Ibovespa tomba 2,5% e atinge menor nível desde janeiro com piora da percepção de risco local; dólar sobe
Com a agenda agitada por dados de inflação e cenário eleitoral, o Ibovespa (IBOV) teve mais um dia de forte aversão a risco no mercado local, completando a sexta perda consecutiva.
Nesta terça-feira (11), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 2,50%, aos 167.874,64 pontos, no menor nível desde 20 de janeiro.
Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,1608, com alta de 0,98%.
Por aqui, a piora da percepção de ‘risco Brasil’ pesou sobre o mercado acionário. Segundo operadores do mercado, a piora do apetite a risco deve-se à perspectiva mais pessimista do JP Morgan sobre o país – estimulando a saída de fluxo estrangeiro.
O banco rebaixou a recomendação para o mercado brasileiro de overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para market perform (equivalente à neutra) e também cortou a projeção para o Ibovespa no final de 2026 de 190 mil pontos para 185 mil pontos, o que equivale a um potencial de alta de 7,5% frente aos níveis atuais.
“O Ibovespa foi negativamente impactado por diversos fatores como IPCA acima do esperado (e prévia do IGP-M elevada), pesquisas eleitorais indicando bastante incerteza sobre o próximo presidente, leilão de títulos com pouca demanda e também por um relatório estrangeito sinalizando cautela com o Brasil em função do ciclo de queda da Selic e deterioração do crédito”, avaliou Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial.
Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos da AW Capital, destacou a última pesquisa eleitoral, que mostrou o atual presidente liderando as intenções de voto no primeiro e segundo turnos.
A pesquisa CNT/MDA para a eleição presidencial 2026 divulgada nesta terça-feira mostrou uma vantagem de quase 14 pontos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno, e a distância de cerca de 9 pontos entre os candidatos em um eventual segundo turno.
Altas e quedas do Ibovespa
A temporada de balanços continuou a movimentar o Ibovespa. Juliana Benvenuto, coordenadora de alocação e inteligência da Avenue, chamou a atenção para a análises do Santander e do Bradesco BBI. “Os estrategistas avaliam que a desaceleração da atividade econômica já começa a aparecer nos balanços das empresas cíclicas domésticas e não apenas nos indicadores econômicos”, disse.
Hoje, as perdas do Ibovespa foram patrocinadas por bancos. O Índice Financeiro (IFNC) recuou 3,27%, puxado pela baixa de 5,81% (R$ 50,13) dos papéis do BTG Pactual (BPAC11), em reação ao balanço do segundo trimestre.
BPCA11 foi também a ação mais negociada da B3, com 57,5 mil negócios e giro superior a R$ 1,8 bilhão.
Ainda entre as blue chips, as ações da Petrobras (PETR4;PETR3) fecharam em queda com a saída de fluxo estrangeiro, apesar da forte alta do petróleo Brent. PETR3 caiu 1,44% (R$ 46,53) e PETR4 teve baixa de 1,35% (R$ 41,66). Já Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, recuou 2,02%, a R$ 74,40.
Bancos, Petrobras e Vale correspondem a 50% da carteira do IBOV.
A ponta negativa do IBOV, porém, foi liderada por Usiminas (USIM5), com queda de 7,54% (R$ 6,62), após o rebaixamento da recomendação das ações da companhia para neutro pelo Itaú BBA.
Já a ponta positiva, com apenas seis ações, foi encabeçada por CSN Mineração (CMIN3), com alta de 2,01% (R$ 5,57).
Exterior
Os índices de Wall Street encerraram o pregão em queda com o barril do petróleo de volta ao nível próximo de US$ 90 e a continuidade do impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: -0,34%, aos 53.791,85 pontos;
- S&P 500: -0,32%, aos 7.728,20 pontos;
- Nasdaq: -0,60%, aos 26.445,446 pontos.
Na Europa, os mercados terminaram a sessão em tom misto. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou praticamente estável, com alta de 0,01%, aos 660,51 pontos.
Na Ásia, os índices também fecharam o pregão sem direção única: o índice Nikkei, do Japão, subiu 2,08%, aos 66.970,22 pontos, e o índice Hang Seng, de Hong Kong teve queda de 1,10%, aos 25.652,82 pontos.