Imigração

Esse país é um dos melhores do mundo para se viver — e fará um referendo para decidir se limita ou não o número de moradores

12 fev 2026, 15:09 - atualizado em 12 fev 2026, 15:09
Partido conservador promove referendo para limitar a população da Suíça que polariza eleitores e traz preocupações para empresários / Imagem: iStock.com/assalve

Talvez a distância entre os hemisférios Norte e Sul não seja medida apenas em quilômetros, mas também em ideias. Enquanto o Brasil é conhecido por receber estrangeiros de braços abertos, não é todo o mundo que busca apresentar sua própria versão do “calor brasileiro”.

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Nos Estados Unidos, as brutais ações do ICE contra estrangeiros, muitos deles em situação legal no país, acendem o alarme do avanço do preconceito contra as populações de países periféricos.

A seu modo, agora é a vez de políticos suíços conservadores apresentarem sua versão de como lidar com pessoas vindas de outros países. A Suíça prepara-se para votar, possivelmente ainda no primeiro semestre de 2026, um referendo para limitar sua população a 10 milhões até 2050. Em 2026, o número de habitantes do país é estimado em 9 milhões.

A proposta está sendo promovida pelo Partido Popular da Suíça (SVP, direita), com a justificativa de combater os efeitos da migração em massa.

O que a proposta de população máxima diz

Na última década, a população suíça aumentou em 10%, o que foi cinco vezes mais rápido que a média da União Europeia.

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Os defensores da ideia alegam que, com a chegada de imigrantes, os preços de moradia aumentaram, o transporte público ficou mais disputado e mudanças culturais ocorreram.

Pensando nisso, o projeto inclui duas etapas principais:

  • Quando a população atingir 9,5 milhões, o que é estimado que ocorra em 2035, o governo suspenderia a imigração de familiares de residentes estrangeiros e limitaria pedidos de asilo;
  • No momento em que o número atingisse o teto, de 10 milhões, o país passaria a se se retirar de tratados internacionais, como o acordo de livre circulação com a UE, que permite que europeus vivam e trabalhem no país

A votação está prevista para acontecer em 14 de junho.

48% dos eleitores rejeitam a medida

O SVP tem um longo histórico de aproveitar o sistema suíço de democracia direta para levar a plebiscito pautas de sua agenda anti-imigração. De 1999, quando o partido alcançou projeção nacional, para cá, apenas 10% das propostas da agremiação foram aprovadas pelos eleitores.

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Agora, dados de uma pesquisa realizada em dezembro indicam que o limite populacional se a votação ocorresse naquele momento.

O “não” ao limite de 10 milhões de habitantes teria o voto de 48% dos suíços. No entanto, a polarização é clara. O “sim” vem pouco atrás, no limite da margem de erro.

Os críticos têm-se limitado a apelar para potenciais prejuízos econômicos. Eles alegam que o projeto poderia comprometer o comércio suíço com a União Europeia, que recebe mais de 40% das exportações locais.

Além disso, alguns empresários se preocupam com a escassez de trabalhadores qualificados e a redução das contribuições para a previdência.

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*Com informações de agências de notícias internacionais

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