Estreia épica: “A Odisseia” quebra recordes e coloca o IMAX no centro da história
Uma das estreias mais aguardadas do ano, “A Odisseia”, de Christopher Nolan, teve uma estreia épica nos cinemas.
A adaptação do poema de Homero arrecadou US$ 124,5 milhões nos Estados Unidos e no Canadá logo no primeiro fim de semana em cartaz, além de US$ 139,6 milhões no mercado internacional.
No total, foram US$ 264,1 milhões em estreia global, superando o desempenho inicial de Oppenheimer e registrando a melhor abertura de Nolan desde Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012).
Com orçamento de US$ 250 milhões e outros US$ 125 milhões investidos em marketing, o filme está entre os mais caros para maiores de 18 anos já produzidos.
Como Nolan revolucionou a tecnologia IMAX
Grande parte do desempenho veio das salas IMAX.
Anunciado como o primeiro longa de ficção filmado inteiramente com câmeras do formato, o filme arrecadou US$ 51,8 milhões em IMAX no mundo, sendo US$ 29,6 milhões apenas nos Estados Unidos.
Mas para que isso fosse possível, a tecnologia precisou ser adaptada para a produção de Nolan.
O IMAX utiliza um formato criado em 1970, com películas de 70mm, o dobro das convencionais de 35mm, permitindo projeções em telas gigantes e curvas, que oferecem uma resolução de altíssima qualidade e uma experiência mais imersiva ao espectador.
No Brasil, existem atualmente apenas 12 salas equipadas com a tecnologia.
A grande questão, é que as câmeras para esse tipo de produção produziam tanto ruído durante a gravação que praticamente inviabilizavam a captação de diálogos, limitando seu uso a documentários sobre a natureza e cenas de ação, nas quais o áudio podia ser regravado posteriormente.
Para que as gravações de “A Odisseia” fossem possíveis, foi necessário desenvolver câmeras mais silenciosas, com uma estrutura chamada blimp. O equipamento pesa cerca de 120 quilos e envolve a câmera para abafar o ruído.
A solução trouxe um desafio inesperado: a caixa bloqueava a visão dos atores durante as cenas. A resposta foi instalar espelhos no equipamento para que os intérpretes conseguissem manter contato visual enquanto atuavam.
Segundo a IMAX, as exibições no formato 70 mm seguem praticamente lotadas pelas próximas semanas, enquanto a empresa manterá suas salas dedicadas exclusivamente ao filme durante três semanas.
O diretor que transforma cinema em evento
O desempenho de “A Odisseia” também reforça o papel de Christopher Nolan na recuperação das salas de cinema desde a pandemia.
Depois de lançar Tenet em meio às restrições de 2020 e de liderar o fenômeno “Barbenheimer” com Oppenheimer em 2023, filme que arrecadou US$ 975 milhões mundialmente, o diretor volta a mostrar que seu nome é capaz de atrair multidões.
Segundo a IMAX, as vendas antecipadas para o segundo fim de semana já figuram entre as maiores da história da empresa, indicando que muitos espectadores seguem buscando assistir ao longa no formato premium.
O principal concorrente nas próximas semanas será Homem-Aranha: Um Novo Dia, da Sony, previsto para estrear em 31 de julho.
O clássico da literatura que virou blockbuster
Com um elenco de estrelas consolidadas como Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya e Robert Pattinson, “A Odisseia” é baseada no clássico poema de Homero, uma das obras mais antigas da literatura ocidental.
A narrativa conta a jornada do herói fictício Odisseu em seu retorno para casa após a Guerra de Troia.
Durante a longa viagem, ele enfrenta criaturas mitológicas, desafia os deuses e perde seus companheiros.
Enquanto isso, sua esposa, Penélope, resiste à pressão de pretendentes que disputam o trono, e seu filho, Telêmaco, luta para proteger o reino.
Ao retornar disfarçado de peregrino, Odisseu derrota os rivais e reconquista sua família e seu reino.
*Com supervisão de Ricardo Gozzi