Economia

Estoque de crédito no Brasil cresce 14% em 2022 mesmo com maior juro bancário em seis anos

27 jan 2023, 9:46 - atualizado em 27 jan 2023, 12:51
Estoque de crédito
A aceleração no mercado de crédito em 2022, embora intensa, foi ligeiramente mais fraca do que a observada e, 2021, quando o estoque total cresceu 16,5% em 12 meses (Imagem: Rafael Borges/Money Times)

O estoque de crédito no Brasil cresceu 14% em 2022 na comparação com o ano anterior, mesmo diante da continuidade no processo de alta nas taxas de juros cobradas pelos bancos, em novo salto que foi acompanhado por uma alta da inadimplência e dos spreads bancários, divulgou o Banco Central nesta sexta-feira.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O movimento levou o saldo total de crédito no país a fechar 2022 em 5,326 trilhões de reais, correspondente a 54,2% do Produto Interno Bruto (PIB) –no fim do ano anterior estava em 52,5% do PIB.

A aceleração no mercado de crédito em 2022, embora intensa, foi ligeiramente mais fraca do que a observada e, 2021, quando o estoque total cresceu 16,5% em 12 meses.

No recorte por tomador dos empréstimos, o crédito para pessoas físicas cresceu 17,4% em 2022 após uma alta de 21% no ano anterior.

No caso das empresas, a elevação foi de 9,3%, contra alta de 10,5% em 2021.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A taxa média de juros cobrada pelas instituições financeiras, que vem acompanhando o aperto monetário promovido pelo Banco Central para controlar a inflação, encerrou 2022 em 42,0% ao ano –no fim de 2021, estava em 33,8% ao ano.

O nível é o mais alto desde 2016, quando o país passou por grave crise econômica, com a taxa média encerrando o ano em 51%.

Os dados referem-se ao segmento de recursos livres, em que o custo dos financiamentos é livremente estabelecido pelas instituições financeiras, sem interferência do governo.

A taxa média de juros total, incorporando os recursos direcionados, que atendem a parâmetros estabelecidos pelo governo, fechou 2022 em 29,9% ao ano, também no maior nível para dezembro desde o fechamento de 2016.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A taxa Selic, que iniciou o 2022 em 9,25% ao ano, foi elevada pelo Banco Central ao longo dos meses e encerrou o ano em 13,75%.

Nas últimas reuniões, a autarquia optou por manter a taxa básica de juros nesse nível.

Com a elevação dos juros cobrados pelas instituições financeiras, o nível de inadimplência apresentou elevação no ano passado, encerrando dezembro em 4,2% nos recursos livres, uma alta de 1,1 ponto percentual no ano.

Em 2022, também houve crescimento no spread bancário, a diferença entre o custo de captação de recursos pelas instituições financeiras e o que elas cobram dos clientes na concessão do crédito.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O patamar do spread nas operações com recursos livres ficou em 29,0 pontos percentuais em dezembro, contra 23,6 pontos no mesmo mês de 2021.

Apesar das elevações no ano, a taxa média de juros e o nível de spread tiveram redução pontual no mês de dezembro.

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, ponderou que ainda não é possível afirmar se esse movimento representa o fim da trajetória de alta.

Pessoas Físicas

Em relação ao crédito oferecido a pessoas físicas, o BC afirmou que o destaque na subida dos juros médios em 2022 foi para o rotativo do cartão de crédito, que ficou em 409,3% ao ano em dezembro, uma alta de 61,9 pontos percentuais em 12 meses.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O patamar é o mais elevado desde agosto de 2017, quando o custo ficou em 428% ao ano.

A taxa do parcelado do cartão de crédito, por sua vez, subiu 14 pontos percentuais em 2022, a 182,4% ao ano.

Foi registrada ainda uma elevação de 4 pontos percentuais na tarifa média do cheque especial, que fechou 2022 em 131,9% ao ano.

O crédito pessoal não consignado, por outro lado, teve redução dos juros médios.

A taxa caiu 3,3 pontos percentuais em 12 meses, a 82% ao ano em dezembro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O ano de 2022 também teve um movimento atípico, com alta de 53% nas concessões de crédito consignado para pessoas físicas, impulsionado por uma disparada nas concessões no mês de outubro com a liberação de empréstimos a beneficiários do Auxílio Brasil pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Naquele mês, as liberações somaram 9,5 bilhões de reais, contra valores próximos a 1,5 bilhão de reais em meses anteriores.

O BC vem avaliando que o aperto monetário tem refletido como esperado no mercado de crédito, com uma mudança no mix das concessões.

A autarquia tembém tem alertado para uma persistência de elevado apetite ao risco das instituições financeiras, com ritmo alto de crescimento em modalidades mais arriscadas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para 2023, o Banco Central prevê que o crédito seguirá em expansão, mas em ritmo mais lento, com uma alta de 8,3% no ano, conforme projeção feita pela autarquia em dezembro.

(Atualizada às 12:51)

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar