Dólar perde força e fecha a R$ 5,21 com breve alívio nos preços do petróleo
O dólar perdeu força com alívio nos preços do petróleo no final da tarde após Israel afirmar que não atacará novamente a infraestrutura energética do Irã, a pedido dos Estados Unidos. As decisões de política monetária na Europa e a reação ao corte na Selic no Brasil ficaram em segundo plano.
Nesta quinta-feira (19), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,2156, com queda de 0,59%.
O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com recuo de 0,85%, aos 99,239 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio continuou a reagir a uma série de decisões de política monetária. Na véspera (18), o Federal Reserve (Fed) manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, como amplamente esperado pelo mercado. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano, sendo a primeira flexibilização do Banco Central desde julho.
Já nesta quinta-feira (19) foi a vez das decisões dos BCs do Japão, Reino Unido, Canadá e da Zona do Euro. Todos mantiveram as taxas de juros inalteradas.
O destaque, porém, ficou por conta do Banco Central da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), que ressaltou que o conflito no Oriente Médio pode causar aumento na inflação no curto prazo – o que seria um novo choque na economia.
Alguns membros do Comitê de Política Monetária britânico já levantaram a possibilidade de um aumento nos juros a frente.
O Banco Central da Europa (BCE), que também manteve os juros em 2% nesta quinta-feira, disse que o salto nos preços da energia elevou sua previsão de inflação para a zona do euro em 2026 a 2,6% – acima de sua meta de 2% – mas disse que o impacto de longo prazo ainda não está claro.
O temor de um novo choque inflacionário, com a recente escalada dos preços do petróleo, refez as apostas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos. O mercado zerou a possibilidade de algum corte na taxa referencial norte-americana pelo Fed ao longo de 2026.
Conflito no Irã
No final da tarde, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que, a pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Israel evitará ataques militares contra a infraestrutura de energia do Irã.
Ele ainda disse que as defesas aéreas de Teerã não são mais úteis, além do país persa não tem mais capacidade de enriquecer urânio ou fabricar mísseis balísticos. As afirmações foram feitas durante uma coletiva de imprensa.
Ontem (18), o Irã atacou instalações energéticas em todo o Oriente Médio, em resposta ao ataque de Israel a South Pars – maior depósito de gás natural do mundo, que o país persa compartilha com o Catar, aliado dos EUA, do outro lado do Golfo.
Antes dos ataques, o Irã emitiu avisos de retirada para várias instalações de petróleo na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Catar, enquanto se preparava para retaliar os ataques à sua própria infraestrutura de energia em South Pars e Asaluyeh.
Além disso, os Estados Unidos emitiram uma licença geral para a venda de petróleo bruto e derivados da Rússia embarcados a partir do último dia 12. A medida fez com que os preços do petróleo caíssem, mas o barril cotado acima de US$ 100. Pela manhã, o barril do Brent chegou a encostar em US$ 120.
Leilão de dólares
Pela manhã, o Banco Central vendeu, em dois leilões simultâneos, US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$ 1 bilhão de swap cambial reverso – uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.
No leilão à vista, o diferencial de corte foi de -0,000300. Já no leilão de swap reverso, a taxa de corte foi de 4,4000 vencimento dos contratos será em 1º de abril deste ano.
As duas operações simultâneas realizadas pelo BC, de venda à vista de dólares e negociação de swap reverso, são conhecidas como “casadão” pelo mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, na prática, nulo, já que o BC vendeu US$1 bilhão em uma ponta e comprou US$1 bilhão em outra.
*Com informações de Reuters