Entrevista

Entrevista: O que fez a Tenda (TEND3) entrar na Faixa 4 do MCMV e quais são as expectativas, segundo CFO

28 set 2026, 7:00
Luiz Mauricio de Garcia, CFO da Tenda (TEND3)
Luiz Mauricio de Garcia, CFO da Tenda (TEND3) (Imagem: divulgação)

Tradicionalmente conhecida por atuar nas Faixas 1 e 2 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), a construtora Tenda (TEND3) espera que os empreendimentos voltados às Faixas 3 e 4 do programa habitacional representem, no futuro, cerca de um terço de seus lançamentos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O movimento faz parte da estratégia da empresa de diversificar o mix e ampliar o mercado endereçável para além das famílias de menor renda, nas quais historicamente concentra sua atuação, conforme contou ao Money Times Luiz Maurício, CFO da incorporadora.

A companhia, inclusive, ingressou de vez na Faixa 4 do MCMV na última semana com o lançamento do projeto “Aruna Patamares”, em Salvador (BA), que possui Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 500 milhões e é o primeiro da construtora na categoria.

À reportagem, o executivo contou que a escolha foi estimulada pela identificação de uma procura relevante por imóveis desse perfil.

“A decisão de entrar [na Faixa 4] foi motivada pela forte demanda identificada nessa faixa em algumas das praças onde a Tenda atua, somada à ampliação do Minha Casa, Minha Vida, que passou a contemplar esse público”, afirmou Maurício.

“A mudança amplia o mercado endereçável da companhia e abre uma oportunidade de atender famílias com um perfil de renda e expectativas diferentes daquele tradicionalmente concentrado nas Faixas 1 e 2”, acrescentou.

Regras do MCMV

Em um breve resumo, a Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida foi implementada pelo governo federal em maio de 2025.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na época, a modalidade passou a atender famílias com renda mensal bruta de até R$ 12 mil, com possibilidade de financiamento de imóveis de até R$ 500 mil com juros menores do que os praticados no mercado.

Em abril deste ano, contudo, houve uma atualização nos limites do programa, que elevou o limite de renda para R$ 13 mil, enquanto o teto da residência financiável subiu para R$ 600 mil.

Além da Faixa 4, o MCMV possui as seguintes categorias:

  • Faixa 1: para famílias que ganham até R$ 3.200;
  • Faixa 2: até R$ 5.000;
  • Faixa 3: até R$ 9.600.

O novo mix da Tenda

Para a Tenda, a entrada na Faixa 4 não é uma iniciativa isolada de marcar presença na categoria de maior renda. Isso porque, à reportagem, o CFO contou que a construtora já vinha aumentando sua atuação na Faixa 3 há algum tempo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

De fato, os números do balanço mais recente, referente ao segundo trimestre de 2026 (2T26), mostram que 27% das vendas contabilizadas no período foram destinadas ao público da Faixa 1, enquanto 49% corresponderam à Faixa 2 e 24%, à Faixa 3.

Dois anos antes, no 2T24, a Faixa 1 respondia por 55% das vendas, a Faixa 2 por 35% e a Faixa 3, por 10%.

Ou seja, houve um salto de 14 pontos percentuais endereçado à classe média.

“A companhia vive hoje um bom momento, mas queremos preservar a disciplina na avaliação de novas oportunidades. Nesse contexto, a Faixa 4 amplia o leque de atuação e nos permite capturar diferentes oportunidades dentro do MCMV, de acordo com as condições de mercado e com o retorno de cada produto”, afirmou Maurício.

VGV bruto por faixa de renda da Tenda (Imagem: reprodução/ balanço Tenda)

O CFO ressaltou que a estratégia de avançar para produtos de maior valor não tem como objetivo “simplesmente” elevar o tíquete médio da construtora. Segundo ele, o foco é também “alocar capital de forma eficiente”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Em relação à velocidade de vendas, nossa expectativa é de um desempenho compatível com o ritmo que a companhia vem observando atualmente, sempre com disciplina comercial e atenção à rentabilidade do projeto”, afirmou.

Primeiro projeto na Faixa 4

Maurício destacou ainda que o Aruna Patamares, o primeiro projeto da Tenda na Faixa 4, terá um papel importante de aprendizado sobre o novo público e suas expectativas em relação ao produto.

Segundo o CFO, para atender essas expectativas, o empreendimento terá áreas de lazer como piscinas, espaço fitness, quadra de areia e salão de festas, com unidades em torno de R$ 400 mil — abaixo, portanto, do preço máximo permitido pela Faixa 4.

“O Aruna foi desenvolvido com atributos de produto alinhados às expectativas do público da Faixa 4. São 1.143 apartamentos de dois quartos, distribuídos em quatro torres, todos com varanda a partir do primeiro andar e infraestrutura para instalação de ar-condicionado”, afirmou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Questionado como o padrão de acabamento e uma estrutura de lazer superiores aos empreendimentos tradicionais da Tenda impacta o custo de construção por unidade, o executivo pontuou que o projeto foi elaborado dentro do modelo de industrialização da companhia.

“O Aruna foi desenvolvido com atributos de produto alinhados às expectativas do público da Faixa 4 […] O projeto foi desenvolvido dentro do nosso guarda-chuva da industrialização, de forma que temos conforto em relação ao custo de construção”, disse.

“A padronização dos processos e o ganho de escala ajudam a mitigar os impactos desses diferenciais no custo unitário, assegurando a eficiência e a rentabilidade do projeto”, acrescentou.

Já quando foi perguntado se a companhia tem uma meta de VGV na Faixa 4 para os próximos 12 meses, Maurício preferiu não apresentar números.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Mais do que estabelecer uma meta específica de VGV para a Faixa 4, nosso foco está em capturar essa oportunidade de forma disciplinada, mantendo os critérios de rentabilidade, velocidade de vendas e retorno que orientam a estratégia da Tenda.”

Identificação da demanda

O CFO também explicou que a demanda por imóveis de maior valor foi identificada a partir de uma combinação de fatores, e não de um único indicador.

De acordo com ele, a companhia realiza pesquisas recorrentes com o público-alvo e cruza essas informações com dados de mercado, dinâmica de vendas, capacidade de compra das famílias e movimentações da concorrência.

“Esse conjunto de sinais vem mostrando espaço para produtos em uma faixa de preço mais alta, especialmente diante da ampliação das condições de acesso à habitação proporcionada pelo programa.”

Juros ainda pesam sobre comprador

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em relação ao financiamento, o CFO afirmou que a Faixa 4 possui uma condição específica dentro do Minha Casa, Minha Vida, com taxa de juros competitiva em relação às condições disponíveis no mercado.

“Isso é um elemento importante para viabilizar o acesso desse público ao imóvel”, ressaltou.

Ainda assim, o executivo reconheceu que o cenário de juros altos continua influenciando a decisão de compra das famílias.

“O ambiente de juros elevados ainda influencia a decisão de compra das famílias de maneira mais ampla, seja pelo comprometimento de renda, pelo custo do crédito em geral ou pela necessidade de formação de renda para a entrada”, disse.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Acompanhamos de perto a capacidade de compra desse consumidor, as condições de financiamento e a adequação do produto à renda”, acrescentou.

‘Público diferente’

A Tenda também reconhece que a dinâmica de venda para o público da Faixa 4 é diferente daquela observada nas Faixas 1 e 2.

Segundo o CFO, a companhia levou em consideração características como perfil de renda, jornada de compra, percepção de valor e comportamento comercial desse consumidor desde o início do projeto.

Já quando questionado sobre possíveis diferenças na velocidade de vendas, nos repasses, na inadimplência ou nos distratos em relação às demais categorias do MCMV, o executivo ponderou que fará um monitoramento.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Seguimos acompanhando esses indicadores com a mesma disciplina que aplicamos ao restante da operação. Cada movimento é feito com foco em crescimento sustentável, qualidade das vendas, rentabilidade e adequada gestão de risco”, afirmou.

“A expansão para esse público precisa fazer sentido econômico para a companhia e preservar os critérios de retorno que orientam nossas decisões”, acrescentou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar