Embraer (EMBJ3) lidera altas do Ibovespa após números do 2T26; CEO vê lucratividade crescendo mais do que receitas nos próximos anos
As ações da Embraer (EMBJ3) são o destaque positivo do Ibovespa (IBOV) nesta segunda-feira (10), com um salto de mais de 9% apenas na primeira hora de pregão. O desempenho ocorre em reação ao balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26), que mostrou avanço de 25% no lucro líquido, para R$ 1,11 bilhão.
Por volta de 11h25 (horário de Brasília), as ações subiam 5,87%, cotadas a R$ 97,92. Na máxima do dia, até esse horário, o salto chegou a 9,40%, a R$ 101,22. Acompanhe o tempo real.
O lucro líquido ajustado é uma medida não-GAAP, calculada pela soma do lucro líquido atribuível aos acionistas da Embraer mais o ajuste para itens não recorrentes. No caso, a companhia excluiu itens extraordinários de R$ 29,4 milhões referentes aos resultados da Eve, em comparação a R$ 890,3 milhões no mesmo período do ano anterior.
De acordo com a Embraer, o aumento do resultado foi impulsionado principalmente por um forte desempenho operacional e despesas financeiras líquidas menores, fatores que foram parcialmente compensados por impostos mais elevados no período.
O CEO da fabricante brasileira de aeronaves, Francisco Gomes Neto, chamou atenção para a busca por aumento de lucratividade por meio de ajustes na linha de produção, durante teleconferência de resultados realizada mais cedo nesta segunda.
“Temos avançado com ganhos de eficiência em toda a organização para garantir que teremos o custo estrutural correto para sustentar o negócio”, afirmou. A partir disso, o executivo defende que a lucratividade deve crescer mais do que a receita nos próximos anos.
A exemplo desse movimento, Gomes Neto cita os jatos executivos Prator, que há cinco anos demandavam cerca de 18 meses pra produção, tempo que hoje está em torno de 8,5 meses.
A administração da companhia espera que a Embraer alcance em 2030 uma capacidade de produção de 110 a 120 aviões comerciais por ano, e que a produção melhore em 2027 em termos de nivelamento.
Atualização de estimativas
A Embraer atualizou as suas estimativas (guidance) junto com a divulgação do balaço do segundo trimestre, uma vez que a administração acredita que as estimativas anteriores não representam mais oportunidades e riscos equilibrados para as operações do ano vigente.
Do ponto de vista operacional, a Embraer estima entregas na Aviação Comercial entre 80 e 85 aeronaves (inalterado), e na Aviação Executiva entre 160 e 170 aeronaves (inalterado).
Na perspectiva financeira, receita na faixa de US$ 8,2 a US$ 8,5 bilhões (inalterado), margem Ebit ajustada entre 10,0% e 10,6% (acima da faixa anterior de 8,7% a 9,3%) e fluxo de caixa livre ajustado de US$ 400 milhões ou maior (acima da estimativa anterior de US$ 200 milhões ou maior) para o ano.
De acordo com o CFO da companhia, Felipe Santana, o ajuste de guidance foi motivado pela combinação de créditos tarifários sobre as tarifas americanas recebidos no trimestre, o fim da tributação direta melhoria do panorama geral de negócios, indo além do que a empresa esperava em trimestres anteriores.
2T26 da Embraer
O Ebitda (luco antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, que mede o desempenho operacional, chegou a R$ 1,81 bilhão no período de abril a junho deste ano, ante R$ 1,39 bilhão registrado no segundo trimestre de 2025. A margem Ebitda ajustada ficou em 16%.
Já o Ebit (lucro antes de juros e impostos) ajustado totalizou R$ 1,51 bilhão no trimestre, crescimento sobre os R$ 1,08 bilhão reportados pela Embraer um ano antes. A margem Ebit ficou em 13,4%.
A companhia afirma que as tarifas de importação dos Estados Unidos totalizaram US$ 8 milhões durante o trimestre e a empresa registrou um crédito tributário extraordinário de US$ 68 milhões. Excluindo os impactos das tarifas e do crédito tributário extraordinário, a margem Ebit ajustada teria sido de 10,6% no 2T26
As receitas totalizaram R$ 11,3 bilhões no segundo trimestre do ano, um recorde para um segundo trimestre da fabricante de aeronaves, um aumento de 10% na comparação anual.
O fluxo de caixa livre ajustado da Embraer, individualmente, foi de R$ 2 bilhões no 2T26, impulsionado principalmente por um desempenho operacional mais forte, adiantamentos recebidos de clientes relacionados a vendas (ou seja, associados a passivos contratuais) e créditos fiscais extraordinários.