Dólar sobe a R$ 5,20 com piora do humor em Wall Street
O dólar à vista (USDBRL) ganhou força ante o real, seguindo o movimento observado no exterior, com a piora do humor em Wall Street, puxada pela queda dos setores de tecnologia, softwares e finanças.
Nesta quinta-feira (12), a moeda norte-americana encerrou a R$ 5,2004 (0,25%).
Às 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais como euro e libra, subia 0,10%, aos 96.936 pontos.
O especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, destaca que o dólar chegou a tocar R$ 5,15 na mínima, menor valor desde 28 de maio de2024, mas, no meio da sessão, o ambiente externo entrou em modo mais defensivo, com as bolsas americanas incapazes de sustentar os ganhos iniciais e um claro movimento de aversão a risco.
“Assim, embora o vetor estrutural via carry trade e fluxo permaneça favorável ao real, o tom de ‘flight to safety’ limitou a pressão adicional de baixa sobre o dólar no fim do dia”, explica.
O que mexeu com o dólar hoje?
No exterior, o dólar ganhou força ante as demais moedas, em uma nova rodada de quedas dos principais índices de Wall Street, influenciados negativamente pelos setores de softwares, tecnologia e finanças.
Além disso, o mercado ainda digere o Payroll, que indicou criação de 130.000 vagas de trabalho em janeiro. Os dados de pedidos de auxílio-desemprego também recuaram menos do que o previsto (-5.000), para 227.000 nesta semana.
O mercado ainda acompanhou as falas do presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou que os Estados Unidos precisam fazer um acordo com o Irã e que acredita que ele pode ser fechado no próximo mês. Trump ainda renovou as ameaças ao país persa.
“Temos que chegar a um acordo, caso contrário, será muito traumático, muito traumático”, disse a jornalistas.
Com as ameaças, o petróleo Brent caiu 2,71% (US$ 1,88), a US$ 67,52 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
No cenário doméstico, o volume de serviços prestados caiu 0,4% em dezembro, na margem, queda mais intensa do que o previsto pela pesquisa Projeções Broadcast, de queda de 0,1%. Os dados sobre serviços foram divulgados na manhã desta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na comparação com dezembro de 2024, houve avanço de 3,4% em dezembro. Neste caso, o resultado foi quase em linha com a mediana, que indicava alta de 3,5%. No acumulado de 2025, houve alta de 2,8% no setor de serviços.
Os dados reforçam o enfraquecimento da economia brasileira e a proximidade com o início do ciclo de corte no juro pelo Banco Central.
Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, perdeu força após ter atingido os inéditos 190.000 pontos na véspera, com queda de cerca de 3% Petrobras (PETR3; PETR4) e bancos, exceto o Banco do Brasil (BBAS3).
*Com informações de Reuters