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Etanol avança por milho, açúcar decepciona e o La Niña no horizonte: os primeiros meses da safra 2024/2025

13 jun 2024, 14:22 - atualizado em 13 jun 2024, 18:21
etanol milho açúcar la niña
O maior mix de açúcar nas usinas e o crescimento da produção do etanol de milho, faz o biocombustível hidratado perder força; entenda(Foto: Unem/Divulgação)

A safra 2024/2025 de açúcar e etanol teve a sua largada no início de abril, a pouco mais de dois meses, e o novo ciclo já apresenta diferenças frente ao ciclo passado.

De acordo com a StoneX, a moagem na safra 2024/2025 deve atingir 602,2 milhões de toneladas. Em 23/24, a moagem ficou em 659,3 milhões de toneladas.

O analista da consultoria, Marcelo Bonifácio, ressalta que o começo do ciclo tem sido misto em termos de resultados.

“Para o período (dois primeiros meses), temos uma moagem acima do ano passado, já que até abril de 2023 ainda estava chovendo. Com abril e maio de 2024 mais seco, tivemos um melhor ritmo de colheita no Centro-Sul, o que pesou sobre os preços do açúcar em NY”, diz.

Menor açúcar nas usinas decepciona

Apesar da maior produção em relação a 2023, o mix de açúcar das usinas decepcionou alguns analistas, que esperavam uma produção mais elevada.

“Na primeira quinzena de maio, o mix de açúcar das usinas ficou em 48,27% e 51,73% para o etanol, aquém do esperado pelo mercado, que esperava algo em torno de 50% – 51% para o período, sendo esse o principal ponto de atenção neste começo de safra. Com isso, há uma demanda muito forte por etanol no Centro-Sul, com o combustível tendo uma maior liquidez frente ao açúcar para as usinas”, explica o analista.

Por outro lado, Bonifácio que ressalta que muito dos preços para exportação de açúcar já foram fixados, vê espaço para um mix mais elevado de açúcar entre junho e agosto. “Apesar da queda dos valores para o açúcar frente ao ano passado, os preços atuais são bons historicamente. Fora isso, o dólar mais forte fortalece essa exportação”.

De 1 de abril até 11 de junho, os preços do contrato com vencimento para julho recuaram 16,54%, passando de US$ 0,2252 para US$ 0,1879.

Preços do etanol avançam e milho ganha força

Quanto ao etanol, os preços atuais (R$ 2,3062/L), com base no indicador Cepea/Esalq, estão mais elevados frente aos valores vistos no segundo semestre de 2023 (entre R$ 2,159/L e R$ 1,935/L)

“Há um maior equilíbrio sobre oferta e demanda, com o consumo sendo estimulado pelo ciclo-otto acima do esperado, com uma boa produção de anidro e hidratado”.

O grande destaque para o analista fica por conta do crescimento vertiginoso do etanol de milho, que deve ter um incremento de 1,8 bilhões de litros frente o ciclo passado.

“Devemos ter 8 bilhões de litro na safra 24/25, um avanço que se dá pela maior capacidade produtiva, com usinas em Mato Grosso ampliando suas produções. Com isso, apesar do mix não estar tão elevado, o etanol de cana tem perdido espaço para o açúcar”, avalia.

Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), está mais vantajoso abastecer com etanol frente a gasolina em 9 estados (Acre, Amazonas, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e São Paulo) e no Distrito Federal. É mais vantajoso abastecer com etanol quando os preços estão 70% abaixo dos da gasolina.

O que preocupa?

Segundo Bonifácio, há uma preocupação para os meses de pico de safra (junho-agosto), com um alerta para produtividade. “As usinas estão colhendo bastante, mas a produtividade vai guiar a moagem, já que houve uma entressafra muito prejudicada em termos de chuva (nov/23 até março/24)”.

Além disso, há uma incerteza quanto ao La Niña. “O fenômeno traz tempo seco, mas não há uma definição tão assertiva quanto a isso. Devemos ter sim um inverno mais rigoroso, o que acende um sinal amarelo pro segundo semestre em termos de geada”, pontua.

Caso o tempo mais seco perdure com o La Niña, surge uma preocupação para a safra 2025/2026. No entanto, isso poderia resultar em um ATR maior, é bom para produção de derivados.

Por fim, o consumo de etanol deve seguir elevado nos meses de colheita, apresentando a estabilidade atual, algo favorável para o consumidor. Entretanto, uma diminuição dos estoques promete impulsionar os preços.

“Viramos a safra com estoques elevados, mas isso não deve acontecer no fim deste ciclo. Devemos ver uma normalização desses estoques por conta de uma demanda elevada e uma produção de etanol de menor. Isto posto, com uma demanda elevada, a gente tem uma tendência de alta nos preços a partir do último trimestre do ano”.

 

Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural, onde atuou como editor do Rural Notícias, programa de TV diário dedicado à cobertura do agronegócio. Por lá, também participou da produção e reportagem do Projeto Soja Brasil e do Agro em Campo.
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