Dólar despenca 4% com ‘trade Flávio’ e fecha a R$ 5
O dólar à vista iniciou a semana em forte queda com os investidores digerindo os resultados do primeiro turno das eleições e precificando já um ‘vencedor’ na disputa pela Presidência.
Nesta segunda-feira (5), o dólar encerrou R$ 5,0018 no mercado à vista, com queda de 4,12%. Na mínima intradia, a divisa bateu R$ 4,9540 (-5,03%).
O movimento local destoou do desempenho do dólar global. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,21%, aos 102.146 pontos, com Treasuries de longo prazo nas máximas de 24 anos.
Receba gratuitamente as newsletters do Money Times
Fator ‘Flávio Bolsonaro’
O forte movimento de valorização do real ante o dólar já era esperado. Nos últimos seis anos, a maior queda diária do dólar frente ao real ocorreu logo após o primeiro turno das eleições presidenciais. Em 2022, por exemplo, a divisa norte-americana caiu 4,07% contra a divisa brasileira.
Ontem (4), Flávio Bolsonaro (PL) surpreendeu o mercado ao superar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições e abrir uma vantagem de 2,2 milhões de votos frente ao incumbente.
Considerado mais favorável ao mercado, o filho do ex-presidente também é o favorito do mercado para vencer a disputa pela Presidência no segundo turno, em 25 de outubro.
“Os investidores apostam fortemente na vitória de Flávio no segundo turno e na implementação das reformas econômicas a partir do próximo ano, o que gerou um rali de apetite ao risco local”, afirma Emerson Junior, head de câmbio e contas internacionais da Convexa Investimentos.
Para Chris Turner, chefe global de mercados do ING, “com Bolsonaro concorrendo com uma plataforma de austeridade fiscal e desregulamentação, espera-se uma alta tanto da moeda quanto do mercado de títulos”, avaliou ele, em relatório a clientes enviado pela manhã.
Nas contas do UBS BB, o dólar pode recuar para R$ 4,50 a R$ 4,60 nos próximos três a seis meses, caso o segundo turno das eleições reforce o resultado da primeira rodada e os preços do petróleo permaneçam favoráveis.