Educação: BofA eleva Vitru (VITRU3) para compra e enxerga alta de quase 60% para ações, mas rebaixa Cruzeiro do Sul (CSED3); entenda
O Bank of America (BofA) elevou a recomendação de Vitru (VTRU3) para compra, classificando a ação entre as “Top Picks” do banco juntamente com Ser Educacional (SEER3).
A preferência pela Vitru vem em meio a debates sobre a transição regulatória do setor de educação. O preço-alvo para os papéis VTRU3 também foi elevada de R$ 18 para R$ 21, o que representa um potencial de alta de quase 60% ante ao fechamento da última quinta-feira (11).
Já a boa posição da Ser Educacional foi sustentada pela exposição a cursos com margens mais resilientes, como medicina, diz o banco.
Em relatório, os analistas afirmam que a decisão foi tomada para fortalecer a posição diante de um “cenário macroeconômico mais desafiador”, com uma perspectiva de juros e inflação mais elevados no curto e médio prazo. Isso deve se converter em uma pressão sobre o caixa generalizada no segmento de educação. Na visão do BofA, o resultado operacional superior da Vitru frente aos pares no 1T26 justifica essa classificação.
O banco reforça que “que a expertise da companhia em ensino híbrido é uma vantagem-chave, pois resulta em um gap estratégico menor em relação aos concorrentes”.
Por outro lado, a Cruzeiro do Sul Educacional (CSED3) foi rebaixada para neutra, após os resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26).
Por que a Vitru é a “queridinha” da educação
No caso da Cruzeiro do Sul, a expectativa é de um ano mais desafiador que a concorrência, “apesar de ainda haver geração de caixa atrativa”.
O BofA afirma que os investimentos recentes em tecnologia podem levar até dois anos para gerar retornos, informação indicada pela própria administração da empresa. Para o banco, esse fator, somado ao aumento no prazo médio de recebimento após o fim do modelo de antecipação, devem pressionar as margens de curto prazo.
Assim, o preço-alvo das ações CSED3 foi reduzido de R$ 8,5 para R$4,5.
O relatório ainda avaliou que o cenário macroeconômico pode aumentar os riscos de geração de caixa para outras companhias, como Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3), devido à maior exposição a alunos de menor qualidade de crédito
Já Ânima (ANIM3), com menos estudantes de baixa renda e financiados deve sofrer menos impactos.
A perspectiva do BofA é de que esses efeitos sejam mais visíveis nos resultados de 2027, quando as mudanças regulatórias devem gerar maiores custos para o setor.
*Com supervisão de Renan Sousa.