Engie (EGIE3) aprova oferta de ações e prevê incorporar fatia de R$ 5,7 bilhões na Jirau
A Engie Brasil (EGIE3) aprovou uma oferta pública primária de ações que poderá viabilizar a incorporação de uma participação de 40% na Jirau Energia, avaliada em R$ 5,744 bilhões. A operação tem como objetivo ampliar o portfólio da companhia e captar recursos para investimentos e compromissos financeiros.
A aprovação ocorreu em reunião do conselho de administração nesta quarta-feira (10), mas a conclusão da oferta ainda depende do aval dos acionistas em assembleia geral extraordinária marcada para 2 de julho.
Pela estrutura proposta, a Engie Brasil Participações (EBP), controladora da companhia, poderá integralizar sua parcela na oferta mediante contribuição de bens, por meio da transferência da totalidade de sua participação de 40% na Jirau Energia para a Engie Brasil Energia. Com isso, a companhia passará a deter diretamente essa participação societária na concessionária da Usina Hidrelétrica Jirau, enquanto a controladora receberá ações de emissão da própria Engie Brasil Energia.
O laudo de avaliação elaborado pela Apsis atribuiu à fatia da Jirau um valor justo entre R$ 5,39 bilhões e R$ 5,93 bilhões, com valor intermediário de R$ 5,66 bilhões. Após atualização pelo CDI até 30 de junho de 2026, o montante utilizado para a integralização foi fixado em R$ 5,744 bilhões.
Segundo a companhia, a operação permitirá a integração da Jirau ao seu portfólio ao mesmo tempo em que viabiliza a captação de recursos no mercado para fazer frente a compromissos financeiros existentes e futuros investimentos.
50 unidades geradoras em operação
A Jirau Energia é a concessionária da Usina Hidrelétrica Jirau, localizada no rio Madeira, em Rondônia. O empreendimento possui 50 unidades geradoras em operação e capacidade instalada de 3.750 megawatts (MW).
A Engie destaca que a incorporação da participação ampliará sua capacidade de geração instalada por meio da aquisição de um ativo já operacional, sem necessidade de financiamento ou aumento adicional de endividamento.
A oferta será realizada sob o rito de registro automático da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com esforços de distribuição no Brasil e no exterior. Itaú BBA e Santander atuarão como coordenadores da operação.
Caso a oferta seja implementada, os acionistas da Engie terão direito de prioridade para subscrever as novas ações na proporção de suas participações atuais, preservando suas fatias no capital da companhia e evitando diluição.
A efetivação da operação ainda depende da aprovação, em assembleia, da contratação da avaliadora e do laudo de avaliação da participação na Jirau, além das condições de mercado e demais aprovações necessárias. A controladora EBP se absterá de votar nas deliberações relacionadas ao laudo.
A companhia informou ainda que decidiu descontinuar a divulgação de projeções financeiras (guidance), alinhando suas práticas às exigências regulatórias aplicáveis a ofertas públicas de valores mobiliários no Brasil e no exterior. Segundo a empresa, estimativas e declarações futuras não devem ser interpretadas como garantia de resultados.