Dólar sobe a R$ 5,28 diante da aversão ao risco com o conflito no Irã
O dólar ganhou força ante o real com a escalada de tensão no Oriente Médio reforçando o sentimento de aversão ao risco.
Nesta quinta-feira (5), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,2870, em alta de 1,32%.
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O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava em alta de 0,54%, aos 99,313 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
No sexto dia de conflito de Estados Unidos e Israel com o Irã, as tensões avançaram e impulsionaram o sentimento de aversão ao risco nos mercados.
Nesta manhã, a Guarda Revolucionária do Irã atingiu um petroleiro dos EUA na parte norte do Golfo. A Guarda disse ainda, em comunicado divulgado pela mídia estatal, que, em tempo de guerra, a passagem pelo Estreito de Ormuz, estaria sob o controle da República Islâmica.
Mais navios-tanque foram atacados nas águas do Golfo, à medida que os ataques entre os Estados Unidos e o Irã se intensificavam e drones iranianos entravam no Azerbaijão, ameaçando espalhar a crise para mais produtores de petróleo na região.
O presidente norte-americano, Donald Trump, disse à Reuters nesta quinta-feira que os Estados Unidos terão um papel na escolha do próximo líder do Irã. Trump afirmou ainda ser muito cedo no processo de escolha de um novo líder, mas que o filho do aiatolá Ali Khamenei, Mojtaba, é uma escolha improvável.
“Queremos participar do processo de escolha da pessoa que vai liderar o Irã no futuro”, disse Trump.
Além disso, o presidente dos EUA sinalizou que aceitará a assistência de qualquer país, quando questionado sobre uma oferta de apoio da Ucrânia para ajudar na defesa contra drones iranianos.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, disse nesta quinta-feira que a Ucrânia havia recebido um pedido específico dos Estados Unidos para ajudar a lidar com drones no Oriente Médio.
Segundo o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, o receio da transmissão de um “choque geopolítico”, com a disparada dos preços de petróleo, para o cenário macroeconômico vem sendo incorporado nas expectativas de mercado, refletindo diretamente no comportamento dos ativos de risco.
Em segundo plano
No cenário doméstico, os investidores acompanharam as falas do diretor de política monetária do Banco Central, Nilton David, disse que a autoridade monetária deve agir com cautela diante do aumento das incertezas globais. Segundo ele, a postura do BC exige “serenidade”, mas isso não significa falta de ação.
Nilton destacou que o conflito no Oriente Médio traz dúvidas relevantes para o cenário econômico, principalmente por causa dos possíveis impactos do petróleo sobre a inflação. “É natural pensar que quando o petróleo sobe há pressão inflacionária, mas por quanto tempo? Não sabemos a duração”, disse.
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Mais cedo, o IBGE divulgou que a taxa de desemprego brasileira ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, mantendo-se estável em relação ao trimestre móvel de agosto a outubro de 2025, quando também havia marcado 5,4%.
Segundo os cálculos da economista Claudia Moreno, do C6 Bank, com o ajuste sazonal, – que elimina efeitos pontuais do calendário e ajuda a enxergar melhor uma tendência – a taxa ficou estável em 5,4%, o menor patamar da série histórico.
*Com informações de Reuters