Dólar sobe a R$ 5,37 com nova ameaça de Trump à independência do Fed
O dólar iniciou a semana em tom positivo ante o real com aumento do temor de inteferência do governo Trump no Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).
Nesta segunda-feira (12), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,3725, alta de 0,12%.
- LEIA MAIS: Comunidade de investidores Money Times reúne tudo o que você precisa saber sobre o mercado; cadastre-se
O movimento foi na contramão da tendência externa. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, caía 0,27%, aos 99,860 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O temor de inteferência do governo Trump no Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos).
No fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou indiciar o presidente Jerome Powell por comentários feitos ao Congresso sobre o projeto de reforma de prédios do BC.
Powell se pronunciou neste domingo (11) e afirmou que a ação do governo é um “pretexto” para ganhar mais influência sobre a taxa de juros, que Trump quer reduzir drasticamente.
“Na sexta-feira, o Departamento de Justiça notificou o Fed com intimações do grande júri, ameaçando com uma acusação criminal relacionada ao meu depoimento perante o Comitê Bancário do Senado em junho passado”, disse Powell. “Tenho profundo respeito pelo Estado de direito e pela responsabilidade em nossa democracia. Ninguém – certamente não o presidente do Fed – está acima da lei.”
“Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças do governo e da pressão contínua por taxas de juros mais baixas e, de forma mais ampla, por uma maior influência sobre o Fed”, disse ele.
Já nesta segunda-feira (12), a Casa Branca informou que Trump não orientou os integrantes do Departamento de Justiça a investigar o Powell.
Para Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, o episódio pode ser visto como uma ameaça significativa, “principalmente quando olhamos para o contexto de desacordo sobre a política monetária em que as investigações surgem”.
“A situação não gera apenas uma maior incerteza em relação à credibilidade institucional com a tentativa de minar a autonomia do Fed, o reflexo desencadeia também um maior questionamento sobre a trajetória de juros”, avaliou Lobo.
“À medida que esse risco se torna mais presente, os ativos americanos podem se tornar menos atrativos para os investidores, reforçando a tendência de diversificação global, direcionando o capital para outras geografias ou para hedges, como o ouro”, acrescentou.
No cenário doméstico, os investidores repercutiram o Boletim Focus. Os economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) reduziram a projeção para a inflação de 2026 de 4,06% para 4,05%.
Para a Selic, a expectativa do mercado foi mantida pela terceira semana consecutiva, em 12,25% ao ano em dezembro. O câmbio deve encerrar o ano em R$ 5,50 e a economia brasileira deve crescer 1,80% em 2026.
Além disso, o Tesouro Nacional piorou significativamente suas projeções para a dívida pública bruta do Brasil, diante do nível elevado dos juros no país, prevendo uma trajetória de alta no endividamento até 2032, quando chegaria a 88,6% do PIB.
*Com informações de Reuters