Dólar recua a R$ 5,17 após sinalização de trégua do Irã, mas encerra março com ganho de 0,9%
O dólar perdeu força no último pregão do mês diante das sinalizações de que o Irã está aberto para negociar com os Estados Unidos e encerrar o conflito no Oriente Médio, agora em sua quinta semana de duração.
Nesta terça-feira (31), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,1786, com queda de 1,32%.
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O avanço foi impulsionado pelo desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h09 (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com queda de 0,67%, aos 99.840 pontos.
Em março, porém, a divisa acumulou ganho de 0,87%, em linha com a aversão a risco no exterior e deterioração das expectativas inflacionárias, o que impulsionou uma rodada de revisões altistas para a trajetória dos juros.
O que mexeu com o dólar hoje?
O dólar nesta terça-feira, acompanhou as falas do presidente dos EUA, Donald Trump, pediu aos países que não ajudaram os EUA em seus ataques coordenados contra o Irã e que agora não conseguem obter combustível para aviação que comprem petróleo norte-americano e vão até o Estreito de Ormuz e “simplesmente o tomem”.
Trump citou Reino Unido e França como países que não colaboraram na guerra de um mês que abalou os mercados globais, elevou os preços da energia e levou o Irã a praticamente bloquear o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.
Nesta tarde, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não busca prolongar o conflito e está disposto a encerrá-lo, desde que haja garantias contra novas agressões. A declaração foi feita em conversa telefônica com o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Segundo o dirigente, o país foi alvo de ataques durante negociações com os Estados Unidos, o que, segundo ele, evidencia que Washington “não acredita na diplomacia”.
Em comunicado enviado via Telegram, Pezeshkian disse que Teerã participou das tratativas “de forma sincera e construtiva”, mas foi atacado duas vezes durante o processo. Para o iraniano, a ofensiva demonstra que os EUA buscam impor seus interesses pela força.
O presidente também criticou duramente a União Europeia (UE), classificando como “lamentável” o silêncio do bloco diante das ações de EUA e Israel. Segundo ele, a postura europeia contradiz os princípios de defesa dos direitos humanos e do direito internacional que a UE afirma sustentar.
Pezeshkian reiterou que o Irã tem direito à legítima defesa e acusou países vizinhos de permitirem o uso de bases americanas para ataques, sem cumprir suas responsabilidades internacionais. Ele acrescentou que o Estreito de Ormuz está fechado a embarcações de países considerados agressores e alertou que “qualquer intervenção, sob qualquer pretexto, terá consequências perigosas”.
Por aqui, o mercado acompanhou a divulgação de dados fiscais e do mercado de trabalho.
Em fevereiro, a dívida pública bruta do país em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 0,5 ponto percentual em fevereiro, para 79,2%, informou o Banco Central.
No mês, o setor público registrou um resultado negativo de R$ 16,388 bilhões, abaixo do déficit de R$ 25 bilhões previsto por economistas em pesquisa da Reuters. No acumulado em 12 meses, o saldo primário foi negativo em R$ 52,843 bilhões, o equivalente a 0,41% do PIB.
O Brasil abriu 255.321 vagas formais de trabalho em fevereiro de 2026, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta terça-feira (31) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado de fevereiro foi fruto de 2.381.767 admissões e 2.126.446 desligamentos.
A expectativa era de que fossem criadas 269 mil vagas no segundo mês do ano, segundo a mediana da pesquisa Projeções Broadcast.
Em nota enviada aos clientes, a 4intelligence avaliou que os dados do Caged indicam que o mercado de trabalho formal brasileiro permanece aquecido, mostrando estabilidade em patamares elevados.
Segundo a 4intelligence, a taxa de desligamentos voluntários em relação ao total de desligamentos (36,2% com ajuste) mostrou queda e a taxa em relação ao estoque de trabalhadores formais (1,6%) mostrou alta na margem com ajuste sazonal.
“Outro dado que reforça um mercado de trabalho ainda aquecido é o tempo médio de emprego dos desligados. Essa informação tende a se correlacionar com a taxa de desocupação e com a taxa de rotatividade apresentada acima”, afirma a casa.
*Com informações de Estadão Conteúdo