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Entrevista: Marcopolo (POMO4) busca crescimento na América Latina para enfrentar desaceleração no Brasil

27 mar 2026, 11:27 - atualizado em 27 mar 2026, 11:27
André Armaganijan, diretor executivo da Marcopolo, uma das maiores fabricantes de ônibus do mundo com operações em vários continentes, durante uma entrevista à Reuters na sede da empresa em Caxias do Sul, Brasil, em 25 de março de 2026. REUTERS/Diego Vara

A fabricante de carrocerias de ônibus Marcopolo (POMO4) aposta no crescimento das vendas de ônibus produzidos no Brasil a países da América Latina para contrapor uma desaceleração prevista para o mercado brasileiro.

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“A Argentina foi um dos grandes mercados de exportação para nós (em 2025) e em 2026 começamos a ver outros mercados interessantes (na América Latina)”, disse presidente-executivo da companhia, André Armaganijan, em entrevista à Reuters.

Ele citou um mercado aquecido no Peru e Bolívia, mas também vê oportunidades no Paraguai.

No ano passado, os negócios internacionais, que incluem tanto a exportação quanto as vendas realizadas no exterior, foram responsáveis por 45,4% da receita líquida total da Marcopolo, ante 36,3% em 2024.

A receita com exportações a partir do Brasil cresceu 31%, para R$1,1 bilhão, enquanto a receita das unidades produzidas no exterior avançou 32%, para quase R$3 bilhões.

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A companhia continua enxergando as vendas no exterior como um componente relevante para os resultados, avaliando que a diversificação proporciona flexibilidade ao grupo, com a alta em algum mercado compensando a queda em outro.

“É importante para a empresa buscar no mercado internacional, mais uma vez como foi em 2025, um volume que preencha as nossas operações”, disse Armaganijan.

Flexibilidade operacional

Trabalhador na linha de produção de carrocerias de ônibus na fábrica da Marcopolo, uma das maiores fabricantes de ônibus do mundo, com operações em vários continentes, em Caxias do Sul, Brasil, em 25 de março de 2026. REUTERS/Diego Vara

O modelo de negócio da Marcopolo no exterior se baseia em três formatos: venda do veículo ônibus montado, parcialmente montado ou envio do veículo completamente desmontado.

As modalidades, segundo o diretor de operações internacionais e comerciais José Góes, dão flexibilidade operacional e fiscal para entrar em mercados com um baixo investimento inicial e depois estudar parcerias locais.

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“Na América Latina, praticamente todos os ônibus saem das três fábricas aqui do Brasil. Em 2025, foram mais de 2 mil carros exportados (dessas fábricas)”, afirmou.

De acordo com o executivo, todos os veículos vendidos para Chile e Peru — o primeiro e o terceiro maiores compradores da Marcopolo na América Latina, respectivamente — foram completos.

Na Argentina, a proporção é de 70% completos e 30% parcialmente montados.

Góes ponderou que, embora o ônibus completo perca competitividade devido aos custos de frete e ausência de benefícios locais, o menor investimento permite um balanceamento de operação por operação.

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Ele destacou também os planos da Marcopolo para o mercado europeu, onde a empresa está em processo de homologação de produto e realizou parceria com a Volvo.

“O projeto Europa começa com o ônibus saindo completo daqui. Vamos testar o mercado, receber feedback, etc. Em uma segunda fase, vamos fazer parte do ônibus aqui, parte lá. Vamos futuramente ter algum sócio local para terminar o ônibus lá.”

Portugal, Espanha, Itália e França estão no foco inicial da empresa naquele continente.

Armaganijan acrescentou que o grupo vem criando plataformas globais para os seus veículos nas 11 fábricas distribuídas em sete países, produzindo os mesmos produtos em diferentes unidades da empresa.

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“Isso permite também mais uma flexibilidade de ‘ora eu posso exportar do Brasil para o mercado, ora eu posso exportar do México para outro mercado’.”

Programas devem apoiar vendas

De acordo com o presidente-executivo da Marcopolo, a perspectiva no setor de que o mercado de carrocerias brasileiro deve ter um desempenho ainda modesto está atrelada particularmente ao prolongado período de juros elevados, que está adiando a renovação de frota.

Ele citou, contudo, que programas do governo federal ainda podem apoiar as vendas locais.

“Nós começamos o ano com o resquício do programa Caminho da Escola da última licitação (com entrega pendente de 700 a 800 veículos). E estamos produzindo 1.500 carros para o programa do Ministério da Saúde…que é um programa também interessante que nos ajuda nesse primeiro semestre do ano”, detalhou.

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Ele disse que o Ministério da Saúde está trabalhando em um novo edital de cerca de 7.500 micro-ônibus, que serão usados no transporte de pacientes para a realização de exames.

Historicamente, a Marcopolo tem vencido cerca de 50% dos editais, disse o CEO, destacando que no futuro também existirá a necessidade de renovação da frota.

Em 2025, a receita líquida no Brasil caiu quase 10%, a R$4,95 bilhões em relação ao ano anterior, enquanto foram produzidas 10.861 unidades, uma queda de 8,3% ano a ano.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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