Cosan (CSAN3), JBS (JBSS32) e mais: As ações do agro que podem bombar em 2026, segundo BofA
Se 2025 foi um ano de disparada para a bolsa, as ações do agronegócio ficaram para trás. Segundo o Bank of America (BofA), o setor na América Latina registrou retorno ponderado positivo de 39% em dólares — 12 pontos percentuais abaixo do MSCI América Latina e 17 pontos atrás do Ibovespa.
O que parece uma notícia negativa, no entanto, pode esconder uma oportunidade. Na avaliação dos analistas do banco, o ciclo de queda dos juros nos Estados Unidos e no Brasil pode funcionar como gatilho para a recuperação dos papéis do setor.
“O segmento de bens de consumo essenciais costuma ter desempenho superior em ciclos de flexibilização monetária. Além disso, a queda das taxas favorece empresas mais alavancadas, como Cosan (CSAN3), Raízen (RAIZ4) e MBRF (MBRF3)”, afirma o BofA.
No Brasil, porém, o principal ponto de atenção são as eleições presidenciais de 2026. O banco lembra que o período eleitoral tende a elevar a volatilidade e afastar investidores, o que historicamente resultou em desempenho misto das ações do setor em pleitos anteriores.
Nesse contexto, o BofA vê a JBS (JBSS32) como uma espécie de proteção dentro do agronegócio. Ao mesmo tempo, os analistas apontam poucos catalisadores de curto prazo para o setor como um todo, diante da pressão sobre os preços das commodities — com exceção da 3tentos (TTEN3), que deve apresentar crescimento robusto com o início das operações de sua usina de etanol de milho.
Cinco temas para o agro brasileiro
No relatório, o Bank of America destaca cinco temas que devem dominar o agronegócio brasileiro nos próximos trimestres:
- Melhora no consumo de bens essenciais em 2026, impulsionada pelo aumento dos gastos eleitorais, possíveis isenções de imposto de renda e a realização da Copa do Mundo;
- Custos mais favoráveis, sustentados pela desaceleração da inflação, dólar mais fraco e preços de commodities estáveis ou em queda, especialmente açúcar, ração animal, PET e agave;
- Normalização das margens do frango e resiliência das margens dos frigoríficos no Brasil, enquanto a compressão nos EUA tende a ser limitada;
- Alocação de capital mais eficiente, com o início do ciclo de corte de juros no Brasil;
- Visão cautelosa para o setor, diante da pressão sobre preços de commodities, favorecendo empresas com histórias claras de crescimento.
Quais ações o BofA prefere?
Entre as empresas brasileiras, o BofA tem preferência por JBS, Cosan (CSAN3) e 3tentos.
No caso da JBS, os analistas destacam o forte impulso de lucros, a diversificação da plataforma e uma avaliação considerada atrativa.
Já a Cosan, apesar do momento turbulento na bolsa, pode se beneficiar da redução do endividamento após o aumento de capital realizado em 2025.
Por fim, a 3tentos é vista como uma história sólida de crescimento, com taxa de crescimento anual composta (CAGR) do Ebitda estimada em 26% entre 2025 e 2028.