Coluna
AgroTimes

Em tempos de tarifaço de Trump, o agronegócio deve domar a montaria e dançar ao ritmo do ‘Barretão’

30 ago 2025, 11:00 - atualizado em 29 ago 2025, 15:05
agronegocio-tarifaco-trump-festa-do-peão
(Foto: iStock - Global_Pics)

Estamos em dias de “Barretão” como é chamada a maior festa de peão do Brasil. Frei Gilson rezou e caprichou na benção ao público presente na arena. Ana Castela, como sempre, arrastou e embalou as multidões na festa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Chapéus, botinas e muita gente bonita e trabalhadora tem aproveitado o clima do “bailão” para reafirmar o orgulho de pertencer ao setor que aponta o caminho para o nosso “Brasilzão sem porteira”.

  • LEIA MAIS: Dividendos no radar: enquanto empresas do agronegócio sofriam, essa ação foi às compras e está se destacando pelo potencial de proventos; entenda

Nesse clima de modão de viola, esse colunista, mais uma vez aproveita para entoar daqui dessa coluna com força total a cantoria dos fundamentos do agronegócio brasileiro.

A intenção é não deixar dúvidas de que o momento, apesar de desafiador, ainda nos mostra que ventos “gelados” bafejando do norte o nosso setor, não serão suficientes para derrubar o agronegócio brasileiro da montaria.

Os nossos produtores rurais seguirão firmes em direção a mais empreendedorismo, ao aumento da produtividade, ao respeito às normas ambientais, ao bom ambiente de negócios, conduzindo a nossa gente e as futuras gerações de todo o mundo à segurança alimentar, ao emprego, arrecadação de impostos e a um meio-ambiente saudável, fundamentais para a humanidade. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O tarifaço de Trump faz a montaria corcovear, mas não derruba o peão

É claro, que o tarifaço, adicional de 40% de tributos incidentes na importação de muitos dos produtos do agro brasileiro vendidos para clientes nos EUA, impostos por Donald Trump, em adição aos 10% regulamentares que já haviam sido estabelecidos genericamente a diversos países com os quais os EUA fazem negócios; desorganizou algumas importantes cadeias de produção do setor.

A medida levou à necessidade de reitineração de produtos e a significativa queda das vendas e preços de alguns desses produtos. Mel, frutas, carnes bovinas etc. são alguns exemplos.

Entretanto, apesar da contração que impactará esses setores, algumas alternativas estão sendo tratadas pelo governo como, por exemplo, as vendas de carne a importadores no México, aquisição de pescados pelo Governo Brasileiro, além de mel e frutas.

Enfim, troca-se preço de exportação por novos contratos e novos preços tabelados nesses novos contratos, inclusive nas aquisições pelo governo federal no âmbito do Plano Brasil Soberano.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Além disso, o redesenho de logísticas, certificações e outras exigências serão obviamente necessárias o que faz com que o efeito do tarifaço ainda perdure.

Mas por outro lado, novos programas de governo, novos destinos de mercadorias e produtos agropecuários, além de novas garantias, moedas etc. em operações de exportação serão testadas e ainda dependem de tempo para implementação.

O Plano Brasil Soberano

Ademais, parte das compras governamentais para os setores afetados virão do chamado Plano Brasil Soberano que, em suma, implica em:

  • Concessão de R$ 30 Bilhões em créditos para os setores mais afetados;
  • Amplia as garantias à exportação;
  • Diferimento de tributos federais para as empresas cujas vendas tenham sido afetadas pelo tarifaço dos EUA;
  • Compras publicas de produtos sobretaxados por municípios, estados e União Federal nas tabelas e critérios dos governos;
  • Modernização do sistema de exportação, Reintegra etc;
  • Garantia de empregos nos setores afetados;
  • Reativação da diplomacia comercial e foco no multilateralismo.

São medidas que podem ser consideradas como um “band-aid” para tentar estancar a “sangria” de um corte profundo  no momento zero, mas que podem surtir algum efeito se devidamente combinadas com reação diplomática e negociações mais assertivas com os próprios EUA – se o governo norte-americano ainda estiver querendo negociar algo, repise-se.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mas, principalmente, podem apontar novos caminhos e oportunidades no exterior para os produtos agropecuários brasileiros já que o mundo não vai parar de se alimentar e nem deixar de buscar energia limpa ou produtos agroambientais derivados da preservação ambiental do agro brasileiro.

Claro que também há agravamento do quadro fiscal já deteriorado do orçamento público federal com a disponibilização de parcos recursos que, já na negociação e disponibilização do Plano Safra, já haviam sido objeto de análise nesta coluna, porém a inevitabilidade de uma reação traz a necessidade desse esforço fiscal adicional para a situação o que, a rigor, impacta negativamente as expectativas de baixas dos juros Selic.

Produção, PIB e Financiamento ao Agronegócio 

Ademais os números do agronegócio do primeiro semestre, ao menos em termos de expectativas já afetados pelo tarifaço e certamente por outros fatores conjunturais negativos, tais como os juros altos do Plano Safra 25/26, aumentos dos riscos de crédito no agronegócio, baixa execução do plano safra vigente etc. continuam a embalar as expectativas do setor para um momento que exige cuidados, mas também conta com fatores estruturais muito robustos, tais como:

  • Expectativa de produção, segundo a CONAB, de mais um recorde de 345 milhões de toneladas de grãos;
  • Crescimento do PIB do setor em 6,49% no primeiro trimestre segundo a Confederação Nacional da Agropecuária – CNA;
  • Aumento do volume (estoques) de financiamento privado ao agronegócio, segundo o boletim de finanças do agronegócio do MAPA de R$ 1.2 trilhão em maio de 2.025 para cerca de R$ 1.35 trilhão em agosto de 2.025, variação positiva da ordem de 13% em média entre todos os tipos de títulos e veículos de financiamento (CPR, CDCA, CRA, LCA e Fiagro);
  • Busca de operações de associação e de ganho de escala em vários dos setores de produção, afetados mais diretamente ou não pela conjuntura mais adversa com operações de M&A (compra e venda de empresa, associações etc.), atuação das autoridades antitruste na moratória da soja, interiorização das operações de mercado de capitais no setor, dentre outros fatores;
  • Otimismo de grandes gestoras estrangeiras com os fundamentos do agronegócio brasileiro, aplicação de IA e outras ferramentas com efeitos no longo prazo.

O Bailão do agro vai seguir produzindo riquezas para o país

Nessa seara, imaginamos que o “Bailão do Agro” representado pela Festa do Peão de Barretos e pelas multidões que lá se divertem, ainda deve embalar muitos brasileiros e, por conseguinte, muitos negócios promissores no campo, tanto dentro quanto fora da porteira, e até nas cidades e mercados internacionais que se reposicionarão diante das mudanças geopolíticas e no mercado internacional aceleradas pelo tarifaço.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Também é certo que o período eleitoral para 2026 se iniciou na festa em Barretos, com vários presidenciáveis se acotovelando nos palcos em busca da ribalta e do protagonismo na oposição ao atual governo.

Certamente, muito importante acompanharmos de perto esses fatores já que em uma conjuntura mais desafiadora, as políticas publicas vão exercer um papel cada vez mais relevante para o setor, principalmente em se considerando as próximas safras. Segura peão!!

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
André Ricardo Passos de Souza, é sócio-fundador do PSAA - Passos e Sticca Advogados Associados -, com MBA em Finanças e Mercado de Capitais pela MP Consultoria/Banco BBM, LLM em Direito do Mercado Financeiro e de Capitais pelo IBMEC, bacharel em direito pela UERJ. Professor nos programas de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Conselheiro Fiscal da Beneficência Portuguesa de São Paulo.
andre.passos@moneytimes.com.br
André Ricardo Passos de Souza, é sócio-fundador do PSAA - Passos e Sticca Advogados Associados -, com MBA em Finanças e Mercado de Capitais pela MP Consultoria/Banco BBM, LLM em Direito do Mercado Financeiro e de Capitais pelo IBMEC, bacharel em direito pela UERJ. Professor nos programas de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Conselheiro Fiscal da Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Quer ficar por dentro de tudo que acontece no mercado agro?

Editoria do Money Times traz tudo o que é mais importante para o setor de forma 100% gratuita

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar