Dólar recua com negociações de cessar-fogo entre EUA e Irã no radar e fecha a R$ 5,21
O dólar perdeu força ante o real após o jornal norte-americano New York Times noticiar a tentativa de contato entre a inteligência iraniana e a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, em inglês) para um possível fim do conflito no Oriente Médio.
Nesta quarta-feira (4), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,2182, em queda de 0,89%.
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O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h14 (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava em queda de 0,30%, aos 98,758 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
Os movimentos geopolíticos seguiram como o principal vetor de variação do câmbio nesta quarta-feira.
Pela manhã, o NYT reportou que agentes do Ministério da Inteligência do Irã sinalizaram abertura à Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) para negociações sobre o fim da guerra.
A oferta foi feita por meio da agência de espionagem de um país não identificado, disse o jornal, citando autoridades do Oriente Médio e de um país ocidental que falaram sob condição de anonimato.
Autoridades em Washington, no entanto, estão céticas quanto à possibilidade de o Irã ou o governo de Donald Trump estarem realmente dispostos a uma “saída”, pelo menos no curto prazo.
Segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, a Espanha concordou em cooperar com as Forças Armadas norte-americanas, um dia após Trump ameaçar cortar relações comerciais com Madri, devido à sua posição contrária aos ataques dos EUA e de Israel ao Irã.
“Acho que eles ouviram a mensagem do presidente ontem de forma clara e inequívoca. Segundo entendi, nas últimas horas eles concordaram em cooperar com as Forças Armadas dos EUA”, disse Leavitt em coletiva de imprensa.
Trump sugeriu a imposição de um embargo comercial a Madri devido à sua recusa em permitir que aeronaves norte-americanas usassem bases navais e aéreas operadas conjuntamente no sul da Espanha para a ofensiva contra Teerã. A Espanha classificou os bombardeios norte-americanos e israelenses ao Irã como imprudentes e ilegais.
O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) divulgou no relatório “Livro Bege” que a atividade nos EUA cresceu um pouco, os preços seguiram em alta e os níveis de emprego permaneceram estáveis nas últimas semanas.
Atualmente, a expectativa do mercado é de que o Fed não faça outro corte até sua reunião de 28 e 29 de julho, quando o ex-diretor do Fed Kevin Warsh já deve estar empossado como novo chefe do banco central.
Trump apresentou sua indicação de Warsh para substituir o chair do Fed, Jerome Powell, ao Senado dos EUA nesta quarta-feira. O mandato de Powell como chair do Fed termina em meados de maio, e a expectativa é de que Warsh apoie os cortes nos juros que Trump deseja.
Em segundo plano
No cenário doméstico, os investidores acompanharam o novo capítulo do caso Banco Master, com a prisão de Daniel Vorcaro na manhã desta quarta-feira por agentes da Polícia Federal. O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorizou a transferência de Vorcaro para presídio estadual.
O esquema do Master funcionava com quatro núcleos de atuação, de acordo com as investigações da Polícia Federal (PF), reveladas na terceira fase da Operação Compliance Zero.
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Segundo as investigações, havia um “núcleo financeiro”, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro. Também um “núcleo de corrupção institucional”, voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central.
Os outros dois referiam-se ao “núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro”, com utilização de empresas interpostas, e ao “núcleo de intimidação e obstrução de Justiça”, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.
Em nota, o Banco Central (BC) confirmou que identificou indícios de que dois servidores receberam “vantagens indevidas” do Banco Master e comunicou à PF.
Os servidores são o ex-diretor de Fiscalização, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana – alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero.
“De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente os referidos servidores do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas, instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal”, disse a autoridade monetária em nota.
*Com informações de Reuters