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Estrangeiro bate em retirada e Bolsa volta ao nível de janeiro; o que mudou no cenário para o Brasil?

12 ago 2026, 15:46
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Pessoas observam painel eletrônico que exibe o gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM&F Bovespa, no centro de São Paulo, Brasil, em 9 de maio de 2016 (REUTERS/Paulo Whitaker)

O ‘risco Brasil‘ voltou à mesa dos investidores. Na última terça-feira (12), a aversão a risco ao mercado doméstico gerou fortes perdas nos ativos brasileiros, em especial na Bolsa: o Ibovespa caiu 2,5% e retornou ao níveis de janeiro, aos 167 mil pontos.

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A percepção entre gestores e analistas ouvidos pelo Money Times é de que a eleição passou a fazer parte da equação de risco dos ativos brasileiros e, principalmente, da Bolsa e da curva de juros.

O movimento de saída dos estrangeiros da Bolsa, já iniciado desde o início do mês, foi intensificado com a visão mais pessimista do JP Morgan para o mercado local. Em relatório, o banco rebaixou a recomendação de ações brasileiras de overweight (equivalente a compra) para neutra, sinalizando cautela com o Brasil em função do ciclo de queda da Selic, cenário eleitoral e deterioração do crédito.

Pesquisas eleitorais apontando para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também entram na conta. Na terça, a pesquisa CNT/MDA mostrou uma vantagem de quase 14 pontos entre Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no primeiro turno, e distância de cerca de 9 pontos entre os candidatos em um eventual segundo turno.

Eleição está no preço, vencedor não

Para os especialistas, a eleição já está no preço dos ativos brasileiros — mas isso não significa que os investidores estejam antecipando um vencedor. O mercado, na verdade, está precificando a falta de clareza sobre o próximo governo e a sua agenda econômica.

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“O que aparece nos preços neste momento é um prêmio crescente de incerteza, especialmente sobre a condução fiscal e econômica a partir de 2027”, avalia Olívia de Brás, CEO da Magno Investimentos. “Há uma diferença importante entre antecipar o resultado de uma eleição e começar a cobrar pelo desconhecido. O mercado não precisa saber quem vence para saber que a dúvida custa dinheiro”, acrescentou.

A leitura é compartilhada por Régis Chinchila, analista de research da Terra Investimentos. “O mercado começa a exigir um prêmio maior para carregar ativos brasileiros diante da percepção de que o país segue sem um planejamento fiscal convincente de médio e longo prazo.”

Um gestor ouvido pela reportagem sob a condição de anonimato também afirma que a piora dos ativos domésticos “parece estar bem associada à probabilidade de reeleição do Lula”. “O cenário está caminhando para ser um cenário-base de Lula reeleito e, apesar do atual governo ser mal visto pelo mercado, qualquer coisa diferente disso vai ser surpresa”.

Estrangeiro reduz exposição

Segundo dados da B3, os gringos retiraram cerca R$ 5,5 bilhões da Bolsa na primeira semana de agosto. Esse movimento, na visão dos especialistas, é um dos “sinais mais claros” da percepção de risco focada nas eleições de outubro.

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“O estrangeiro parece estar reduzindo exposição enquanto aguarda maior clareza sobre o quadro eleitoral e, sobretudo, sobre o compromisso do próximo governo com equilíbrio fiscal, reformas e aumento de produtividade”, afirmou Chinchila, da Terra Investimentos.

Renato Nobile, CEO e CIO da Buena Vista Capital, chamou a atenção para o desempenho do ETF EWZ, — que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro na bolsa de Nova York (Nyse). Na terça, o fundo de índice registrou o maior fluxo de saída em 13 anos.

No relatório mencionado anteriormente, o JP Morgan avalia que o Brasil tende a apresentar um desempenho inferior, tanto em termos absolutos quanto relativos, nos seis meses que antecedem as eleições.

“Após a recuperação observada em julho, quando o índice MSCI do Brasil registrou alta de 6,3%, superando o MSCI da América Latina e o MSCI de mercados emergentes, acreditamos que seja hora de adotar uma postura mais conservadora”, pontuou o JP Morgan. “Tanto as ações quanto o real têm oscilado dentro de uma faixa desde maio, indicando que há pouco prêmio ou desconto eleitoral nos preços”, acrescentou.

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Para Nobile, da Buena Vista Capital, o movimento do EWZ “está diretamente relacionado ao cenário eleitoral local”. “O cenário eleitoral tem impacto sobre as decisões do investidor estrangeiro, que acaba retirando recursos porque não identifica, neste momento, uma assimetria favorável para manter o dinheiro alocado no Brasil”, afirma.

“O investidor estrangeiro compara mercados. Quando percebe um quadro fiscal mais incerto, juros estruturalmente elevados, risco de mudanças de política econômica e uma eleição se aproximando, ele exige um retorno potencial maior para permanecer alocado”, acrescenta Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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