Educação

Ensino superior: descubra por que o EaD “explodiu” no Brasil

19 mar 2026, 18:01 - atualizado em 19 mar 2026, 18:01
pessoa digitando em um notebook com um caderno ao lado
Imagem: Unsplash

O ensino superior no Brasil passa por uma transformação profunda — e os dados mais recentes confirmam essa tendência. A 16ª edição do Mapa do Ensino Superior, divulgada nesta quinta-feira (19) pelo Semesp, revela que a educação a distância (EaD) segue em expansão, enquanto os cursos de tecnologia ganham cada vez mais espaço entre os estudantes.

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Atualmente, o país soma 10,23 milhões de matrículas no ensino superior. Desse total, 79,8% estão concentradas na rede privada, o que reforça o protagonismo do setor na formação universitária.

Entre 2023 e 2024, os cursos de Computação e Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) foram os que mais cresceram no Brasil. No ensino presencial da rede privada, a alta foi de 9,2%. Já na educação a distância, o avanço chegou a 12,5%.

EaD “engole” o ensino noturno

A educação a distância se consolidou como a principal modalidade de ingresso no ensino superior. Em 2024, 73,5% dos novos alunos optaram pelo EaD, enquanto apenas 18,2% ingressaram no ensino presencial noturno.

Em comparação, em 2014, o cenário era completamente diferente: o presencial noturno representava 53,2% das matrículas, contra 26,7% da EaD.

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Além da mudança no formato, o perfil dos estudantes também é distinto:

  • No ensino presencial, 61,9% dos alunos têm até 24 anos;
  • No EaD, apenas 26,1% estão nessa faixa etária;
  • A maioria dos estudantes do EaD tem entre 30 e 49 anos.

Os números mostram que a educação a distância passou a atender principalmente trabalhadores que precisam conciliar estudo e renda.

Outro ponto relevante é que 97,3% dos novos alunos do EaD estão na rede privada, evidenciando o domínio do setor nessa modalidade.

Crescimento do ensino superior desacelera

Apesar da expansão, o ritmo de crescimento perdeu força.

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O total de matrículas no ensino superior avançou 2,5% entre 2023 e 2024, abaixo dos 5,6% registrados no período anterior.

Na rede privada, o crescimento foi de 3,2%, também em desaceleração. Segundo o estudo, isso ocorre principalmente por causa do avanço mais lento da educação a distância.

Evasão no ensino superior segue alta

Enquanto isso, a evasão continua sendo um dos principais desafios do ensino superior no Brasil.

Nos cursos presenciais, a taxa total foi de 24,8% em 2024. Na rede privada, o índice chegou a 26,6%, acima da rede pública (21,4%).

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Já na educação a distância, os números são ainda mais preocupantes:

  • Evasão total: 41,6%
  • Rede privada: 41,9%
  • Rede pública: 32,2%

Esse é o maior índice de evasão da série histórica do setor privado desde 2014.

Sudeste lidera matrículas no ensino superior

A distribuição regional mostra que o Sudeste concentra mais de 4,5 milhões de matrículas, com crescimento de 3,2% em relação a 2023. Além disso, 51,7% dos estudantes da região estão no EaD.

Veja o panorama por região:

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  • Nordeste: 2,2 milhões de matrículas (+3,2%)
  • Sul: 1,75 milhão (+0,6%)
  • Centro-Oeste: 905 mil (+1,9%)
  • Norte: 863 mil (+2%), com predominância do ensino presencial

Debate sobre qualidade e expansão do EaD

O avanço da educação a distância também levanta questionamentos. Para o sociólogo Simon Schwartzman, a expansão pode ter sido excessiva e deveria ser acompanhada por maior oferta de vagas no ensino público.

“Acredito que a expansão do ensino a distância, que hoje atende a metade ou mais dos estudantes, foi excessiva, e que o setor público deveria ser capaz de oferecer muito mais vagas do que oferece, se se dedicasse de maneira mais sistemática à sua função primordial que é a de ensinar”, afirma.

Por outro lado, a professora Maria Ligia Barbosa chama atenção para a necessidade de regulação e para o papel das instituições presenciais.

“As faculdades apresentaram uma retração notável nos últimos anos. Mas, pelo seu espalhamento no território nacional, pelo tipo de curso presencial e noturno, pela oferta de formação de professores, elas representam um tipo institucional de difícil substituição”, diz.

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*Com informações do Estadão Conteúdo

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