Duas empresas da Bolsa brasileira que são beneficiadas pela mudança tarifária dos EUA, segundo o BTG
WEG (WEGE3) e Embraer (EMBJ3) devem se beneficiar da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou tarifas baseadas no International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), segundo o BTG Pactual.
Desde agosto, a WEG enfrentava taxas de 50% sobre exportações para os EUA, destaca relatório assinado por Lucas Marquiori e equipe. A partir de agora, a companhia brasileira lida com uma cobrança de, no máximo, 15% – que é válida por 150 dias.
No caso da Embraer, a empresa já estava sujeita a tarifas de 10%, porém esse número deve ser reduzido a 0%, ao menos temporariamente, explicam os especialistas do BTG.
Como a decisão da suprema corte beneficia as duas empresas
Agora que a Suprema Corte norte-americana considerou ilegal o uso do IEEPA como fundamento para esse tipo de cobrança, o governo norte-americano adotou a Seção 122 do Trade Act para manter alguma imposição de tarifas.
É dessa forma que o presidente dos EUA, Donald Trump, pode taxar produtos em até 15% pelo período de 150 dias – o país tem determinado uma taxa global de 10%, abaixo do limite.
É por isso que a WEG, produtora de bens como equipamentos eletroeletrônicos, motores elétricos, tintas e vernizes, deixou de enfrentar a taxa de 50%.
A situação da Embraer é diferente, acrescenta o BTG. A empresa estava sujeita a uma cobrança mais baixa em suas exportações para os Estados Unidos, de 10%. Além disso, o setor de aviação foi incluído como item sob investigação nos termos da Seção 232 e, por isso, as tarifas foram zeradas temporariamente.
WEG é a vencedora
Os analistas do BTG veem a WEG como “principal vencedora relativa”. “A companhia ainda dependia de maneira relevante das exportações do Brasil para os EUA e estava exposta à tarifa anterior de 50%. Com a redução para até 15%, acreditamos que o efeito deve ser significativamente positivo para margens daqui em diante”, diz Marquiori.
O analista ainda destaca que a companhia já havia implementado reajustes de preços expressivos para lidar com as tarifas, que dificilmente serão revertidos agora. Esse é mais um aspecto capaz de contribuir com a WEG.
O que aconteceu com as tarifas de Trump
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu na última sexta-feira (20) que o governo não pode mais utilizar o IEEPA como base para impor tarifas a partir de argumentos como déficits comerciais e tráfico de drogas, pois eles não se caracterizam emergência nacional.
Entretanto, tarifas para produtos de setores específicos, como aço, alumínio, automóveis e autopeças continuam vigentes.
Além disso, o governo pode recorrer a outros instrumentos legais para manter sua estratégia em relação a esse tipo de cobrança.
Junto à Seção 122, já utilizada, os analistas do BTG destacam a 301, que dispõe sobre práticas comerciais desleais e a 232, relativa à segurança nacional. Porém, esses processos são mais lentos do que os adotados até agora, acrescentam.
Ainda que a derrubada das taxas baseadas no IEEPA tenha beneficiado países como China, Índia e Brasil, o cenário segue incerto por conta dos outros fundamentos legais que podem ser usados para compensar parte da redução, afirmam os analistas.