando a ciência entra no processo produtivo não para criar algo inédito, mas para entender por que algo falhava — e evitar que isso volte a acontecer.

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Quando esse ajuste dá certo, o reconhecimento não vem apenas de júris especializados, concursos internacionais e selos de qualidade, mas também do público, que adere e consolida o produto no mercado.

O doce de leite que saiu da universidade e virou referência de qualidade

O doce de leite Viçosa não nasceu em um tacho improvisado, e sim em um laboratório de ciência de alimentos.

Desenvolvido na Universidade Federal de Viçosa, ele foi criado para solucionar problemas comuns do doce artesanal: cristalização irregular, sabor queimado e textura arenosa.

A resposta veio com controle rigoroso da proporção entre leite e açúcar, temperatura precisa e tempo de cozimento ajustado para equilibrar caramelização e reação de Maillard.

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O resultado não foi apenas aceitação do público: o produto passou a conquistar prêmios em concursos de laticínios e, mais do que isso, tornou-se referência técnica em avaliações sensoriais.

Queijos premiados: ciência no controle

Os grandes vencedores do World Cheese Awards compartilham um ponto em comum: domínio total do processo. Hoje, um queijo premiado é fruto de manejo preciso de acidez, umidade, temperatura de maturação e microbiologia.

Antes, a produção dependia muito do clima, do ambiente e da intuição do produtor.

Com a ciência, a fermentação se tornou previsível. Assim, defeitos invisíveis, como amargor excessivo, olhos irregulares ou contaminações, foram minimizados.

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O prêmio reconhece justamente isso: equilíbrio químico e biológico convertido em sabor.

Chocolate: a física e a química da manteiga de cacau

O chocolate existe há séculos, mas só passou a ser avaliado tecnicamente quando a ciência compreendeu o processo de cristalização da manteiga de cacau. Ela pode se organizar em diferentes formas, mas apenas uma garante brilho, textura firme e derretimento limpo.

A ciência ensinou a temperar: controlar temperatura, resfriamento e reaquecimento para “selecionar” o cristal correto.

Competições como o International Chocolate Awards analisam exatamente esse ponto. Um chocolate pode ser saboroso, mas, se cristalizar de forma inadequada, perde pontos. Aqui, a ciência transforma sensação tátil em critério técnico.

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Gelato italiano: a ciência da cremosidade

O gelato só se tornou um padrão mundial quando a ciência definiu sua estrutura ideal. A atuação científica está no controle do tamanho dos cristais de gelo, da quantidade de ar incorporado e do equilíbrio entre açúcar e gordura.

A ciência ajudou a demonstrar que:

  • congelar rápido ou devagar demais altera o resultado;

  • excesso de gordura mascara o sabor;

  • ar em demasia transforma o gelato em espuma gelada.

Na Gelato World Cup, vence quem domina essas variáveis. A cremosidade deixou de ser impressão subjetiva e virou resultado mensurável.

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Hoje, o mundo inteiro reconhece quando algo “tem gosto de gelato de verdade”.

Champanhe: o sabor só existe se seguir a fórmula

Talvez nenhum alimento-bebida represente melhor o consenso científico do que o champanhe. A bebida só se tornou confiável quando a ciência dominou a segunda fermentação dentro da garrafa.

O processo exige controle rigoroso de leveduras, açúcar, pressão interna e tempo de envelhecimento. Antes disso, as garrafas explodiam, oxidavam ou ficavam doces demais.

A ciência transformou um vinho instável em um produto replicável, com bolhas finas e acidez controlada.

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Hoje, além de acumular prêmios internacionais, o champanhe é protegido por regras técnicas estritas. Se não seguir o método, não recebe o nome. Aqui, a ciência não aperfeiçoa o produto: ela define o que ele é.

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Repórter
Jornalista com pós-graduação em Literatura, Artes e Filosofia. Atua como repórter nos portais de notícias Money Times e Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como Analista de SEO.
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