Esta construtora é a favorita do BTG e pode subir quase 40% na bolsa; veja qual
O BTG Pactual reiterou a recomendação de compra para as ações da Cyrela (CYRE3), eleita como a principal escolha (top pick) da casa entre as construtoras voltadas ao segmento de média e alta renda.
O preço-alvo para os papéis está em R$ 40, o que representa uma potencial valorização de aproximadamente 38% em relação à cotação atual, de R$ 28,92.
Segundo o banco, as ações da companhia são negociadas a um múltiplo de preço sobre lucro (P/L) de 6 vezes para 2026, o que é considerado atrativo frente aos pares.
Vivaz: pronta para crescer
Em relatório, a equipe de analistas do BTG apontou que a construtora se mantém otimista com o segmento de média e alta renda, mesmo diante do aumento dos estoques e da piora na acessibilidade ao crédito, pressionada pelos juros elevados.
Após realizar reunião com a administração da empresa, o banco destacou que a Cyrela pretende acelerar as operações voltadas a habitação popular, dadas as condições favoráveis do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que vêm sendo atualizadas constantemente por parte do governo federal.
“A companhia planeja continuar crescendo com sua marca Vivaz, que foi criada para atuar no setor de baixa renda, uma vez que seus custos de construção são muito semelhantes aos dos concorrentes, o que já se traduz em margens mais elevadas”, escreveram os analistas no documento.
De acordo com eles, apesar da concorrência mais acirrada, especialmente em cidades como São Paulo, ainda há muitas oportunidades de crescimento na divisão de habitação popular.
A avaliação é de que a Vivaz tem conseguido adquirir terrenos em condições extremamente atrativas, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do segmento econômico tem superado o observado na média e alta renda.
Média e alta renda: estoques sob controle
No relatório, o BTG afirmou que tem adotado uma postura mais cautelosa com as construtoras voltadas às classes mais altas, diante de um ambiente macroeconômico ainda desafiador.
Ainda assim, destacou que as vendas dos empreendimentos lançados pela Cyrela têm sido fortes, o prazo de maturação dos estoques segue dentro do esperado e o primeiro trimestre de 2026 (1T26) apresentou desempenho sólido tanto em comercialização quanto na absorção das unidades.
“A reunião com a administração reforçou que a empresa continua confiante em suas operações. Os executivos disseram que o setor imobiliário tem sido desafiador, mas a companhia está navegando muito bem em meio à turbulência, uma vez que está superando o desempenho do mercado em geral por meio de projetos mais diferenciados”, afirmou o banco.
“A Cyrela ainda não vê motivo para alterar suas expectativas ou suspender lançamentos. Além disso, espera que as suspensões das licenças de construção em São Paulo sejam normalizadas em breve”, prosseguiu.
Vale lembrar que a liberação de novos alvarás na capital paulista está suspensa desde o fim de fevereiro, por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
A medida foi tomada em 24 de fevereiro pelo órgão em ação direta de inconstitucionalidade movida pela Procuradoria-Geral de Justiça.
O questionamento envolve mudanças na Lei de Zoneamento de 2024, que ampliaram o potencial construtivo em determinadas áreas da cidade.