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Dólar fecha mais um trimestre em alta e eleva ganhos no ano a 35,6%

30/06/2020 - 20:13
Em junho, o dólar acumulou valorização de 1,87%. No trimestre, a apreciação foi de 4,73%. Em 2020, a moeda salta 35,56% (Imagem: REUTERS/Beawiharta)

O dólar fechou com leve ganho ante o real nesta terça-feira e encerrou mais um mês e trimestre em alta, ainda em meio a intensa volatilidade diante de um conjunto de incertezas no Brasil que inclui os rumos da pandemia, da atividade econômica e de coesão entre forças políticas.

O dólar à vista teve leve alta de 0,27% nesta terça, a 5,44 reais na venda.

Ao longo do pregão, a moeda oscilou entre ganho de 1,54%, a 5,509 reais, e queda de 0,35%, para 5,406 reais.

Em junho, o dólar acumulou valorização de 1,87%. No trimestre, a apreciação foi de 4,73%. Em 2020, a moeda salta 35,56%.

A primeira metade do trimestre –do começo de abril até meados de maio– foi marcada por forte e contínua alta do dólar, que flertou com o recorde histórico nominal perto de 6 reais, diante de acirramento de tensões políticas domésticas e da percepção de que o Banco Central estava minimizando a volatilidade.

A partir do meio de maio até início de junho, a melhora do ambiente externo, massivas injeções de liquidez por bancos centrais e uma maior atuação do BC no mercado de câmbio motivaram desmontes de posições compradas em dólar, o que levou a divisa à casa de 4,85 reais em 8 de junho.

Mas a gangorra persistiu e, desde então, o dólar ingressou em novo período ascendente, tendo como pano de fundo volatilidade ainda maior no mercado de câmbio interno. O fluxo cambial ao Brasil também piorou, indicando menor oferta de dólar –portanto, maior pressão sobre a cotação.

Nesta terça, o BC vendeu 365 milhões de dólares em moeda spot –operação realizada comumente em momentos de fluxo negativo. Na sexta passada, a autarquia voltara a recorrer a esse instrumento, não utilizado desde o último dia 1º.

Alessandro del Drago, gestor do fundo Mauá Capital Machine-D, lembra que historicamente o segundo semestre não costuma ser de apreciação cambial. “Adicione todas as evidências de percepção de risco do primeiro semestre a esse padrão de sazonalidade, temos um cenário ainda incerto para o câmbio”, disse.

Real
De uma lista de moedas composta também por rand sul-africano, rublo russo, lira turca, peso mexicano, peso colombiano e peso chileno, apenas o real tem volatilidade implícita colada nas máximas (Imagem: Marcello Casal JrAgência Brasil)

Ele nota que a volatilidade do real segue em patamares acima dos vistos antes da pandemia –diferentemente de alguns pares emergentes da moeda brasileira– e avalia que isso é um fator importante para se analisar o quadro para o câmbio no curto prazo.

“Se a volatilidade cair a níveis pré-pandemia, vejo o câmbio indo a 4,50 (reais por dólar). Mas se a volatilidade não reduzir, se tivermos problemas de harmonia no ambiente político, se não tivermos controle maior da pandemia e de seus efeitos econômicos, o câmbio continuará depreciando”, completou.

De uma lista de moedas composta também por rand sul-africano, rublo russo, lira turca, peso mexicano, peso colombiano e peso chileno, apenas o real tem volatilidade implícita colada nas máximas vistas em meados de março, quando os mercados estavam sob forte estresse por causa da pandemia.

Da volatilidade associada às demais moedas, por outro lado, retrocedeu e em alguns casos já se aproxima de patamares pré-pandemia.

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, ainda estima dólar mais baixo, a 4,70 reais, ao fim do ano. Seu cenário-base é de “normalização” da economia, diminuição da pandemia e apreciação cambial em outros mercados emergentes, o que se estenderia ao Brasil.

“Dentre os riscos a esse cenário, temos o de uma segunda onda de Covid causar uma recuperação em W”, afirmou.

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Última atualização por Renan Dantas - 30/06/2020 - 20:13