Dólar fecha a R$ 5,24 com aversão global, mesmo com falas de Trump sobre avanço nas negociações
O dólar à vista ganhou leve força ante o real diante do sentimento de aversão a risco nas bolsas de Wall Street e alta do petróleo, a despeito das falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizando avanço nas negociações com o Irã.
Nesta segunda-feira (30), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,2478, com alta de 0,12%.
O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,38%, aos 100,500 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
A guerra no Oriente Médio, que já entra em sua quinta semana, seguiu como ponto focal dos investidores.
Hoje, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou na rede Truth Social que os EUA estão em negociações com o regime iraniano para encerrar as operações militares no país.
Apesar dos “grandes avanços”, Trump alertou que se um acordo não for alcançado em breve com Teerã, os EUA atacarão todas as usinas de energia, poços de petróleo e a Ilha de Karg, além de todas as usinas de dessalinização.
O petróleo Brent para junho fechou em alta de 1,96%, a US$ 107,39 o barril, reacendendo temores inflacionários com os preços elevados de energia.
A commodity ganhou força no início da sessão com a entrada da milícia Houthi no confronto no final de semana, marcando mais uma escalada do conflito.
Segundo o The New York Times, o chefe da Casa Branca confirmou que está em tratativas com o presidente do parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf. Por outro lado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, classificou as propostas dos EUA para uma trégua como “irrealistas, ilógicas e excessivas”.
Ainda hoje, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que as expectativas para a inflação de longo prazo estão ancoradas, mesmo com os recentes choques do petróleo e de energia por conta da guerra no Oriente Médio.
Durante evento na Harvard University, Powell disse que ainda é cedo para medir os impactos econômicos do conflito envolvendo Irã, Israel e EUA, mas reconheceu que o choque de energia já pressiona os preços.
Segundo ele, o Federal Reserve deve evitar reagir de forma precipitada a esse tipo de movimento, já que se trata de um choque de oferta, com efeito limitado da política monetária no curto prazo. Ainda assim, reforçou que a autoridade monetária acompanha de perto o risco de desancoragem das expectativas.
Cenário doméstico no segundo plano
Os dados e o noticiário doméstico seguiram em segundo plano. Os economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) ajustaram algumas projeções para a economia brasileira em 2026, segundo o Boletim Focus divulgado na manhã desta segunda-feira (30).
As expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 aumentaram de 4,17% para 4,31%.
Já as previsões para a taxa básica de juros (Selic) se mantiveram em 12,50% neste ano. A aposta para o câmbio, por sua vez, aponta um dólar cotado a R$ 5,40 ao fim deste ano, mesmo valor da projeção anterior.
No fiscal, o governo central registrou um déficit primário de R$ 30,046 bilhões em fevereiro, informou o Tesouro Nacional. O resultado foi melhor que o esperado pelo mercado, com queda real de 8,4% em relação ao mesmo mês de 2025.
No cenário eleitoral para outubro de 2026, a primeira pesquisa BTG Pactual/Nexus aponta empate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas simulações de primeiro turno e no segundo turno.
Nos três cenários de primeiro turno apresentados aos entrevistados, Lula tem entre 39% e 42% dos votos, enquanto Flávio Bolsonaro aparece entre 38% para 39%. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos.
*Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters