Comprar ou vender?

JP Morgan vê ação de energia subestimada e aponta potencial de alta; saiba qual

07 abr 2026, 16:02 - atualizado em 07 abr 2026, 16:02
Eneva termelétricas
(Imagem: Divulgação)

O J.P Morgan elevou o preço-alvo para as ações da Eneva (ENEV3) de olho no potencial de crescimento da companhia que, em sua avaliação, está subestimado.

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As críticas mais recorrentes à tese de investimento da Eneva giram em torno de dois pilares que costumam rondar grandes histórias de crescimento no setor elétrico: expectativas elevadas antes da alocação de capital e riscos de execução depois que os projetos saem do papel.

Antes do mais recente leilão de capacidade, o mercado já embutia um grau considerável de otimismo em relação à companhia – um cenário que, por si só, costuma estreitar o prêmio de risco e aumentar a sensibilidade a frustrações.

Do outro lado, o robusto plano de investimentos de cerca de R$ 18 bilhões previsto para o período entre 2026 e 2031 levanta questionamentos naturais sobre a capacidade de execução, especialmente em um setor conhecido por desafios operacionais e intensivo em capital.

Ainda assim, na leitura do J.P Morgan, esses receios podem estar sendo precificados de forma excessivamente conservadora. O banco destaca que a taxa interna de retorno real estimada em 10,5%, sugere que o mercado pode estar penalizando demais os riscos de execução, ao mesmo tempo em que subestima a opcionalidade de crescimento da companhia.

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Em outras palavras, o que para parte dos investidores soa como um campo minado de incertezas, para o banco pode representar uma assimetria interessante entre riscos conhecidos e já incorporados no preço, frente a um potencial de expansão que ainda não aparece por completo nas projeções.

Caso raro no setor

O banco ressalta que para uma empresa do setor de utilities, destravar mais de 10% em um único movimento de alocação de capital é raro e a Eneva conseguiu ir além. Segundo o banco, a companhia deve gerar cerca de R$ 20 bilhões em valor presente líquido (VPL) a partir de um investimento estimado em R$ 14 bilhões, o que implica uma criação de valor significativa. Na prática, isso representa um avanço superior a 30% no valor econômico associado a esse ciclo de alocação de capital.

Esse salto é explicado, em grande parte, pelo posicionamento estratégico da empresa. Diferentemente de pares mais expostos a fontes renováveis ou a receitas mais voláteis, a Eneva concentra mais de 90% de sua operação no gás natural, combinando produção própria com geração térmica. Além disso, boa parte do crescimento está ancorada em contratos de longo prazo, com receitas previsíveis e menor exposição a oscilações de preço, o que reforça a visibilidade de caixa e sustenta retornos mais robustos ao longo do tempo.

Por esses motivos, o JP Morgan reforça a sua posição no papel e mantém a recomendação de compra e avalia um crescimento médio de Ebitda (métrica usada para avaliar a geração de caixa de uma empresa) de cerca de 20% ao ano em 5 anos.

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Existem riscos, claro

O banco chama atenção para os riscos baixistas para a ação como a possibilidade de estouro de custos nos projetos. Em um plano intensivo em capital, como o da companhia, desvios no capex podem pesar rapidamente na equação: a cada aumento de 10% nos investimentos, o valor presente líquido pode cair cerca de 2%.

Outro ponto de atenção está na carga tributária. Mudanças ou elevações de impostos sobre os projetos, especialmente os chamados greenfield, podem reduzir a atratividade dos investimentos e pressionar as margens ao longo do tempo.

A alavancagem também entra no radar. Após uma sequência de aquisições e com um ciclo robusto de expansão pela frente, a Eneva tende a operar com níveis mais elevados de endividamento. Caso a geração de caixa não acompanhe esse movimento, o balanço pode ficar mais pressionado, aumentando o risco financeiro.

Há ainda fatores estruturais ligados ao modelo de negócio. Como a companhia depende da exploração de gás natural, uma eventual redução mais rápida do que o esperado nas reservas pode comprometer a operação das usinas e limitar o crescimento futuro. Soma-se a isso o risco regulatório e ambiental, a eventual implementação de impostos sobre carbono no Brasil teria impacto mais relevante na Eneva do que em concorrentes com matriz mais renovável.

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Por fim, o banco destaca as pressões crescentes ligadas à agenda ESG. Empresas com maior exposição a combustíveis fósseis tendem a enfrentar maior escrutínio de investidores, o que pode afetar tanto a percepção de risco quanto o acesso a capital no longo prazo.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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