Dólar

Dólar sobe a R$ 5,25 com IPCA-15 acima do esperado e incertezas geopolíticas

26 mar 2026, 17:05 - atualizado em 26 mar 2026, 17:16
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(Foto: iStock.com/MicroStockHub)

O dólar à vista ganhou força com continuidade da aversão ao risco dos investidores em meio a novos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

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Nesta quinta-feira (26), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,2562, com alta de 0,69%.



O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com avanço de 0,38%, aos 99,978 pontos.

O que mexeu com o dólar hoje?

O mercado de câmbio teve mais um dia agitado por incertezas sobre o conflito no Irã. Contudo, dados de inflação e perspectivas do Banco Central (BC) para a economia concentraram as atenções no cenário doméstico.

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Por aqui, a prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), avançou 0,44% em março, puxada por Alimentação e Bebidas e Despesas Pesoais. A estimativa era de alta de 0,29% neste mês, de acordo com a mediana das projeções do Broadcast.

O IPCA-15 fechou o período de 12 meses com alta acumulada de 3,90% – dentro do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para cima ou para baixo.

O número desacelerou em relação à variação de +0,84% e de 4,10% no acumulado dos últimos 12 meses, registrados em fevereiro.

Para Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, destaca que o IPCA-15 ainda não foi “muito” afetado pelo aumento de preços decorrentes da guerrra no Irã. “A expectativa é que a pressão em preços de combustíveis, entre outros, venha no IPCA de março em diante”.

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Além disso, o Banco Central revisou para cima suas projeções de inflação no chamado horizonte relevante — o período em que o Comitê de Política Monetária (Copom) avalia os efeitos de sua política sobre a economia.

Segundo o Relatório de Política Monetária (RPM), a expectativa para o terceiro trimestre de 2027 subiu 0,1 ponto percentual, para 3,3%.

Entre os fatores de alta, estão a elevação do preço do petróleo e a revisão do hiato do produto, que indica atividade econômica acima da capacidade potencial. Por outro lado, a apreciação do real e a leve queda nas expectativas de mercado ajudaram a conter o avanço.

Na avaliação de economistas consultados pelo Money Times, o RPM veio em linha com a ata e o comunicado do Copom, reforçando o cenário de incertezas geopolíticas com o conflito no Oriente Médio e os riscos, tanto altistas quanto baixistas, que a guerra traz para a inflação.

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Durante a coletiva de imprensa, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmo que o Brasil entra no atual choque geopolítico em uma posição relativamente mais confortável do que outros países. Segundo ele, a posição brasileira é uma combinação que reflete tanto o aperto monetário antecipado quanto o fato de o país ser exportador líquido de petróleo.

Conflito no Irã

No 27º de conflito no Irã, o mercado continuou a monitorar os desdobramentos e aumentou a aversão a risco, com novas incertezas sobre a duração da guerra.

Pela manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o Irã está desesperado por um acordo para pôr fim a quase quatro semanas de combates, mas que os negociadores iranianos são “estranhos”.

“Os negociadores iranianos são muito diferentes e ‘estranhos’. Eles estão ‘implorando’ para que façamos um acordo, o que deveriam estar fazendo, já que foram militarmente aniquilados, sem nenhuma chance de recuperação, e ainda assim declaram publicamente que estão apenas ‘analisando nossa proposta’”, disse Trump na Truth Social.

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Na mesma publicação, o chefe da Casa Branca disse que o Irã deve “levar a sério” o acordo para pôr fim à guerra.

Até agora, autoridades do Irã têm negado as negociações para um cessar-fogo. Ontem (25), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que as “conversas indiretas” não equivalem a uma negociação.

“Mensagens sendo transmitidas por meio de nossos países amigos e nós respondendo, declarando nossas posições ou emitindo os avisos necessários, não é o que chamamos de negociação ou diálogo”, disse Araqchi em uma entrevista à televisão estatal.

Já no início da tarde, Trump anunciou que o Irã estava permitindo que 10 petroleiros navegassem pelo Estreito de Ormuz como um “aparente gesto de boa vontade nas negociações”.

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“Eles disseram que, para mostrar a vocês que somos reais e sólidos e que estamos lá, vamos permitir que vocês tenham oito navios de petróleo, oito navios, oito grandes navios de petróleo”, disse Trump a repórteres na Casa Branca. “Acho que eles estavam certos, e eram reais, e acho que tinham bandeira paquistanesa. Acabaram sendo 10 navios.”

Em reação, o barril do petróleo voltou ao nível de US$ 100. Os contratos mais líquidos do Brent, referência para o mercado internacional, para junho subiram 4,61%, a US$ 101,89 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

“A escalada das tensões no Oriente Médio, com impacto direto no petróleo – mantido acima de US$ 100 –, sustentou os juros [dos Treasuries] nos EUA em patamares elevados e reforçou a busca por proteção, favorecendo o dólar frente às moedas emergentes”, avaliou Bruno Shahini, especialista de investimentos da Nomad.

*Com informações de Reuters

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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